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epa10755180 An image of Chinese President Xi Jinping is displayed during an organized media tour at the Lilou Coal Mine in Heze, Shandong province, China, 19 July 2023. Members of the press visited the Lilou Coal Mine to view the first commercial application of artificial intelligence (AI) for the mining industry called the Pangu Mine Model. The AI model is capable of visual recognition capabilities, analyzing the quality of stress relief drilling, and can assist in rock burst prevention personnel in quality verification, reducing the review workload by 82 percent, shortening the check to 10 minutes from three days with 100 percent acceptance rate.  EPA/MARK R. CRISTINO
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▲Xi Jinping, o Presidente chinês, tem feito várias afirmações ligadas ao desenvolvimento da IA

MARK R. CRISTINO/EPA

▲Xi Jinping, o Presidente chinês, tem feito várias afirmações ligadas ao desenvolvimento da IA

MARK R. CRISTINO/EPA

China rejeita "Guerra Fria silenciosa da IA" com os EUA mas também teme "perda de controlo" da tecnologia

Pequim associa os pedidos de abrandamento na IA a uma “tática da Guerra Fria” para atingir a China. Mas também já colocou o cenário de “perda de controlo” na lista de riscos.

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Estão em polos opostos mas há pelo menos uma coisa em que a administração Trump e o governo chinês concordam: na rejeição aos pedidos de abrandamento nos avanços da inteligência artificial (IA).

“Está em curso uma conspiração doentia contra a IA e contra os centros de dados e a única parte que fica contente com isto é a China”, afirmou o Presidente dos EUA na Truth Social, esta segunda-feira. “Quem ganhar [a corrida para dominar] a IA vence”, afirmou. “O único controlo ou ‘salvaguardas’ de que a IA precisa é um Presidente forte e inteligente (com alto QI) e os EUA têm isso, ainda por cima”, escreveu Donald Trump, em reação às afirmações dos executivos da Anthropic, OpenAI e xAI feitas durante o fim de semana.

Na prática, foi uma repetição, já que este domingo Trump criticou as “forças negativas” que alertaram para o risco existencial da IA. Como, por exemplo, o ex-investigador da Anthropic, que na semana passada alertou o mundo para a possibilidade de a IA poder “matar-nos a todos até ao fim da década”. No aviso, Jacob Coxon também mencionou a China, afirmando que a Anthropic e a OpenAI não param por “medo” de que os EUA sejam ultrapassados por Pequim.

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O alerta de Coxon foi feito na passada terça-feira, mas só esta segunda é que Pequim reagiu, através de um editorial no Global Times. Na publicação do jornal estatal, os avisos vindos dos EUA foram descritos como uma “tática da Guerra Fria”. 

“Esta ‘Guerra Fria silenciosa da IA’ é hipócrita e míope”, declarou o governo chinês. Para Pequim, excluir a China da inovação global em matéria de IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controlo no desenvolvimento global da IA”.

No sábado, Dario Amodei, o CEO da Anthropic, falou sobre um “grave perigo para os EUA e o mundo” se houver uma “vantagem chinesa na IA”. Defendeu, por isso, restrições à venda de chips de IA potentes à China e o combate à “destilação não autorizada” de modelos de IA. Num relatório de segurança recente, a Anthropic detetou atividades do género na China — a destilação é uma forma de desenvolver modelos a partir dos rivais, poupando tempo e dinheiro. “Se aplicarmos bem estas medidas, acredito que irão abrandar o progresso da China o suficiente para alargar significativamente a vantagem dos Estados Unidos nos próximos três a cinco anos”, disse Amodei.

Sem surpresas, a China não está de acordo com os pedidos de Amodei, que Trump acusou de “estar a fingir ser um ‘anjinho perfeito'”. “É uma tentativa de travar o desenvolvimento de IA da China através de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington no domínio da tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governação da IA”, disse o governo chinês no editorial.

O desenvolvimento de IA foi tema da conferência de imprensa de Pequim esta segunda-feira. Citado pela Reuters, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, afirmou que “fomentar várias narrativas de ameaças, entrar em confronto e praticar uma concorrência desleal só irá perturbar o processo de governação global da inteligência artificial”, afirmando que tal “não é do interesse de nenhuma das partes”.

“Todas as partes devem colaborar para promover a IA de uma forma aberta, inclusiva, benéfica para todos e orientada para o bem comum.”

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Como é que o governo chinês vê os riscos da IA?

Tal como outros pontos do globo, também a China reconhece que a IA é um campo de batalha no que toca à geopolítica. Num artigo publicado no China Cyberspace, gerido pelo regulador Administração do Ciberespaço da China, Chen Yixin, ministro da Segurança Estatal chinês, descreveu a IA como “uma nova arena de rivalidade estratégica entre grandes poderes”, cita o South China Morning Post. 

Chen destacou a necessidade de haver barreiras de segurança nesta tecnologia e referiu riscos como a possibilidade de a IA “ser usada por forças hostis” para gerar desinformação, por exemplo.

▲ Pequim também coloca os riscos da IA na lista de ameaças

Bloomberg via Getty Images

Em relação aos EUA, Chen avisou sobre os riscos dos modelos de última geração desenvolvidos por empresas norte-americanas, como a OpenAI ou a Anthropic. Defendeu que modelos como o Mythos (Anthropic) ou o GPT-5.5 (OpenAI) podem representar riscos para a infraestrutura crítica chinesa. Um alerta depois de vários casos de agentes de IA que se organizaram, sem intervenção ou pedido humano, para atacarem empresas. O episódio mais conhecido diz respeito ao ataque à Hugging Face.

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Está longe de ser o primeiro alerta feito pelos reguladores chineses sobre os riscos da IA e do cenário de “perda de controlo”. A primeira vez em que a China falou sobre este risco foi em setembro de 2024, nota a Reuters, no guia da Administração do Ciberespaço da China.

O documento referia que não se podia excluir a possibilidade de que, no futuro, a IA pudesse “obter recursos externos de forma autónoma, replicar-se, desenvolver autoconsciência e procurar poder externo”, podendo até competir com os seres humanos pelo controlo.

Um ano depois, o alerta foi reforçado. Em setembro de 2025, foi incluído o cenário de risco sobre um “salto inesperado” significativo das capacidades da IA. E, diz a Reuters, também foi feita referência a um cenário possível de uma “IA fugir do controlo” — um fenómeno que vai ao encontro da ‘IA rebelde’ dos ataques feitos por agentes de forma autónoma.

A IA também já entrou nas mensagens políticas do Presidente chinês. Numa conferência em Xangai, em julho, dedicada à IA, Xi Jinping sublinhou que as autoridades devem aproveitar a “oportunidade histórica” da IA, mas com um alerta para a possibilidade de a tecnologia gerar “novas injustiças históricas”. Nessa ocasião, vincou ainda que a IA “deve permanecer sempre sob controlo humano”.

Empresários chineses da IA estão contra afirmações de rivais dos EUA

Uma das grandes questões sobre o abrandamento na IA é se as empresas da área estão dispostas a chegar a um acordo para pôr o pé no travão. Para já, os líderes da Anthropic, OpenAI e da xAI mostraram disponibilidade para isso. Também Satya Nadella, da Microsoft, uma das primeiras investidoras da OpenAI, declarou que “se a IA que criamos não estiver a ajudar a humanidade e não estiver sob controlo humano, não vale a pena prosseguir com o projeto”.

“Há um significado particular em ter os principais players que estão a desenvolver os modelos de fronteira a fazer este tipo de compromisso”, disse à Bloomberg Micah Hill-Smith, cofundador e CEO da empresa Artificial Analysis, que se dedica a estudar o mercado da IA. “Espero que haja mais concorrentes a juntarem-se, mas é relevante que vários players tenham assumido o compromisso este fim de semana.”

Mas também reconheceu que a corrida para liderar a IA “é mais competitiva agora do que em qualquer outro ponto da história”, notando que há muitas mais empresas em campo. Incluindo na China, onde existem gigantes como a Alibaba, Tencent, Baidu ou, mais recentemente, nomes como a DeepSeek ou a Moonshot.

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Na China, os apelos dos rivais norte-americanos foram recebidos com ceticismo, nota o jornal South China Morning Post. “Quem já dispõe de recursos pode dar-se ao luxo de fazer uma pausa. Quem ainda está a construir a sua carreira não pode”, afirmou o investigador Zhang Xuanming, que trabalha para a Alibaba, que é dona do jornal chinês.

“Quando tentamos acelerar, dizem-nos para abrandar? OMG… [oh meu Deus]”, comentou no X Lin Junyang, investigador que também já esteve ligado ao desenvolvimento dos modelos Qwen, da Alibaba. Pediu ainda aos executivos dos EUA para “pararem de fingir”.

Já Ronny He, engenheiro da MiniMax, outra empresa chinesa em destaque na IA, criticou a alteração de prioridades. “Ontem, a missão era a AGI [IA geral, que em teoria ultrapassará as capacidades humanas]. Hoje, dizem-nos para abrandar. Porque é que são sempre eles a definir o jogo – e a mudar as regras”, questionou.

epa12832573 Alibaba logo stands on their building in Xuhuibinjiiang Park, also known as 'AI Park,' home to many Chinese companies involved in AI (artificial intelligence) research, in Shanghai, China, 19 March 2026.  EPA/ALEX PLAVEVSKI

▲ A Alibaba tem diversos modelos de IA

ALEX PLAVEVSKI/EPA

Seria sequer possível um entendimento entre EUA e a China sobre a IA?

É expectável que a IA seja um dos temas do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump. Segundo o jornal South China Morning Post, tanto a China como os EUA estarão interessados em colocar o tema nos tópicos de discussão da reunião da próxima semana na Casa Branca.

Só que, para os especialistas que seguem de perto a relação entre China e os EUA, um entendimento entre os dois polos no que toca à IA é “quase impossível”. “No âmbito dos interesses fundamentais de segurança nacional de cada Estado, é muito, muito improvável que haja cooperação no sentido de avançar de forma mais gradual e segura no que diz respeito à IA”, disse à BBC Chang Jun Yan, professor assistente da Escola de Estudos Internacionais Rajaratnam, de Singapura.

Ainda assim, o facto de haver algum ponto de encontro entre os riscos de fronteira pode ser um sinal positivo, destacou Kenton Thibaut, investigadora sénior residente especializada na China no Atlantic Council, numa nota recente. “Há sinais claros de que Washington e Pequim partilham uma compreensão comum dos riscos de fronteira.”

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