O ministro dos Negócios Estrangeiros português assumiu esta segunda-feira que “não há nenhum problema com os EUA”, depois de o Governo português ter desmentido a versão de Marco Rubio sobre a utilização da Base das Lajes pelo exército norte-americano.

Paulo Rangel disse aos jornalistas que “obviamente houve uma autorização” de Portugal para os EUA utilizarem a base, apesar da afirmação do secretário de Estado da administração Trump. “Para ser justo, há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Eles disseram que sim, antes de nós perguntarmos o que quer que fosse”, declarou Rubio, merecendo pronta resposta do MNE.

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“[O pedido] só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”, esclareceu o Ministério, em resposta ao secretário de Estado norte-americano.

Contudo, antes desta reação, o PS criticou as contradições do Governo. Esta segunda-feira, depois de já ter sido chamado ao Parlamento para justificar a ação, Rangel ripostou, sempre com os socialistas na mira: “O Governo português, em momentos de crise internacional, tem como grande preocupação a defesa de Portugal e dos portugueses. Não faz chicana política com crises internacionais”.

“Não compreendo como é que o secretário-geral do PS, que foi consultado e informado previamente sobre a autorização, nem sequer fala disso, ele conhece este assunto melhor que ninguém porque foi consultado previamente”, atirou Rangel. “Os deputados socialistas (…) conhecem pormenores que explicam todas as questões. Vir fazer este tipo de atitude, em rutura com aquilo que era a tradição do PS, é inaceitável”.

A crítica do antigo eurodeputado e agora ministro à postura do PS parece ter algum apoio dentro do próprio PS e até de um atual eurodeputado. Numa declaração enviada ao Observador, Francisco Assis criticou o uso de uma “retórica infantil e extremista” por parte dos colegas socialistas.

O eurodeputado não gostou de ouvir o líder parlamentar Eurico Brilhante Dias, que descreveu Portugal como “um país de cócoras” e “agachado”. Assis admitiu a necessidade da “aclaração” do Governo face às “declarações ambíguas” de Rubio, mas disse que “não é aceitável que o faça nos termos excitados e inapropriados a que incompreensivelmente recorreu”. “O PS nunca usou uma retórica infantil e extremista para abordar temas de política externa e nunca se deixou contaminar por um radicalismo ideológico assente na rejeição da importância das relações transatlânticas”.

Assis ataca “termos excitados” e “retórica extremista” do PS sobre os EUA e o uso das Lajes

Paulo Rangel não se mostrou preocupado com a audição no Parlamento. Explicou que não tem problemas em responder aos deputados e que, na verdade, é “dos ministros que mais vezes” é ouvido. Inclusive, prometeu fazer esta próxima audição sobre a Base das Lajes “à porta aberta”.

“Quem tem que dar explicações é o PS. O secretário-geral do PS tinha dito no Parlamento que concordava com os termos da autorização”.

O ministro diz que foi dado “valor literal a uma afirmação que não tem valor literal”, numa referência ao elogio de Marco Rubio. “Obviamente que houve uma autorização. Acho que as palavras não foram ditas literalmente”.