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Quem é Lance Schroyer, o novo diretor do ICE e ex-polícia de trânsito em Oklahoma?

Numa palavra, segundo Donald Trump, Lance Schroyer é um "PATRIOTA". Mas a nomeação mereceu a oposição do antigo czar da fronteira do Presidente. Lance chegou ao ICE em março, como conselheiro.

Lance Schroyer
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▲Com uma experiência limitada na gestão de órgãos nacionais, Schroyer nunca tinha trabalhado no ICE até março deste ano

Oklahoma Highway Patrol / Facebook

▲Com uma experiência limitada na gestão de órgãos nacionais, Schroyer nunca tinha trabalhado no ICE até março deste ano

Oklahoma Highway Patrol / Facebook

Um antigo polícia de trânsito do estado de Oklahoma — e ex-fuzileiro dos Estados Unidos que não tem experiência em agências nacionais — deverá ser o próximo diretor do Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE, na sigla em inglês). Na publicação da Truth Social em que anuncia a decisão, o Presidente Donald Trump também promete: “Lance Schroyer tem o que é preciso para DETER E DEPORTAR criminosos imigrantes ilegais (…) a um ritmo nunca antes visto!”.

É a própria publicação de Trump que refere que Schroyer conta com mais de 29 anos de experiência nas forças policiais em Oklahoma — “um estado onde VENCI em todos os 77 condados em 2016, 2020 e 2024!”, fez questão de sublinhar Trump —, e é ainda nesse post que o líder norte-americano lança algumas linhas sobre o passado de Schroyer como fuzileiro dos Estados Unidos.

A escolha causou perplexidade no ICE, já que os diretores anteriores tinham currículos mais reconhecidos do que Schroyer. Segundo fontes próximas citadas pelo Washington Post, Tom Homan — o “czar da fronteira” de Trump — opôs-se à nomeação, embora a Casa Branca garanta que este continuará a colaborar de perto com o Governo na política de imigração.

À pergunta que se impõe — ‘quem é Lance Schroyer?’ —, Trump dá algumas respostas: “É um PATRIOTA com verdadeira experiência operacional e um líder comprovado, com DÉCADAS de serviço a prender o pior do pior”. Mais: tem “experiência em primeira mão a retirar imigrantes ilegais das nossas ruas e, tal como EU e o nosso Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, ele ADORA os homens e as mulheres do ICE”.

De polícia de trânsito a conselheiro sénior: o percurso em Oklahoma em parcerias de imigração e a forte ligação a Markwayne Mullin

Com uma experiência limitada na gestão de órgãos nacionais, Schroyer nunca tinha trabalhado no ICE até março deste ano, quando Markwayne Mullin assumiu o cargo de secretário de Segurança Interna. Antigo fuzileiro naval e major no Departamento de Segurança Pública de Oklahoma, atua — pelo menos, até à oficialização na nomeação — como conselheiro sénior de Mullin. Aí coordena estratégias de fiscalização, servindo como elo de ligação com agências locais e regionais.

Segundo fontes próximas citadas pelo Wall Street Journal, desde que assumiu funções que Mullin tentava convencer a Casa Branca a promover um agente do seu estado natal — e que não tivesse um histórico problemático em casos de imigração.

“O Presidente Trump fez uma excelente escolha, e estou confiante de que a forte liderança e a experiência em primeira mão de Lance irão capacitar os homens e as mulheres do ICE a deportar estrangeiros ilegais criminosos, garantir a segurança interna e proteger o povo americano”, escreveu Mullin no X.

Grande parte da carreira de Schroyer foi feita na Patrulha Rodoviária de Oklahoma. Ao longo dos anos, ocupou diferentes funções de liderança: de polícia de trânsito passou a tenente, capitão e, por fim, major. Após ter feito o serviço militar no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, ficou pela área de segurança pública, concentrando-se durante vários anos em operações policiais em todo o estado de Oklahoma.

Mas sendo um novato nas agências nacionais, uma das componentes mais importantes da carreira de Schroyer no âmbito da nomeação para diretor do ICE será o seu trabalho em parcerias de fiscalização de imigração, sobretudo na promoção e expansão dos acordos 287(g).

Embora a fiscalização da política migratória seja uma competência essencialmente federal, a Secção 287(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA permite que o ICE delegue competências a funcionários estaduais e locais, sob supervisão. Na prática, este programa autoriza polícias locais — desde que tenham formação específica — a assumir tarefas que caberiam a agentes federais, acelerando os procedimentos sem necessidade de esperar pela intervenção do Governo central.

Mas, por agora, há algo que fica a faltar: a aprovação da decisão pelo Senado. Aliás no comunicado da nomeação de Lance, Markwayne Mullin pressiona: “O Senado precisa de confirmar Lance Schroyer rapidamente.”

Se a nomeação de Lance Schroyer for confirmada, o conselheiro assumirá o cargo em substituição de David Venturella, que ocupava o posto de forma interina desde o final de maio. Antigo quadro da empresa de prisões privadas Geo Group e com um percurso na imigração que recua à década de 1980, Venturella tinha assumido funções após a demissão de Todd Lyons — outra figura-chave na agenda de Trump cuja demissão foi anunciada em abril deste ano.

Sem um diretor confirmado pelo Senado desde o início de 2017, o ICE está agora no centro da promessa de Donald Trump de avançar com uma operação de deportações em massa. Embora o Presidente tenha colocado o aperto das leis migratórias no topo das prioridades, a agência tem acumulado fortes controvérsias. Organizações de direitos humanos alertam que as políticas da administração violam as liberdades civis e geram um clima de insegurança que afeta, sobretudo, as minorias étnicas.

Em janeiro, dois cidadãos norte-americanos — Renee Good e Alex Pretti — foram mortos a tiro por agentes de imigração em Minneapolis.

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