O grupo parlamentar do PS Madeira pediu esta quinta-feira esclarecimentos à Secretaria Regional da Educação sobre as necessidades de professores neste ano letivo e pretende saber qual o planeamento para os próximos cinco anos.
Em comunicado, o PS indica que entregou um pedido de informações na Assembleia Legislativa da Região, questionando sobre “as necessidades de pessoal docente no ano letivo de 2026/2027, as colocações e contratações realizadas, as carências existentes nas escolas e o planeamento para os próximos cinco anos”.
“Os socialistas acompanham com preocupação os alertas dos professores e querem saber quantos horários continuam por preencher, quantos docentes ficaram sem colocação e qual o impacto das opções tomadas pela Secretaria Regional da Educação nas escolas”, é salientado na nota.
O partido diz que têm surgido informações contraditórias, apontando que, por um lado, “a secretaria regional afirma que as necessidades de docentes comunicadas pelas escolas se encontram supridas” e, por outro, “continuam a surgir reservas de recrutamento e ofertas públicas de emprego, enquanto professores e organizações sindicais relatam situações de docentes sem colocação e dificuldades concretas no funcionamento das escolas”.
O grupo parlamentar do PS, o segundo maior partido da oposição, acrescenta que acompanha “com preocupação os relatos relativos a professores dos quadros que não obtiveram colocação e as sucessivas alterações na sua situação profissional”.
“Para os socialistas, o início de cada ano letivo não deve ser marcado pela incerteza dos docentes nem pela necessidade de encontrar sucessivamente soluções para necessidades que devem ser antecipadamente identificadas”, reforçam.
O pedido de informação entregue no Parlamento insular abrange também o “planeamento para os próximos cinco anos, considerando aposentações previsíveis, grupos de recrutamento em risco de carência, formação de novos professores, articulação com a Universidade da Madeira e medidas destinadas a atrair, fixar e fazer regressar docentes à região”.
O PS considera fundamental que o Governo Regional (PSD/CDS-PP) “responda de forma objetiva e documentada, permitindo perceber se as necessidades estão efetivamente satisfeitas, como foram satisfeitas e se a região está preparada para responder às necessidades docentes dos próximos anos”.
“A questão não é apenas saber quantos professores foram contratados. É perceber se as escolas têm os recursos de que necessitam, se os docentes têm estabilidade e se o governo está a planear atempadamente as necessidades dos próximos anos”, reforça a deputada Sancha Campanella, citada na nota.
O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) classificou como “desastre” o processo de colocação de docentes para o ano letivo 2026/2027, considerando que o número de contratados — 216 — é insuficiente.
Sindicato classifica como “desastre” o processo de colocação de professores na Madeira
“Nós denunciamos o desastre destas colocações, as piores desde 2014”, afirmou o coordenador do sindicato, Francisco Oliveira, na segunda-feira, defendendo que nenhum professor deve ficar desempregado ou enfrentar uma situação laboral pior do que a que teve no ano letivo anterior.
O sindicalista falava em conferência de imprensa, no Funchal, na qual abordou vários problemas relacionados com o arranque do novo ano letivo na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente o processo de colocação de professores.
“No ano passado foram contratados mais de 400 professores, este ano apenas 216”, disse, avisando que, entretanto, saíram mais de 200 docentes do sistema: 150 por aposentação e 57 por colocação no continente.
No entender do sindicato, que realizou uma manifestação na quarta-feira junto à Secretaria da Educação, seria necessário contratar pelo menos 500 professores.
Professores em protesto no Funchal expressam revolta pelo processo de colocação de professores