Os ciclistas são, muitas vezes, os parentes pobres da segurança rodoviária, pois são facilmente surpreendidos pelo trânsito que os apanha pela traseira, correndo igualmente riscos pelo que acontece à sua frente. Daí que a Volkswagen tenha decidido reforçar a tecnologia ao serviço dos que se deslocam em veículos de duas rodas a pedais, recorrendo a soluções habituais apenas em automóveis topo de gama, como radares, câmaras traseiras e até soluções nunca utilizadas em veículos de quatro rodas, que somente se podem encontrar em aviões de caça.
A VW há muito que se movimenta no mundo das bicicletas, propondo diferentes tipos de modelos, a começar pelas BTT e modelos de velocidade, a pedais ou com assistência eléctrica, com a gama a prolongar-se até pelos Cargo com três rodas e caixa para o transporte de objectos à frente. Mas se estes modelos mais simples foram desenvolvidos em colaboração com a ABT e produzidos na fábrica dos veículos comerciais em Hanôver, para conceber as bicicletas eléctricas com radar, câmaras e óculos especiais, que vêem para onde o condutor olha, o construtor alemão recorreu aos norte-americanos da n+, um especialista capaz de incluir numa bicicleta alguma da tecnologia que somente se encontra nos melhores automóveis.
A pedido da VW, a n+ não tentou incorporar nas bicicletas baterias com maior capacidade, para aumentar a autonomia, ou motores mais possantes para uma utilização mais dinâmica, uma vez que as preocupações do construtor germânico se centram na segurança dos utilizadores deste tipo de veículos. Os novos equipamentos destinam-se, sobretudo, a defender os utilizadores no complexo trânsito das grandes cidades, onde a partilha do mesmo espaço entre bicicletas, automóveis e veículos pesados raramente favorece os primeiros.
As novas bicicletas produzidas pela n+ para a VW começam por possuir uma tira de LED branca ao longo do quadro que as torna mais visíveis para peões e automobilistas. Esta mesma luz passa a vermelho quando o ciclista trava, e pisca em alaranjado quando quem está ao guiador pretende virar, revelando as intenções de quem conduz ainda antes de o movimento se iniciar.
Mais impressionante é a câmara traseira, reforçada pelo radar e associada a um ecrã instalado no guiador, que avisa sobre o tráfego que se aproxima, evitando que o ciclista tenha de tentar virar a cabeça para trás para ver quem vem lá. Este virar a cabeça para trás habitualmente surge com um “preço”, pois obriga a descurar o que se passa à frente, o que só por si acarreta riscos adicionais.
Mas é provável que o sistema mais sofisticado sejam os óculos que seguem os olhos do condutor, similares aos que os pilotos dos aviões de caça mais modernos utilizam. Só que, em vez de apontarem as metralhadoras para onde o olhar está virado, o que apontam é a luz frontal. Estes óculos inteligentes vêm em conjunto com um capacete específico, mas é nas lentes dos primeiros que são projectadas as imagens do sistema de navegação, os alertas de trânsito e todas as informações de que o ciclista necessita.