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O vice-presidente norte-americano afirmou esta segunda-feira que as negociações de paz entre Estados Unidos e Irão estabeleceram uma “base sólida” para um acordo definitivo para terminar o conflito iniciado em fevereiro.
“Lançámos a base. Ainda não construímos a casa, mas estabelecemos uma base sólida para chegarmos a um bom resultado para o povo norte-americano”, declarou JD Vance aos jornalistas, no final de uma ronda de negociações com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
As conversações decorreram entre domingo e as primeiras horas desta segunda-feira na estância alpina de Bürgenstock, junto ao lago Lucerna, na Suíça, num encontro mediado pelo Qatar e pelo Paquistão com o objetivo de consolidar um cessar-fogo permanente entre Washington e Teerão.
Divulgados oficialmente os 14 pontos que constam no memorando de entendimento entre o Irão e os EUA
Segundo os mediadores, o encontro registou “progressos encorajadores”, embora as negociações técnicas devam prosseguir ao longo da semana, na Suíça.
Um responsável norte-americano afirmou que foram registados avanços em várias áreas, incluindo a criação de mecanismos para garantir a manutenção da abertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de energia.
O mesmo responsável acrescentou que foram discutidas medidas destinadas a preservar o cessar-fogo entre Israel e o movimento xiita Hezbollah no sul do Líbano, uma trégua que se mantém desde sábado e que constitui o período mais longo sem confrontos desde o início da atual guerra entre ambas as partes, a 2 de março.
Vance admitiu também que Washington poderá desbloquear parte dos ativos iranianos congelados para financiar a compra de produtos agrícolas norte-americanos, nomeadamente soja, milho e trigo.
O vice-presidente norte-americano indicou que a proposta foi desenvolvida por Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em coordenação com responsáveis do Qatar.
De acordo com Vance, os fundos iranianos que venham a ser disponibilizados na sequência de um eventual levantamento de sanções vão ser usados exclusivamente para a aquisição daqueles produtos agrícolas “em benefício do povo iraniano”.
Apesar dos avanços anunciados, as negociações foram marcadas por momentos de tensão, depois de declarações de Trump a partir dos Estados Unidos e que Teerão considerou ofensivas.
Nas redes sociais, Trump escreveu que o Irão devia impedir imediatamente os aliados no Líbano de “causar problemas”, ameaçando com novos ataques contra território iraniano caso isso não aconteça.
Apesar do incidente, as delegações permaneceram no local e as negociações prosseguiram.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nas redes sociais que os mediadores do Qatar e do Paquistão conseguiram alcançar “progressos significativos” para pôr termo à guerra no Líbano, mas alertou que o verdadeiro teste será a capacidade do mecanismo acordado para impedir o regresso dos combates entre Israel e o Hezbollah.
Tireless Pakistani and Qatari mediation has delivered major progress to end Lebanon War. Oil and petrochem exports are waived, blockade lifted, some frozen assets released, and major reconstruction & development plan launched for Iran.
1st real test: Lebanon deconfliction cell https://t.co/q0okD2qwSO
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) June 22, 2026
O acordo provisório assinado na semana passada pelos líderes dos Estados Unidos e do Irão prevê um prazo de 60 dias para negociar o futuro do programa nuclear iraniano, bem como outras questões pendentes, incluindo o destino de ativos iranianos congelados no estrangeiro.
Teerão continua a rejeitar as acusações ocidentais de que pretende desenvolver armas nucleares, insistindo que o programa nuclear do país tem fins exclusivamente civis.