Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a atualidade política
O vereador do Chega na Câmara de Odemira, Manuel Matias, exigiu esta quinta-feira a presença de toda a vereação numa eventual reunião entre o executivo municipal e Luís Neves sobre as obras na propriedade do ministro.
Num comunicado enviado à agência Lusa, Manuel Matias esclareceu que a decisão foi tomada após o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ter anunciado, na quarta-feira, que “iria solicitar uma reunião de urgência” com a Câmara de Odemira, no distrito de Beja.
Em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna assegurou que não sabia que a sua propriedade no Alentejo, com um tanque transformado em piscina, se situa em área protegida e revelou que já tinha pedido à autarquia uma reunião para regularizar a situação.
Os 12 disparos de Luís Neves para se defender: o fogo amigo, os tiros nos pés e os alvos falhados
Na nota divulgada esta quinta-feira, Manuel Matias considerou “completamente inaceitável” que o presidente da câmara, Hélder Guerreiro (PS) “tenha recusado a realização de uma reunião extraordinária e urgente”, solicitada anteriormente pelo partido, e que possa vir a “aceitar um pedido idêntico do cidadão Luís Neves”.
“O que é recusado ao vereador do Chega não pode ser concedido por privilégio ao cidadão Luís Neves”, argumentou.
No comunicado, Manuel Matias recordou que, na última reunião do executivo municipal, na passada quinta-feira, o vice-presidente, Ricardo Cardoso, em substituição do presidente da câmara, afirmou que “este processo seria tratado como qualquer outro“, sem “tratamento de exceção”.
Alegando que deve ser “respeitado esse princípio de igualdade e transparência”, o autarca solicitou que a reunião com Luís Neves, a ocorrer, “decorra na presença de toda a vereação” da Câmara de Odemira, composta por eleitos do PS, AD (coligação PSD/CDS-PP), CDU (coligação PCP/PEV) e Chega.
No entender do partido, só desta forma se garante “que todos os eleitos tenham acesso à mesma informação e possam acompanhar um processo que é de evidente interesse público”.
“A transparência não pode depender da condição política ou do cargo de quem solicita uma reunião. As regras devem ser iguais para todos“, sustentou.
O partido esclareceu ainda que esta posição “não prejudica nem substitui o requerimento” apresentado, na semana passada, “para obter toda a informação relativa a este processo”, cuja resposta continua a aguardar por parte do executivo municipal.
O jornal Nascer do Sol noticiou, ao longo das últimas três semanas, que o antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ) construiu num monte (quinta) no concelho de Odemira, integrado em área de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, uma piscina, inicialmente classificada por Luís Neves como um tanque, sem licenciamento.
Na quarta-feira, Luís Neves defendeu, exibindo na conferência de imprensa uma fotografia antiga da propriedade, que a construção inicial era um “tanque acima do solo”, que “depois acabou por ser transformado em piscina”, obra para a qual admitiu não ter pedido licenciamento.
O governante acrescentou que desconhecia que a propriedade está situada em área protegida.
“Com humildade, já solicitei à Câmara Municipal de Odemira uma reunião com caráter de urgência para esclarecer e regularizar a situação. Se algo tiver de ser regularizado, será”, afirmou, no Ministério da Administração Interna, em Lisboa.
A obra foi feita pela Construbarcelos, uma empresa que realizou várias empreitadas em edifícios da PJ enquanto o ministro foi diretor nacional desta instituição, entre junho de 2018 e fevereiro de 2026.