1230,7kWh poupados 1230,7 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Na sexta-feira, o candidato esteve no Porto, reunido com jovens, empresários e empreendedores.
i

▲Na sexta-feira, o candidato esteve no Porto, reunido com jovens, empresários e empreendedores.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Na sexta-feira, o candidato esteve no Porto, reunido com jovens, empresários e empreendedores.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Candidato do bloco e da caneta. Seguro arranca suave e em estilo pré-presidência aberta

Candidato com agenda menos intensa e feita de encontros com especialistas, a dar a ideia de já estar com um pé em Belém. Situação internacional e corrupção entram no discurso para ficar.

“Qual é a pressa?” A pergunta ao estilo Seguro 2013 surge agora no próprio círculo mais próximo do candidato Seguro 2026 perante a questão de quando (e se) regressa em força à estrada eleitoral. Não há necessidade de acelerações, nem de demonstrações de força como na primeira volta. O tempo parece ser o de preparar o cargo de Presidente da República ou de, pelo menos, dar a imagem de um candidato já quase lá.

A vitória em primeiro lugar, no dia 18, foi para lá das expectativas da candidatura de António José Seguro e, com ela, veio a convicção de que Belém pode estar a um passo. É só não cometer erros, ser comedido nas intervenções e não entrar em combate com o adversário — que está à vontade nessa zona de confronto. Na verdade, a receita foi aquela que António José Seguro procurou aplicar à campanha da primeira volta e que agora se prepara para repetir mas, ao que tudo indica, com uma agenda menos intensa.

▲ Na sexta-feira, a ouvir empreendedores, empresários e jovens na Universidade do Porto.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quase uma semana e meia depois da noite eleitoral, a caravana do candidato apoiado pelo PS e, agora também, por um vasto campo “não-socialista” ainda não partiu para a rua. A candidatura tem apontado o dedo sobretudo às condições meteorológicas, para o justificar, mas o que é certo é que o candidato tem agora preferido reuniões mais focadas em temas concretos, com especialistas de cada uma das áreas, numa espécie de pré-presidência aberta. E esta segunda-feira até já com recados diretos enviados para o Parlamento (sobre a lei do lóbi) e para o Governo (sobre os investimentos na Defesa).

Dois dias depois da vitória, vestiu o fato (muitas vezes com gravata, ao contrário da primeira semana) e reuniu-se longamente com profissionais da área da saúde numa USF em Odivelas; quinta-feira seguinte esteve também muito tempo reunido com especialistas em política internacional, em Lisboa; na sexta-feira conversou com empreendedores, empresários e jovens estudantes na Faculdade de Economia do Porto; no sábado reuniu-se com bombeiros e polícias no Centro de Gestão Integrada da Proteção Civil do Porto (e teve o apoio e presença do autarca do PSD Pedro Duarte); na segunda-feira reuniu-se durante quase duas horas, em Lisboa, com representantes de associações de combate à corrupção.

Não houve uma entrevista (quando o adversário deu quatro) e só foi aceite um único debate com André Ventura (foi Seguro que recusou dois outros, um nas rádios e um segundo proposto pelas televisões). Na terça-feira estará totalmente dedicado à preparação do debate na noite e só tenciona “ir para a rua” na quarta-feira, conforme disse esta segunda-feira quando questionado pelos jornalistas. A abordagem do terreno, até aqui, mudou radicalmente face à primeira volta de almoços ou jantares-comícios, comícios, contactos com a população e essa necessidade de mostrar capacidade de mobilizar eleitores. Depois da vitória tem sido mais encontros, a maior parte das vezes à porta fechada, com especialistas, de bloco e caneta na mão e, no final, declarações aos jornalistas.

Há receio com a abstenção e atenção à necessidade de carregar no apelo ao voto mas, até aqui, prevaleceu a intenção do candidato começar a dar a ideia de uma preparação em curso para o cargo de Presidente. E, com isso, passar a imagem de alguém que já tem a mão na cadeira de Belém.

▲ Em declarações aos jornalistas, no final da reunião com especialistas na área da Saúde.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Marcação a Ventura?

As preocupações que vão centrando Seguro nesta fase são sobretudo a defesa e a segurança e também a corrupção. Não assume que este foco em temas que, nos últimos anos, foram muito povoados por André Ventura seja uma marcação de território ao seu adversário na segunda volta. O que é certo é que foram temas mais laterais na campanha para o primeiro turno e agora apareceram logo nos primeiros dias da corrida a dois — e com o candidato bem mais incisivo do que tinha sido até aqui com os destinatários das mensagens.

Os dois exemplos claros disto surgiram esta segunda-feira. Depois de se reunir com vários representantes de associações de combate à corrupção, Seguro falou com os jornalistas para vincar que esta é uma “causa de vida” e que tem trabalho feito nesta matéria, nomeadamente quando “se avançou verdadeiramente para uma lei de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais que garantisse doses de transparência.” Mas o candidato que passou a primeira volta a dizer que se chegar a Belém não será um Presidente que envia recados, já começou a enviá-los.

O primeiro foi diretamente para o Parlamento, pedindo que “crie rapidamente as condições para que todos os lobistas se possam inscrever e para que haja transparência nas relações entre quem defende legitimamente interesses e quem defende o interesse público” — isto a propósito da promulgação, esta segunda-feira, da lei do lóbi.

O segundo teve o Governo como destinatário. Quando ainda falava sobre a corrupção, Seguro avisou que, se for eleito, seguirá “com muita atenção os investimentos que vão ser feitos na área da defesa, de 5,8 mil milhões de euros”. Seguro considerou que, em matéria de corrupção, “o problema não está na lei, está nos meios que as instituições têm para fazer essa prevenção e esse combate à corrupção” e, nesta área concreta dos futuros negócios na defesa, disse que os “planos anti-corrupção, planos de prevenção são indispensáveis para que se criem condições para que exista concorrência, imparcialidade, neutralidade” — notando que a União Europeia dispensou estes investimentos das regras de contratação pública.

▲ No domingo, o candidato visitou um centro social no distrito de Leiria.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Na última quinta-feira, quando saiu de uma longa reunião com os especialistas na área da política internacional, Seguro vinha com ar grave, a dar sinal de um peso que é diferente nesta segunda volta e também de que pretende usar nesta fase da campanha. Só receia, como admitiu esta segunda-feira e depois de uma sondagem que lhe dá larga vantagem nesta segunda volta, triunfalismos: “Ainda ontem ouvi uma pessoa dizer-me isto está ganho. Não, não está ganho, as sondagens não ganham nada, quem ganha são os portugueses que vão votar e que vão escolher.” Um apelo em que vai apertar nos próximos dias, até porque já cunhou como objetivo “reforçar a legitimidade eleitoral” da sua candidatura na segunda volta.

Há ainda outro receio: que os apoios que chegam à sua candidatura possam afunilar (na elite política de sempre) em vez de a alargar. Confrontado com esse risco, o candidato disparou: “A mim ninguém me captura, eu sou um homem livre, vivo sem amarras, não fiz e não farei nenhum acordo com quem quer que seja.” Tem reagido aos recém-chegados quase sempre da mesma forma e sem os diferenciar — “fiquei feliz”, diz sempre, seja perante o apoio do antigo Presidente da República, Cavaco Silva, seja sobre o do seu ex-adversário Marques Mendes.

“Vejo que a minha candidatura já está a ser um pouco a expressão daquilo que eu quero que seja a minha presidência, que é uma candidatura inclusiva, onde as pessoas que têm pensamentos ideológicos diferentes reconhecem que sou o garante do nosso chão comum, da nossa Constituição, da nossa democracia.” Dos apoios vai tirando apenas a parte que lhe convém, para o imediato e para o futuro que procura.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.