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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta terça-feira que “a iniciativa [da guerra] já não está nas mãos de Putin”, mas que, apesar de perder “30 mil soldados por mês”, o Presidente russo “não quer parar”.
“Pedimos todos os dias para pôr fim a esta guerra, pelo menos para negociar um cessar-fogo temporário e dar oportunidade aos diplomatas de negociar. Mas Putin não quer. É por isso que temos de responder, ser duros, ser fortes. Não apenas nós. Contamos com as sanções”, acrescentou o chefe de Estado ucraniano durante uma entrevista com a emissora Fox News.
Zelensky esteve em Washington para se reunir com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e assistir às cerimónias fúnebres do senador pró-ucraniano Lindsey Graham.
I paid my respects to the late Senator Lindsey Graham at a special memorial service in Washington D.C. It was only recently that we saw each other, and it is deeply symbolic that Senator Graham’s last trip abroad was to Kyiv. We talked about important things – continued support… pic.twitter.com/EyS2439DJv
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 29, 2026
O Presidente ucraniano garantiu ter obtido do seu homólogo norte-americano, durante o encontro na Casa Branca, as licenças para a coprodução de mísseis intercetores Patriot, vitais para a defesa antiaérea de Kiev.
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“Ele aceitou dar-nos as licenças e depois tive uma reunião com representantes do setor da produção, empresas militares muito importantes dos Estados Unidos”, disse. “Espero que possamos avançar para uma coprodução”, disse.
Por seu lado, Donald Trump afirmou na sua plataforma Truth Social que “correu muito bem” o encontro com o Presidente ucraniano.
Segundo a ONU, junho foi o mês mais mortífero para civis ucranianos desde abril de 2022, devido ao aumento de ataques russos com mísseis balísticos, mais difíceis de intercetar.
Apenas os sistemas Patriot norte-americanos conseguem abatê-los, mas a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de mísseis PAC-3, agravada pela guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.
A good meeting with President Trump @POTUS at the Oval Office. Thank you for everything we do together to protect the lives of Ukrainians and advance peace. First and foremost, I offered President Trump our condolences on the passing of Lindsey Graham. He was a true friend of… pic.twitter.com/56yoaeqb2B
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 28, 2026
Um alto responsável ucraniano disse à agência France-Presse que Moscovo pretende intensificar os ataques, com o envio de novos lançadores balísticos para junto da fronteira e aguardando em agosto entregas adicionais provenientes da Coreia do Norte.
“É crucial que Washington autorize a compra de um lote de mísseis Patriot”, acrescentou a fonte não identificada, admitindo que “muito dependerá do humor do Presidente Trump”.
I met with the team of the Lockheed Martin defense company – one of the strongest enterprises in the United States, with which we have been cooperating for a long time. Lockheed Martin is the company that produces ATACMS, HIMARS, F-16s, and missiles for Patriot systems.
Today,… pic.twitter.com/PAoBBzKMZN
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 28, 2026
Só em julho, Moscovo lançou 120 mísseis balísticos e antinavio de alta velocidade contra a Ucrânia, dos quais apenas 35 foram intercetados, segundo a Força Aérea ucraniana. Em comparação, a Rússia disparou entre 250 e 320 mísseis balísticos em todo o ano de 2024.
Zelensky afirmou ainda que a reunião de terça-feira foi também ocasião para falar de “diplomacia”, e que é “importante que o processo diplomático seja revivificado” para pôr fim ao conflito, escreveu na rede social X.
During a meeting with Alexander Stubb @alexstubb, we exchanged details of our meetings in the United States and discussed the current prospects in diplomacy. Clearly, Russia is suffering heavy losses on the battlefield, while the situation in its economy is also becoming more… pic.twitter.com/4GJluxgrKU
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 28, 2026
As relações entre Zelensky e Trump foram durante muito tempo tensas. Desde o regresso ao poder, Trump reduziu significativamente as entregas diretas de armas a Kiev, preferindo o programa PURL, que permite aos europeus comprar armamento e transferi-lo para a Ucrânia.
Em fevereiro de 2025, os dois presidentes chegaram mesmo a discutir em frente às câmaras no Salão Oval, com Trump a acusar Zelensky de ingratidão e de “brincar com a Terceira Guerra Mundial”.
Nas últimas semanas, porém, o Presidente norte-americano tem adotado uma postura mais conciliatória, chegando a elogiar Zelensky considerando publicamente que está a fazer “um trabalho formidável”.
Após a reunião na Casa Branca, Zelensky dirigiu-se ao Senado para incentivar a adoção de novas sanções contra a Rússia, medidas que Trump terá apoiado. O Senado fez avançar um projeto na noite de terça-feira, que deverá agora ser votado em definitivo antes de seguir para a Câmara dos Representantes.
As relações entre Moscovo e Washington deterioraram-se nos últimos meses, mostrando-se significativamente distantes do clima de aparente entendimento resultante do encontro entre Putin e Trump no Alasca, em agosto de 2025.
Na semana passada, em Manila, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, advertiu o homólogo norte-americano, Marco Rubio, contra a continuação das entregas de armas à Ucrânia.
[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]