Acompanhe o nosso liveblog sobre a atualidade política

O ministro dos Negócios Estrangeiros mostrou-se confiante quanto às hipóteses de um regresso de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU, considerando que o maior ativo português na corrida é a capacidade de posicionar-se como “construtor de pontes”.

Apesar da forte concorrência da Alemanha e da Áustria, Paulo Rangel disse à Lusa, na segunda-feira, que Portugal está bem posicionado para conquistar um quarto mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança e garantiu que a campanha prosseguirá até ao último momento.

Questionado sobre os fatores que distinguem a candidatura portuguesa das restantes, o ministro destacou o compromisso de Portugal com o multilateralismo, com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas.

Apontou ainda a capacidade do país para atuar como “construtor de pontes” entre diferentes regiões do mundo, defendendo que essa reputação diplomática constitui o principal trunfo português junto da comunidade internacional.

“Portugal tem essa agenda completamente defensora do multilateralismo, do direito internacional, da Carta das Nações Unidas, tem um registo muito próprio na sua presença histórica, cultural, em todos os cantos do mundo, se posso dizer assim. Tem também grande capacidade de ser um construtor de pontes”, afirmou o ministro, na sede da ONU, em Nova Iorque.

“Eu acho que esse que é o nosso maior ativo: é o reconhecimento pela comunidade internacional de que Portugal estabelece pontes. Pontes entre a Europa e as Américas, pontes entre a Europa e África, pontes entre a Europa e a Ásia Central, o Oceano Índico, o Indo-Pacífico, o Extremo Oriente, as Ilhas do Pacífico, as Caraíbas… Em todas elas Portugal tem uma tradição de fazer pontes, de criar relações e julgo que essa reputação que nós temos é talvez o nosso maior ativo“, acrescentou.

Portugal concorre ao Conselho de Segurança — um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas — sob o lema “Prevenção, Parceria, Proteção”.

A eleição para membro não permanente para o biénio 2027/2028 está agendada para a próxima quarta-feira.

Portugal tem como adversários diretos a Alemanha e a Áustria, numa disputa pelos dois lugares de membros não permanentes atribuídos ao grupo da Europa Ocidental e Outros Estados.

Questionado sobre se um mau resultado representaria uma derrota da diplomacia portuguesa, o ministro recusou-se a admitir esse cenário, elogiando o trabalho realizado pelos diplomatas e por diversas instituições portuguesas ao longo de toda a campanha.

“Não será [uma derrota], com certeza, mas eu não vou pôr sequer essa hipótese. Como político, nunca contamos com as derrotas. E, portanto, até ao fim vamos trabalhar para, justamente, termos a possibilidade e a capacidade de ser eleitos. Há, no entanto, um grande elogio que eu faço a toda a diplomacia portuguesa, aos órgãos de soberania, a imensas instituições, que ao longo destes anos, que foram muitos, mas especialmente nos últimos dois, que são mais decisivos, têm trabalhado incansavelmente para que Portugal possa ser eleito na quarta-feira”, declarou.

A candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança foi lançada em 2013, um ano depois de Portugal ter tido assento como membro não permanente no biénio 2011-2012.

O governante salientou ainda que os últimos dias antes da votação são tradicionalmente marcados por alguma volatilidade, pelo que considera essencial manter os esforços até ao momento da eleição.

“Há uma expressão portuguesa que diz que ‘até ao lavar dos cestos é vindima’ e, portanto, obviamente que se tem que trabalhar até ao fim. Nos últimos dias há sempre alguma volatilidade e, portanto, temos de estar todos a trabalhar. Isto vale para Portugal, mas também para os outros dois [Alemanha e Áustria]. (…) Temos visto que cada um está a fazer o melhor que pode para, justamente, conseguir o melhor resultado possível na quarta-feira”, concluiu.

Portugal já foi membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU por três vezes: em 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros (cinco permanentes e 10 não permanentes). Cada membro tem um voto, sendo que os cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — têm também poder de veto. Os membros não permanentes são eleitos para um mandato de dois anos.

Portugal pode ser eleito no mesmo ano em que António Guterres termina o segundo mandato de cinco anos como secretário-geral da ONU.