Notícia atualizada às 22:27 de 1 de agosto.

A Elite Exped, empresa cofundada por Nirmal Purja, confirmou que o famoso alpinista nepalês está entre as dez pessoas que morreram quando foram apanhadas por uma avalanche no Broad Peak, no Paquistão, esta quinta-feira. O primeiro-ministro nepalês também já confirmou a morte de todos os membros da expedição.

“É com profunda tristeza e imensa dor que confirmamos que Nirmal ‘Nimsdai’ Purja perdeu tragicamente a vida na sequência da avalanche no Broad Peak. Recebemos também a confirmação de que, infelizmente, os outros membros da expedição não sobreviveram”, lê-se na publicação feita nas redes sociais pela Elite Exped.

A morte de Purja e dos restantes alpinistas também já foi confirmada pelo primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, que afirmou nas suas redes sociais oficiais que “a trágica morte de seis nepaleses e de outros quatro alpinistas estrangeiros, incluindo o detentor do recorde mundial Nirmal Purja, na cordilheira do Karakoram, no Paquistão, chocou-nos”. “A história da sua coragem, dedicação e contribuições continuará sempre a ser uma fonte de inspiração”, acrescentou.

Purja e as outras nove pessoas que faziam parte da expedição estavam desaparecidas desde quinta-feira, quando foram atingidas por uma avalanche no Broad Peak, com 8.051 metros (26.414 pés) de altitude, a 12.ª montanha mais alta do mundo. Localizada na cordilheira do Karakoram, é considerada uma das mais complicadas e desafiantes subidas do globo.

O grupo de dez alpinistas era composto por seis nepaleses — Nirmal Purja, Pur Bahadur Gurung, Kili Pemba Sherpa, Nima Sherpa, Nawang Thindu Sherpa e Gyalu Sherpa —, pela norte-americana Mallory Geis, pelo paquistanês Sohail Sakhi, pelo chinês Wang Zhong e por Nadhira Ahmed Abdullah Al Harthy (a primeira mulher de Omã a subir o Monte Evereste), avançou a BBC esta sexta-feira, com base num comunicado do Clube Alpino do Paquistão.

Após os primeiros esforços de busca, já tinham sido identificadas três vítimas mortais esta sexta-feira: Nadhira Ahmed Abdullah Al Harthy, Pur Bahadur Gurung e Mallory Geis. Entretanto, os restantes corpos foram detetados este sábado, adiantou o Clube Alpino do Paquistão, numa área “extremamente difícil e perigosa” para as equipas de socorro. “Caso se torne mais fácil recuperá-los, assim se fará. Caso contrário, as autoridades decidirão que medidas tomar”, afirmou o presidente do Clube Alpino do Paquistão, Irfan Arshad, em declarações à EFE.

Sajid Hussain, vice-diretor do departamento de turismo da região de Gilgit-Baltistão, onde se encontra o Broad Peak, prestou declarações similares à agência Reuters, confirmando que os corpos foram detetados com recurso a drones e que a operação de resgate continua a decorrer. “As equipas de resgate conseguiram identificar a localização das vítimas; no entanto, ainda não conseguiram recuperá-las e trazê-las de volta em segurança”, admitiu.

O Clube Alpino do Paquistão começou por receber relatos “profundamente preocupantes de uma avalanche que atingiu um grupo de alpinistas”, na quinta-feira, no Broad Peak, na cordilheira de Karakoram, disse em comunicado citado pela BBC. O grupo não voltou a entrar em contacto com o clube após a avalanche, acrescenta o vice-presidente do clube, Karrar Haidri, na mesma nota.

Em 2024, o Governo do Nepal tornou obrigatório o uso de GPS para alpinistas que fossem escalar o Monte Evereste. A comunidade alpinista costuma utilizar este tipo de aparelhos quando vai escalar os maiores picos. A informação do sistema de GPS pode auxiliar para além das operações de busca, permitindo perceber o que aconteceu nos momentos após a avalanche ter atingido o Broad Peak.

O mentor dos dez alpinistas apanhados pela avalanche, Samson Sharaf, partilhou informações relativas à localização das duas únicas mulheres na expedição com um site de montanhismo, o Climbing. A norte-americana Mallory Geis desceu uma altitude de 543 metros e Nadhira Al Harthy desceu 1.651 metros, segundo os dados avançados por Sharaf.

O departamento de Turismo do Nepal afirmou, num comunicado citado pela BBC, que pediu à sua embaixada em Islamabad para coordenar as equipas de busca e salvamento juntamente com o Governo do Paquistão. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China também intercedeu, dizendo estar a trabalhar com a maior rapidez possível para verificar os detalhes da situação a envolver Wang Zhong. O Ministério acrescentou que poderá disponibilizar ajuda, de acordo com as necessidades paquistanesas.

Nims fez história ao escalar os 14 picos mais altos do mundo

Nirmal Purja, também conhecido como Nims, nasceu no Nepal e fez história no alpinismo em 2019, ao escalar todos os 14 picos mais altos do mundo com mais de 8.000 metros em pouco mais de seis meses (entre abril e outubro de 2019), batendo o anterior recorde de Kim Chang-ho, de 2013. A história do seu feito é relatada num documentário da Netflix, chamado 14 Picos: Nada é impossível.

Purja juntou-se ao exército britânico em 2003, onde serviu 16 anos e tornou-se fuzileiro em 2009. Serviu na Brigada Gurkha e no Serviço Especial de Barcos (Special Boat Service), uma unidade de elite da Marinha do país. Foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico em 2018, pelos seus serviços militares e conquistas no montanhismo.

Dada essa passagem de Purja pelas forças armadas do Reino Unido, o ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, também já reagiu, classificando o incidente como “extremamente triste”. “Era um homem inspirador que serviu nas nossas Forças Armadas durante muitos anos — e cujas incríveis aventuras de alpinismo são conhecidas em todo o mundo. As minhas condolências a todos aqueles que estão de luto”, escreveu na rede social X.

Em 2012, Purja realizou um trilho até ao Acampamento Base do Everest, começando a sua carreira no montanhismo. No site da fundação Nimsdai, que criou para ajudar comunidades das montanhas do Nepal, descreve esta experiência como a origem da sua paixão pelo montanhismo.

Na última publicação de Purja no X, antes da expedição, lê-se que o plano original não seria escalar o Broad Peak. Na mesma publicação declarou que não dava por garantida nenhuma montanha e que esperava conseguir uma excursão “segura”.

Texto editado por Dulce Neto