O Chega defendeu, esta quinta-feira, que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “perdeu por completo o controlo da situação” relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
“Só num governo muito disfuncional e desequilibrado é que uma ministra da Justiça pode ordenar uma investigação/auditoria ao trabalho de um colega que se mantém em funções e isso ser visto como normal ou regular. Não é, nem nunca poderia ser, mas evidencia como o primeiro-ministro Luís Montenegro perdeu por completo o controlo da situação”, pode ler-se num comunicado.
O Ministério da Justiça (MJ) liderado por Rita Alarcão Júdice ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna.
O Chega referiu ainda desconhecer o objetivo do governo com a auditoria, questionando se pretende “condicionar uma futura comissão de inquérito parlamentar ou até anulá-la”. “Mas uma averiguação do governo não pode de maneira nenhuma substituir uma investigação parlamentar independente, sobretudo num caso gravíssimo como este”, pode ler-se.
O Chega já formalizou requerimento para que o Parlamento constitua uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e este ano.
Numa nota de imprensa assinada pela direção nacional e pelo “governo sombra”, o Chega insistiu na saída de Luís Neves do Governo e sublinhou que os alegados novos dados conhecidos esta quinta “transportam esta realidade para um novo patamar de absoluta incompatibilidade ética”. “As suspeitas de contratação favorecida, pelo atual ministro da Administração Interna, à ConstruBarcelos ou à empresa a ela associada, expõem um novo emaranhado a que o primeiro-ministro não poderá ficar indiferente”, reiterou.
O Chega salientou ainda que “o envolvimento, também hoje conhecido, do diretor financeiro da PJ, que teria também autorizado o polémico e ilegal transporte do atrelado com produtos químicos para a produção de estupefacientes, é mais uma machadada na reputação” desta polícia. “Esta teia de cumplicidades coloca em crise a credibilidade e a integridade de um governo que, se nada fizer, se torna cúmplice da situação”, frisou.
Numa notícia divulgada esta quinta pela TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol, é referido que a Construbarcelos, empresa do empreiteiro e amigo de Luís Neves, terá também realizado obras na casa de Álvaro Pires, diretor financeiro da PJ.
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