As autoridades filipinas começaram esta sexta-feira as buscas no interior do ferry June Aster, que se incendiou há dois dias, quando fazia a ligação entre Manila e o destino turístico de Coron. As operações para localizar as 84 pessoas ainda desaparecidas começaram logo na noite de quarta-feira, dia em que o fogo deflagrou, com enormes dificuldades agravadas pelas correntes fortes. No total, foram resgatadas com sucesso 43 pessoas e já foram confirmadas cinco mortes.
Cinco mortos e 86 desaparecidos após incêndio em ferry boat nas Filipinas
O fogo no navio que transportava 134 pessoas, 17 das quais tripulantes, deflagrou cerca das 18h45 locais (11h45 em Portugal), quando o June Aster navegava ao largo da ilha de Coron, que se situa no norte da província de Palawan, no extremo oeste do país. Apesar das investigações em curso para apurar a origem das chamas ainda não terem chegado a nenhuma conclusão, a BBC avança que, segundo vários passageiros, o incêndio começou no compartimento destinado ao armazenamento de cargas, na sequência de uma explosão.
Imagens divulgadas pela guarda-costeira filipina na manhã desta sexta-feira mostram o ferry envolto numa nuvem de fumo, não sendo visíveis quaisquer chamas. As condições da embarcação dificultaram a entrada das autoridades.
“O maior desafio para nós é mesmo entrar no navio, [já que] persiste uma nuvem de fumo visível e espessa [no seu entorno]”, admitiu a porta-voz da guarda-costeira, Noemie Cayabyab, à BBC. “Não importa que queiramos entrar, as temperaturas elevadas e o fumo tóxico continuam a colocar riscos severos ao nosso pessoal“. A concentração elevada de monóxido de carbono nos destroços é o principal obstáculo ao sucesso das buscas junto ao June Aster.
O número de desaparecidos inicialmente divulgado, que apontava para 86 pessoas, foi corrigido pelas autoridades após apurarem que duas pessoas que constavam na lista de passageiros não tinham chegado a embarcar. Dos 43 sobreviventes resgatados, vários recebem cuidados médicos, ainda que este número não seja conhecido. Na sequência do incidente, sabe-se que sete pessoas foram encaminhadas para o hospital de Culion, numa ilha vizinha, que dispõe de cuidados de saúde mais abrangentes. Os restantes receberam assistência no centro de evacuação de Barangay Turda, próximo de Coron.
À medida que as operações de busca continuam sem sucesso — desde quarta-feira que o número de pessoas resgatadas permanece inalterado — a guarda-costeira decidiu expandir a área de intervenção, auxiliada por mergulhadores, pessoal médico e ainda a vigilância aérea das águas circundantes. Na página de Facebook do órgão de proteção civil multiplicam-se os comentários de apoio às iniciativas das autoridades e pedidos de ajuda por parte daqueles que procuram familiares e amigos que estavam no June Aster durante o desastre.