As autoridades mexicanas confirmaram, esta sexta-feira, que os restos mortais encontrados a 27 de junho numa propriedade rural são da jornalista Roxana Berenice Guzmán Rodríguez, que estava desaparecida desde o dia 2 de junho. Há um mês, dois homens armados e de cara tapada invadiram a casa em que a mulher vivia com a sua família na cidade de Nanchital, no sul do estado de Veracruz, no México, e a sequestraram. Um vídeo publicado no X mostra o momento em que a dupla parte vidros da porta de entrada da residência, para onde entraram com metralhadoras, enquanto um homem pede para que tenham calma, porque havia ali também um bebé.
???? La periodista Roxana Guzmán Ramírez, directora del portal Pulso Informativo del Sureste, fue presuntamente sacada por la fuerza de su domicilio en Nanchital, Veracruz. Es reportada como desaparecida y se desconoce su paradero.#Veracruz https://t.co/7xkj3gEr4H
— LuisCardenasMX (@LuisCardenasMx) June 2, 2026
Numa publicação no Facebook, a Procuradoria-Geral do Estado revelou ter executado oito mandados de detenção contra suspeitos da prática do crime de homicídio qualificado pela morte da profissional de comunicação. Foram detidos Javier Iván “N”, vulgo “Delta 1”; José del Carmen “N”, vulgo “Delta 7” e Luis Arturo “N”, vulgo “Delta 11” ou “El Pelón”, pelo sequestro e Karen Monserrat “N”, vulgo “La Hiena”, como cúmplice do homicídio. José Del Carmen Cadena Escayola, detido por agentes da marinha e da polícia mexicana, indicou o sítio onde o corpo foi enterrado, numa quinta na cidade de Moloacán, a cerca de 20 quilómetros de Nanchital.
A investigação apurou ainda que quatro polícias da cidade de Ixhuatlán del Sureste estiveram envolvidos no assassinato. Julio César “N”, Luis Enrique “N”, Juan Carlos “N” e Ismael “N” forneceram recursos, alimentos e apoio logístico ao grupo criminoso e foram também detidos.
Não são conhecidas as motivações que levaram ao sequestro e morte da jornalista, que fundou e editava o site de notícias locais Pulso Informativo del Sureste desde janeiro. “Mais do que as suas conquistas, o que verdadeiramente a definiu foi a sua imensa humanidade. A Roxa possuía a rara virtude de ouvir com o coração, de se comover perante a injustiça e de estender a mão com uma profunda empatia“, diz a nota de pesar nesta sexta-feira publicada pelo jornal.
Roxana já tinha solicitado proteção à Comissão Estadual de Atenção e Proteção aos Jornalistas de Veracruz, instituição à qual denunciou ter sido assediada por um funcionário público da região, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O México é um dos países com a maior concentração de meios de comunicação social do mundo, mas é também classificado pela RSF como “uma das nações mais perigosas e mortais para os jornalistas”. Roxana é a terceira jornalista assassinada no país em 2026. Os outros dois profissionais mortos, Luis Ángel López Valdez (morto em 11 de junho) e Carlos Leonardo Ramírez Castro (morto em 8 de janeiro), também atuavam em Veracruz.