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O Observador entrevistou a escritora, Cláudia Andrade, no Festival Internacional Literário de Óbidos, o FOLIO. Óbidos, 23 de Outubro de 2021 ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR
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Cláudia Andrade esteve em Óbidos para participar numa conversa sobre "a pertença a um lugar", no âmbito do festival literário FOLIO

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Cláudia Andrade esteve em Óbidos para participar numa conversa sobre "a pertença a um lugar", no âmbito do festival literário FOLIO

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Cláudia Andrade: "O mundo não está a conseguir enfiar a colher entre mim e a literatura, claramente"

Incapaz de escrever algo solar, Cláudia Andrade construiu no seu segundo romance, "Um Pouco de Cinza e de Glória", um retrato negro da humanidade. Conversámos com a escritora em Óbidos.

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Deu-se a conhecer a um público mais vasto com Quartos de Final e Outras Histórias (2019), mas foi com o primeiro romance, Caronte à Espera (2020), que arrancou os maiores elogios. Até então, Cláudia Andrade dizia-se contista. Agora, com o segundo romance publicado, Um Pouco de Cinza e de Glória, já não tem tanta certeza. Há dias em que se sente criadora de pequenas ficções, outros mais romancista. Atualmente a escrever o terceiro romance, já não tem certezas de nada.

Há, porém, uma coisa que é certa — escreve porque precisa de escrever, e isso dificilmente mudará. “Só sei que isto foi, por algum motivo, mesmo sem publicar, uma prioridade. Sempre precisei de escrever”, admitiu ao Observador em Óbidos, onde participou no festival literário FOLIO, explicando que essa vontade nasce da necessidade que tem de exorcizar “os demónios pessoais”.

Essa é uma das razões pelas quais os seus textos abordam sempre “temas negros”, como a morte e a violência, que voltam a surgir em Um Pouco de Cinza e de Glória, mas também porque são literariamente mais ricos. “O bem é menos interessante literariamente do que o mal. O bem é quase um valor negativo, literariamente e não só. O bem é quando e onde o mal não existe. É óbvio que ninguém gosta do mal, mas é ele que dá densidade às nossas histórias quotidianas, até”, disse ao Observador.

Quanto ao sucesso recentemente conseguido, Cláudia Andrade mostra-se uma saudável pessimista: “Não faço a mínima ideia se isto vai continuar ou não. Sei que vou continuar a escrever, porque me faz sentir bem, porque me dá um propósito”.

O novo romance de Cláudia Andrade foi publicado em setembro, pela Elsinore

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Neste novo romance, Um Pouco de Cinza e de Glória, volta a temas que já tinha abordado em obras anteriores, como a morte e a violência. O que é que a faz voltar?
Acho que são mais ricos, literariamente. E falando um bocadinho maniqueisticamente, o bem é menos interessante literariamente do que o mal. O bem é quase um valor negativo, literariamente e não só. O bem é quando e onde o mal não existe. É óbvio que ninguém gosta do mal, mas é ele que dá densidade às nossas histórias quotidianas, até. Quando estamos irritados, é quando temos algo para contar. Quando temos um dia absolutamente fantástico, dizemos apenas: “Tive um dia absolutamente fantástico”. Se temos um dia péssimo, então temos aí uma história que nunca mais acaba. Provavelmente não nos vamos calar com ela durante muitos anos. É por isso que sinto essa atração. E também porque entre os motivos pelos quais escrevo está a necessidade de exorcizar os meus demónios pessoais, que com certeza não vêm de nenhuma zona iluminada, pelo contrário. É por isso, é por essas duas coisas.

Geralmente evita-se falar do mal. O bem está lá sempre, é quase um dado adquirido. Aqui faz precisamente o contrário.
Neste livro há muitos vilões. Nem que seja um indivíduo contra si mesmo, mas há sempre um elemento pesado.

Todas as personagens são de alguma forma “inaptas”, para usar o termo da sinopse. São inaptas para a guerra, para as relações interpessoais, para o amor…
O denominador comum daquela gente toda é o Inimigo, com “i” maiúsculo.

Que é como um fantasma, uma presença que não se vê, mas que assombra aquelas pessoas.
Sim, é algo fantasmático, porque, na verdade, nem chega a entrar no tempo do livro. Depois há o inimigo que é o vizinho, que é o familiar; e o inimigo que é o eu próprio, que nem sequer se sabe que existe cá dentro. Fora isso, acho que se considerarmos esta gente como real, há ali sérios problemas transgeracionais [risos]. O que acontece muito frequentemente nas aldeias e em meios pequenos, isolados. [O livro fala sobre] esse inimigo interno que muito facilmente surge em determinados meios, acossado pelo fantasma de um inimigo externo. E o efeito acaba por ser terrível. Digamos que é um estudo sobre o que aconteceria se um grupo de pessoas com estas características se visse numa situação tão complicada.

"O bem é menos interessante literariamente do que o mal. O bem é quase um valor negativo, literariamente e não só. O bem é quando e onde o mal não existe. É óbvio que ninguém gosta do mal, mas é ele que dá densidade às nossas histórias quotidianas, até."
Cláudia Andrade, escritora

Escolheu a guerra, o tal fantasma que assombra toda a história, para poder levar as personagens ao limite? Porque é nos piores momentos que as pessoas revelam o melhor de si mas também o seu pior.
Exatamente. E embora por definição qualquer guerra seja bem definida no tempo e no espaço, entre potências também bem definidas, não tenho realmente interesse em estar a ficcionar sobre fatores históricos, políticos ou económicos. Então, não só a geografia não é muito clara, como o próprio tempo em que [o livro] é passado não é muito claro. Isso é propositado, porque qualquer guerra, desde as guerras de catapulta até às guerras de espadeirada, passando pelas guerras de tiros ou de bomba atómica, colocam da mesma forma a sobrevivência dos envolvidos em causa. O horror que as pessoas sentem e todos os fatores psicológicos, filosóficos e poéticos que a coisa literariamente pode trazer ao de cima, em princípio, são semelhantes.

É a psicologia que lhe interessa mais?
A psicologia, a filosofia, a poesia, mas ponho de fora qualquer coisa que retire o universalismo, ou pelo menos a tentativa de ser universal, porque não me interessa muito ficcionar esse aspeto.

Uma das formas como alcançou esse universalismo foi através do nome das personagens. Alguns são tipicamente portugueses, como Calisto ou Balbina, mas outros não parecem portugueses, como Fredo ou Muriel.
Poderão ser, poderão não ser. Pensei demoradamente [nisso] e queria nomes neutros, que servissem qualquer propósito, qualquer que fosse a geografia que resolvêssemos imaginar para aquela situação.

Ficamos mesmo na dúvida se este espaço em que a ação se passa, que faz lembrar o espaço rural português, será Portugal ou não.
Só se fosse um Portugal hipotético, porque a situação de guerra que surge é mais coisa de Balcãs. Mas isto pensando no mundo político que nós conhecemos exteriormente e que, mais uma vez, não interessa. A minha ficção não se preocupa com esses aspetos. Mas acho que, na realidade, não poderia ser um espaço rural português.

O Observador entrevistou a escritora, Cláudia Andrade, no Festival Internacional Literário de Óbidos, o FOLIO. Óbidos, 23 de Outubro de 2021 ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR O Observador entrevistou a escritora, Cláudia Andrade, no Festival Internacional Literário de Óbidos, o FOLIO. Óbidos, 23 de Outubro de 2021 ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Cláudia Andrade começou por escrever contos, mas os dois últimos livros que publicou são romances: "Caronte à Espera" e "Um Pouco de Cinza e de Glória"

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Disse que este livro está cheio de vilões, e a verdade é que pouco de bom acontece ao longo da ação. Pintou um quadro negro da humanidade. Concorda?
Concordo. Não há nenhuma luz que consiga vislumbrar. Mesmo quando parece que há, vem-se a demonstrar que não há.

É difícil não fazer um paralelismo com os tempos que vivemos, que são tempos negros e violentos, e a violência está muito presente aqui. Foi de alguma forma influenciada pelo que se passa no mundo?
Não particularmente, porque, lá está, o hoje político, económico, social, são temas que acabo por abordar só de forma indireta. Não era isso que tinha em mente, era mesmo as pessoas, as relações interpessoais, familiares. Obviamente que há relações familiares que não são totalmente neuróticas, que não são totalmente terríveis, mas também as há como as descrevo, aposto que piores ainda. Então porquê mostrar o lado negro em vez do lado solar? Para já, garanto que tenho muito pouco a ver com aquilo sobre o qual escolho escrever. O tema escolhe-me a mim. Sei que é um cliché que parece não significar nada, mas para mim funciona assim: há um assunto que me chama tremendamente a atenção, que faz “dinga-dinga-dinga” dentro da cabeça e vou atrás dele sem me perguntar por que raio é que faz. E é nesse sentido que digo que o assunto me escolhe. Senti-me atraída por este universo, que me surgiu de forma muito visível, quase esquemática. Pensei num pátio, em vizinhos em redor desse pátio, no que é que acontece no inimigo interior quando pressionado pelo inimigo exterior. Seria de pensar que as pessoas se unem mais contra o inimigo exterior. Isso até é usado politicamente muitas vezes — inventa-se um inimigo exterior para unir, cegar e manipular as pessoas, mas também me parece perfeitamente plausível que algo como isto aconteça. É um estudo sobre estas pessoas.

Até certo ponto poderíamos até pôr em causa a existência desse inimigo exterior.
Sim, até certo ponto. Depois no final confirmo a existência do inimigo, apenas para sublinhar o quão irracional seria naquele momento do tempo estar a temê-lo ou aquilo que aconteceria se entrasse [naquele território]. Mas é esse medo que é o catalisador de toda a desgraça, desgraça essa que já estava lá dentro; desgraça essa que só precisava de um motivo para detonar.

Deu-se a conhecer como contista e com Caronte à Espera disse que tentou escrever um conto maior.
Sim, foi.

"Não faço a mínima ideia se isto vai continuar ou não. Sei que vou continuar a escrever, porque me faz sentir bem, porque me dá um propósito e porque exorciza os tais demónios, que claramente tenho, senão punha-me a escrever algo mais solar."
Cláudia Andrade, escritora

Em Um Pouco de Cinza em Glória parece que houve uma nova aproximação ao universo do conto, pela sua estrutura, pelas pequenas histórias que o compõem. Se em Caronte à Espera quis escrever um conto maior, aqui podemos dizer que quis escrever um romance que se parecesse com um conto?
Quanto à questão de ser contista, já disse que sou, já me desdisse, depois voltei a dizer que era…

Há dias em que se sente contista e dias em que não se sente contista?
Sim, e já não sei muito bem responder a essa pergunta, porque, entretanto, também estou a escrever um romance que nada tem desta estrutura. É um romance que não é dividido em pequenas parcelas e penso que estou a conseguir fazê-lo e estou a gostar do que está a acontecer. E esse romance até começou provavelmente antes desse. Portanto, já não sei responder muito bem a isso. Neste caso, essa divisão é perfeitamente capaz de ter a ver com essa questão do conto, sim, mas também tem a ver com o facto de esta história não ter protagonista. E como todos eles são o protagonista, cada um não tem mais tempo de antena do que os outros, o narrador tenta ser democrático com o tempo que passa com cada um. Faz sentido que a história, para que seja apreendida e contada por quem lê, seja estanque até altura e que depois cada história comece de alguma maneira a extravasar e a intercruzar-se. Penso que faz sentido essa estrutura por causa da forma como o romance foi pensado.

A história encontra-a e escolhe a sua estrutura?
Sem dúvida. Não estou a ver como é que poderá não ser assim. Não quero falar dos métodos de outros escritores, mas não consigo imaginar como é que alguém toma essa decisão como quando alguém nos pergunta se queremos uma cerveja ou vinho. Não é esse tipo de decisão. Há que observar o que é que já foi feito, o que é que já foi escrito dentro daquilo que aconteceu e dentro da pessoa que começámos a construir, o que é que será real dizer ou fazer a seguir. Isto não é propriamente uma decisão, é mais uma descoberta. É tentar perceber de um leque de opções que nos ocorre o que é que é obrigatório para que funcione, para que seja real. “Decisão” é uma palavra que faz parecer que temos um grande controlo sobre aquilo que está a ser feito, e eu sinto que não tenho. Não consigo compreender quando alguém diz que tem. Consigo partir de uma imagem. Cheguei ao ponto de dizer: “OK, tenho aqui um pátio, tenho aqui umas casas e tenho aqui uns vizinhos e isto é uma história negra. Está a dar-me para aqui”. Mas a partir daqui não sei. Primeiro tenho de criar umas pessoas que falem sozinhas, que se mexam sozinhas e que criem relações interpessoais sozinhas. E ponho-me a observar e só dessa observação é que consigo adivinhar o que se vai passar a seguir.

O Observador entrevistou a escritora, Cláudia Andrade, no Festival Internacional Literário de Óbidos, o FOLIO. Óbidos, 23 de Outubro de 2021 ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR O Observador entrevistou a escritora, Cláudia Andrade, no Festival Internacional Literário de Óbidos, o FOLIO. Óbidos, 23 de Outubro de 2021 ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Cláudia Andrade prefere os "temas negros", como lhes chama, porque são literariamente mais interessantes. São também uma maneira de exorcizar os seus demónios

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Este é o primeiro livro que escreve para ser publicado.
Não sabia que ia ser publicado [risos]. Francamente não sabia. Tenho um saudável pessimismo relativamente a tudo isto. Não faço a mínima ideia se isto vai continuar ou não. Sei que vou continuar a escrever, porque me faz sentir bem, porque me dá um propósito e porque exorciza os tais demónios, que claramente tenho, senão punha-me a escrever algo mais solar.

Vê-se a fazer isso? A escrever algo solar?
Não me serve o tal propósito. Sempre escrevi para mim, nem percebo outra lógica. Mesmo que quisesse pôr-me a escrever para um público, ia sair uma banhada total. Era out of character.

Então não lhe pesa o facto de agora ter um acordo com uma editora?
Chateava-me dececionar o editor que acreditou em mim e, nesse sentido, sinto que agora tenho algum tipo de obrigação para com a pessoa que acreditou em mim, alertando-o sempre, calma aí, não sei se vai gostar ou não daquilo que vou escrever a seguir. Mas não fiquei de repente a acreditar que isto agora é sempre a abrir, até porque o meu ritmo é muito lento. Escrevo devagar, leio devagar, penso devagar. Sou preguiçosa, mesmo. Tenho que trabalhar para ter dinheiro no final do mês. Não é que tenha tempo para escrever, tenho, mas não sou uma pessoa que esteja sempre a correr de um lado para o outro. Preciso de tempo para fazer nada, para ficar contemplativa. Preciso de estar completamente desocupada durante bastante tempo para que estas coisas fluam dentro da minha cabeça. Não consigo produzir um livro só porque mo encomendam. Isso não funciona assim.

A escritora Tatiana Salem Levy, que falou na Tenda Vila Literária, disse que agora é mais difícil escrever do que há uns anos, porque é mais difícil para um escritor isolar-se e fugir da exposição que a carreira literária cada vez mais exige. Não sente isso?
O mundo não está a conseguir enfiar a colher entre mim e a literatura, claramente, porque comecei tão cedo que de maneira nenhuma que 40 anos depois de ter começado a escrever… [risos] Tenho 45, mas assim que comecei a escrever, comecei a escrever. Diários e assim. A minha infância convidava a este tipo de comportamento ensimesmado a bem da minha sobrevivência [risos]. Tive uma infância um bocadinho complicada. E… E o que é que eu estava a dizer? Qual era a pergunta?

"Preciso de tempo para fazer nada, para ficar contemplativa. Preciso de estar completamente desocupada durante bastante tempo para que estas coisas fluam dentro da minha cabeça. Não consigo produzir um livro só porque mo encomendam."
Cláudia Andrade, escritora

Se a exposição que a carreira literária cada vez mais exige aos escritores afeta a forma como escreve e essa calma de que diz necessitar.
Confesso que, para mim, é muito complicado estar numa situação como esta aqui no FOLIO. Não tanto em entrevista, mas estar a sentar-me numa mesa, eu que sou um bicho do mato, com alguém para debater um assunto que não sou eu que escolho, que me é posto, fico completamente à rasca. É a expressão. E penso que isso nunca vai mudar. Mas como isto é pontual, não é propriamente uma coisa que aconteça todas as semanas, parece-me justo fazê-lo, promover o livro, passar um mau bocado, tentar fazer o meu melhor e fazer figura de ursa, como fiz ainda há pouco tempo quando me foi posta uma pergunta que me deixou perfeitamente gagá.

Que pergunta foi essa?
Foi qualquer coisa sobre feminismo, sobre a condição feminina, que é sempre um tema que me deixa completamente gagá. Não sei o que para as mulheres é diferente na literatura ou não é. Não sou do meio literário. A única coisa que sei sobre mulheres que escrevem é que sou mulher e escrevo [risos]. Portanto, tendo em conta que sou mulher e escrevo, não percebo porque é que aquilo que escrevo ou a forma como ajo e as minhas personagens agem, pensam e falam, há-de se diferente. Se há algum tipo de dificuldade maior nas mulheres em publicarem, não faço a mínima ideia, porque recebi um telefonema da editora. Não fui eu que abordei a editora, foi a editora que me abordou a mim, portanto é difícil para mim achar que é difícil se nem me mexi. Então fiquei gagá. Não soube minimamente responder, então meti os pés pelas mãos, que é algo que me acontece frequentemente e já estou a fazer as pazes com isso. Ou seja, sou aquela pessoa que escreve mas não fala, que de vez em quando fica gagá e mete os pés pelas mãos. Desde que ponha isso ao peito, podia ser pior.

Mas quanto à pergunta que fez há bocado acerca do ritmo do mundo, preparei esta tranquilidade porque sempre escrevi. E como nunca aceitei não ter a tranquilidade para o fazer, construi a minha vida profissional, pessoal e tudo o mais tendo como um dos focos fundamentais não deixar de fazer isto que ajuda a equilibrar-me. E só por isso que consigo. Obviamente que se me metesse num daqueles empregos das nove às cinco, me pusesse a fazer filhos e aquelas coisas mais convencionais que as pessoas fazem sem se perguntarem muito bem quais são as prioridades, ou quando não as têm muito claras, é óbvio que também não iria conseguir. Só que isto foi, por algum motivo, mesmo sem publicar, uma prioridade. Sempre precisei de escrever.

O Observador viajou até Óbidos ao convite do FOLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos

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