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Jerónimo ataca sondagens e deixa críticas ao PS (que já se ouvia ao fundo da rua de Santa Catarina, no Porto)

O cortejo da CDU foi o primeiro a percorrer a rua de Santa Catarina, no Porto, esta quinta-feira. No fim, Jerónimo de Sousa deixou críticas ao PS, com Pedro Marques a poucos metros, na mesma rua.

Artigo em atualização ao longo do dia

Poucos metros separavam esta tarde algumas centenas de apoiantes da CDU de outros tantos do PS. Os primeiros na praça de Liberdade, no fundo da Avenida dos Aliados; os segundos na praça da Batalha. As duas campanhas preparavam-se para percorrer a rua de Santa Catarina, na baixa do Porto, com meia hora de diferença — que não foi suficiente para que o cortejo do PS não se cruzasse com a equipa da CDU, que ainda desmontava o palanque onde, minutos antes, Jerónimo de Sousa e João Ferreira haviam discursado com duras críticas precisamente ao PS que já se ouvia ao fundo da rua.

O primeiro dos dois foi João Ferreira, que começou por criticar quem diz que a campanha da coligação “só andava em concelhos comunistas”. “Pois terão de dizer que hoje o Porto se pintou com as cores da CDU. Está aqui mais um bastião da CDU”, afirmou o cabeça-de-lista da coligação às europeias, antes de voltar a lembrar que “nestas eleições o que está em causa é eleger 21 deputados” — e que a escolha que está agora “nas mãos de cada português” é entre os deputados do PS e da direita (que, diz, defendem os interesses da União Europeia) e os da CDU, únicos que, sustenta, defendem os interesses de Portugal.

O discurso, com poucas novidades, abriu a porta ao discurso de Jerónimo de Sousa, que deixou duras críticas a António Costa. “Ficámos surpreendidos por ouvir o atual primeiro-ministro dizer que a CDU é uma força de protesto”, que o é “lá na União Europeia e aqui não é bem assim”, assinalou Jerónimo de Sousa, apontando para a contradição socialista entre o reconhecer dos contributos da CDU em Portugal e o facto de continuar “a dizer que somos uma voz de protesto”.

O secretário-geral do PCP afirmou, depois, que a CDU é, de facto, uma força de protesto quando se insurge contra a aceitação por parte do PS dos “ditames e constrangimentos da União Europeia”. E voltou a deixar a pergunta: “Recentemente, o primeiro-ministro dizia que o euro foi um bónus para a Alemanha. Um país pequeno tem de dar um bónus à Alemanha?” Para logo depois afirmar que se Costa quiser retirar esse bónus aos países grandes “pode contar com a CDU”.

Jerónimo ataca a “abundância de sondagens”

Antes, o secretário-geral do PCP havia criticado a “abundância de sondagens que, como de costume, lá favorecem uns e prejudicam os outros”. Mas “sondagens são sondagens, e o povo que vota não são as sondagens”, afirmou Jerónimo de Sousa, para logo criticar especialmente “uma sondagem que dizia esta coisa espantosa: foram consultados os jovens com menos de 24 anos, e nem um jovem votava na CDU”.

“Nem um jovem? Então e tu? E tu? E tu?”, perguntou Jerónimo de Sousa, apontando para vários jovens presentes esta tarde na rua de Santa Catarina, arrancando à multidão fortes gritos de “Juventude CDU, voto eu e votas tu”. “Então, não se admirem que desconfiemos das sondagens”, concluiu Jerónimo para, no fim do discurso, rematar com uma mensagem especial para os jovens: “Não deixem para os outros a vossa luta”.

CDU quer proibir entidades com trabalhadores precários de receber fundos europeus

De manhã, o arranque da curta passagem da caravana da CDU pelo norte não tinha feito grande história. A primeira iniciativa da campanha foi uma mini-arruada de 200 metros na Maia, seguida de um mini-discurso sem direito a sistema de som. Antes de repetir a fórmula, desta vez em versão low-cost, o candidato falou aos jornalistas para apresentar mais duas propostas da coligação e para responder, sem responder, aos duros ataques que António Costa desferiu à esquerda no comício de quarta-feira em Setúbal.

João Ferreira preferiu começar por lembrar as várias propostas (que se converteram em desafios à direita e ao PS) que já apresentou ao longo da campanha, nomeadamente na área do orçamento comunitário, da Política Agrícola Comum ou do ambiente, e de registar que no “curso da campanha, na sua maioria, estas propostas não têm tido resposta por parte de outras forças”. E não esqueceu o ataque de Costa: “Algumas delas até decidiram recentemente voltar baterias contra a CDU. Em todo o caso, vamos insistir neste caminho de proposta, que é também apelo a clarificações“.

E seguiu com duas propostas — ambas fundos estruturais. Neste quadro, a CDU quer que Portugal assuma, na negociação do próximo quadro financeiro plurianual, a necessidade de definir “envelopes nacionais” em áreas que atualmente não têm essa atribuição definida para o país: o ambiente, a ciência e a cultura.

João Ferreira explicou que os programas destas áreas são atribuídos “numa base competitiva”, ou seja, os países apresentam projetos e os vencedores são financiados. Mas o candidato quer que haja montantes mínimos definidos para o programa Life (ambiente), o programa-quadro de investigação (ciência) e o programa Europa Criativa (cultura) e destinados a Portugal. Esta definição de envelopes mínimos, defendeu João Ferreira, deveria ser condição “para que o país aceite o futuro quadro financeiro plurianual”.

O candidato esclareceu que quer “no mínimo duplicar os valores” que o país recebe nestas áreas e que o envelope mínimo seja definido tendo em conta os critérios de coesão — “necessariamente beneficiando em termos relativos os países com um PIB per capita abaixo da média da União Europeia”.

A CDU quer, em simultâneo, proibir qualquer “entidade pública ou privada em Portugal ou noutro país que tenha trabalhadores precários a assegurar necessidades permanentes” de aceder a fundos da União Europeia. Esta é, esclareceu o candidato, “uma medida simultaneamente de combate à precariedade e de melhor utilização dos fundos comunitários”.

Ataque de Costa “não nos vai desviar do nosso rumo”

Depois de na quarta-feira a campanha do PS ter deixado críticas ao PCP e ao Bloco de Esquerda — nomeadamente quando António Costa disse, em Setúbal, que os partidos ainda não aprenderam “que mais vale estarem comprometidos com uma solução de Governo do que se manterem arredados numa mera posição de protesto” —, João Ferreira insistiu que continua sem receber respostas aos desafios que lançou.

Sobre o orçamento comunitário, a PAC, as quotas e direitos de produção, o ambiente e alterações climáticas, “o PS nada disse”, explicou João Ferreira.

"O PS terá de responder por si quais são as intenções que subjazem a esse tipo de orientação que deu à sua campanha"
João Ferreira, cabeça-de-lista da CDU às eleições europeias

“O PS terá de responder por si quais são as intenções que subjazem a esse tipo de orientação que deu à sua campanha. Pela nossa parte, não podemos senão registar que o facto que temos vindo a assinalar, de que o PS no Parlamento Europeu, onde esteve livre de condicionamentos à sua esquerda, ter alinhado sempre com as forças da direita, não foi contrariado”, disse João Ferreira aos jornalistas.

Pedimos um, dois, três, quatro exemplos que desmentissem este alinhamento, até agora ainda não vieram esses exemplos, portanto é natural que isto cause algum incómodo. Mas é natural que esse incómodo se volte contra quem o causou. Isto não nos vai desviar do nosso rumo. Apresentar propostas concretas, prestar contas do nosso trabalho e fazer desafios de clarificações relativamente a temas importantes para o país. Era necessário que viessem essas clarificações antes das eleições, para saberem com que contam, e eram dispensáveis os ataques que foram feitos”, rematou.

Gondomar, um “bastião” comunista a norte?

Quando chegou a Gondomar para a segunda arruada do dia, depois de almoço, João Ferreira encontrou uma pequena multidão de apoiantes que lhe deu alento. Lembrando que a comunicação social tem retratado a campanha da CDU como passando sobretudo nas zonas onde a coligação tem mais força, João Ferreira disse aos jornalistas: “Aqui estamos numa zona que não é propriamente um bastião e a ser muito bem recebidos!

Quando voltou a ser questionado sobre os ataques de António Costa, o candidato da CDU insistiu na ideia de que ainda espera respostas aos desafios que tem enviado ao PS — e sublinhou que “ao contrário do que disse o secretário-geral do Partido Socialista” a CDU não é uma “força de protesto”. Os deputados do PS, afirmou, “estiveram lá [no Parlamento Europeu] e votaram alinhados com o seu grupo político, mas desalinhados com os interesses do país”.

Quem votou na CDU pode ter “consciência tranquila”, mas “o mesmo não se pode dizer do voto dado aos deputados do PS”, insistiu João Ferreira

O candidato, assumindo que não é um “comentador de sondagens”, voltou a dizer que não é um “mero espectador” da campanha e que o resultado está a ser construído. Por isso, a construção do resultado é a principal prioridade do candidato. Questionado sobre se o que quereria dizer a António Costa no contexto das relações entre o PCP e o PS, assinalou que isso “está muito longe do rol” das suas preocupações.

No final da pequena arruada, e desta vez já com direito a microfone, João Ferreira mostrou aos apoiantes que o tinham acompanhado alguma esperança no crescimento da força da CDU no norte. “Ou já nasceu ou está para nascer aqui em Gondomar outro bastião da CDU!“, rematou.

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