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Passou apenas um mês desde que Elon Musk assumiu oficialmente a liderança do Departamento de Eficiência Governamental, o conhecido DOGE. O empresário foi nomeado por Donald Trump para cortar os “excessos” no orçamento do governo federal norte-americano e reduzir a burocracia, num órgão governamental que está envolto em polémica desde que foi anunciado. Por um lado, há críticas ao excesso de intervenção de Musk e a um possível conflito de interesses. Por outro, não é totalmente claro o papel real do empresário e dos seus aliados no DOGE.
No início da semana, a Casa Branca tentou clarificar, num processo judicial interposto por procuradores-gerais democratas, o papel de Musk. “Ele não é um funcionário do DOGE” e não tem “autoridade real ou formal para tomar decisões governamentais”, declarou. A reação do Presidente norte-americano chegou dois dias depois, contradizendo a Casa Branca e ficando do lado do seu aliado: “Assinei uma ordem [executiva] para criar o Departamento de Eficiência Governamental e coloquei um homem chamado Elon Musk no comando.”
Nos Estados Unidos existem críticas e protestos de quem considera que Elon Musk não foi eleito, atirando ao facto de estar a ter demasiado destaque nas ações do governo. Até já marcou presença na Sala Oval, numa declaração invulgar ao lado de Trump. Até agora, a relação entre os dois parece ser cada vez mais próxima. Mas também há proximidade nas escolhas que Elon Musk tem feito para o DOGE: só os aliados e pessoas do seu círculo de confiança parecem ter espaço nos trabalhos do departamento. Não é uma jogada invulgar para o empresário, que já a tinha aplicado quando comprou o Twitter, agora X, em 2022.
Nos dois casos, Musk rodeou-se de pessoas da sua confiança, a quem foi garantido um acesso significativo aos sistemas — a diferença é que o Twitter é uma empresa privada e, no DOGE, está em causa um acesso bem mais sensível a dados governamentais. Nesse círculo, segundo a imprensa norte-americana, até há pessoas ainda a estudar ou acabadas de sair da faculdade. Outra semelhança é o tipo de comunicação feita para forçar rescisões, gerando confusão e surpresa em quem recebe emails a pedir horas de trabalho “hardcore”.
▲ X AE A-XII, filho de Musk, acompanha frequentemente o pai em público
Aaron Schwartz / POOL/EPA
As semelhanças da postura adotada por Musk no X e no DOGE
Com a eleição do novo Presidente norte-americano, que fez com que ganhasse espaço no governo e se tornasse o principal rosto do DOGE, Musk não só começou a passar muito tempo em Washington, como tem regularmente a companhia do filho X AE A-XII, de quatro anos. O empresário tem 13 filhos, mas X AE A-XII, fruto da relação com a cantora Grimes, é quem mais o acompanha publicamente.
Durante as primeiras semanas após a compra do Twitter, a criança, na altura com dois anos, estava frequentemente na sede da rede social, em São Francisco. Os trabalhadores chegaram a improvisar camas para que pudesse dormir a sesta. X AE A-XII também foi presença constante durante a campanha de Donald Trump. Mais recentemente, numa conferência de imprensa pouco comum na Sala Oval da Casa Branca, roubou as atenções junto ao Presidente norte-americano e às cavalitas do pai.
A presença do menor nestas situações não será inocente. Katie Drummond, diretora editorial global da revista Wired, classifica este gesto como “calculado” e “intencional”. Em declarações à CNN considerou que se trata de uma atitude que “humaniza” o homem mais rico do mundo e lembrou que é uma imagem que agrada aos seus fãs: “Eles acham que isto é adorável.”
Mas as semelhanças entre a postura que Elon Musk adotou quando comprou o Twitter e aquela que tem agora no DOGE, mesmo que o seu papel seja contestado, vão muito além da presença do filho em atos públicos ou reuniões. Destaca-se, desde logo, o fim do teletrabalho com o regresso (obrigatório) aos escritórios. No final de janeiro, de acordo com a revista Wired, o gabinete de gestão da administração pública (o Office of Personnel Management) enviou um email aos funcionários públicos para informá-los de que deveriam voltar ao trabalho presencial, cinco dias por semana.
Elon Musk não é adepto do teletrabalho. Pouco depois de comprar o Twitter enviou um email aos funcionários para determinar o regresso ao escritório, proibindo o trabalho remoto — exceto em situações especiais que tinham de ser autorizadas pelo próprio. Foi uma mudança total de paradigma face à política adotada por Jack Dorsey, fundador da rede social e CEO até 2021, que devido à Covid-19 chegou mesmo a afirmar que os trabalhadores poderiam continuar a trabalhar a partir de casa “para sempre”. Ainda assim, deixou a porta aberta aos que quisessem regressar ao escritório quando o confinamento e outras restrições provocadas pela pandemia deixassem de existir.
A aversão ao teletrabalho e o aparente gosto por estar no escritório estendem-se ao próprio Elon Musk. Este mês, duas fontes republicanas próximas do empresário, que não são identificadas, avançaram à revista People que este estava a passar muito tempo no seu escritório governamental, incluindo a “dormir num sofá” e às vezes “no chão”. O escritório fica em Washington, perto da Casa Branca e do Presidente Donald Trump, no edifício Eisenhower Executive Office Building (EEOB), que tem “ótimas comodidades, incluindo uma cafetaria e uma pista de bowling”.
Uma das fontes disse que ficar no escritório não é algo inédito em Washington, uma vez que alguns membros da Câmara dos Representantes também “dormem nos seus gabinetes”. Já a outra fonte afirmou à mesma revista que Musk costuma ficar hospedado em Mar-a-Lago quando viaja com Trump para a Florida.
▲ Musk acabou com o teletrabalho no Twitter, agora X
NurPhoto via Getty Images
Ficar no escritório de uma empresa que detém não é novidade para Musk. Em entrevista à BBC, em abril de 2023, confessou que às vezes dormia no escritório do Twitter: “Há uma biblioteca onde ninguém vai no sétimo andar e há lá um sofá e às vezes durmo lá”. Anteriormente, já tinha admitido ter ficado temporariamente numa fábrica da Tesla, dormindo num sofá, por baixo da secretária (no chão) ou numa tenda no telhado.
Além do adeus ao teletrabalho, o olá a uma política de gastos zero. No final de janeiro, o departamento de gestão e orçamentos dos EUA, que abrange o DOGE, determinou que as “agências federais devem pausar temporariamente todas as atividades relacionadas às obrigações ou desembolso de toda a assistência financeira federal e outras atividades relevantes que possam estar implicadas em ordens executivas, incluindo, mas não se limitando a, assistência financeira para ajuda externa, organizações não governamentais, DEI [Diversidade, Equidade e Inclusão]”. Ou seja, trata-se de uma abordagem aos gastos conhecida como “orçamento base zero” em que, como o nome indica, o orçamento começa no zero e os funcionários têm de justificar de forma contínua todas as despesas em que incorrerem.
Esta é uma abordagem que não só agradará a Trump, que prometeu cortar nos gastos do governo dos EUA no seu regresso à Casa Branca, como a Musk, que a adotou no Twitter. Após comprar a rede social, o multimilionário tentou cortar as despesas e instruiu os diretores e respetivas equipas a partirem do princípio de que as despesas começavam no zero e que todos os gastos deveriam ser justificados.
▲ Trump defende papel de Musk no DOGE: "Coloquei um homem chamado Elon Musk no comando."
Getty Images
“Fork in the road”, o programa usado no DOGE… depois de aplicado no Twitter
Elon Musk deitou mãos ao trabalho no DOGE ainda antes da tomada de posse de Donald Trump, a 20 de janeiro. Segundo o New York Times, na semana anterior ao juramento do Presidente, o empresário e um grupo da sua confiança já estavam a delinear um plano a partir dos escritórios da SpaceX, em Washington D.C.
Nas suas empresas, o empresário sul-africano é obstinado a eliminar os gastos “supérfluos” e não esconde que quem está ao seu serviço tem de estar disposto a trabalhar de forma intensa, muitas horas por semana. Ou seja, ser “extremamente hardcore”. A expressão até deu título a um dos muitos livros escritos sobre a aquisição do Twitter, no fim de outubro de 2022.
Elon Musk e Twitter. Os capítulos de uma aquisição com contornos de novela
Ao comando do DOGE — embora a Casa Branca diga que não é bem assim — Musk apostou na eficiência ao ponto de reciclar alguns emails dos primeiros tempos do seu reinado na rede social. Pouco tempo depois de comprar o Twitter, enviou um email aos funcionários com o assunto “Fork in the road” (uma bifurcação na estrada, em tradução livre), em que só dava duas opções: ou mostram que são “extremamente hardcore” ou podem despedir-se, dando um prazo de apenas 24 horas. Uma semana depois de assumir o leme do DOGE (sozinho, depois de Vivek Ramaswamy abandonar o posto para se candidatar a governador do Ohio), enviou outro email “Fork in the road”. Só que, desta vez, aos mais de 2,2 milhões de trabalhadores do governo norte-americano.
Vivek Ramaswamy abandona cargo para tentar ser governador. DOGE fica reduzido a Musk
O email enviado a 28 de janeiro deixou os funcionários públicos em choque. A comunicação vinha do remetente OPM, a sigla para o gabinete de gestão da administração pública, e era direta: quem não concordasse com a semana de trabalho presencial e uma “cultura de excelência” podia aderir ao programa de rescisões até 6 de fevereiro, com a garantia de que continuaria a receber salário e benefícios, como o seguro de saúde, até setembro.
Nas entrelinhas, notou a Wired, estava implícito quem não aderisse ao programa poderia perder o posto de trabalho passado algum tempo. Até pela frase “os funcionários vão ser sujeitos a critérios melhorados de adequação e conduta à medida que avançamos”.
“A força de trabalho federal deve ser composta por trabalhadores que são fiáveis, leais, de confiança e que ambicionam a excelência no seu trabalho diário”, era possível ler no email, quando uma página no site do OPM oficializou a informação veiculada pela imprensa. Foi pedido aos trabalhadores que respondessem ao email com a palavra “demissão” no assunto da mensagem.
A fork in the road https://t.co/vzk1RYbM5u
— Elon Musk (@elonmusk) January 28, 2025
Uma página no site da gestão de pessoal dos funcionários públicos dos EUA ainda menciona o programa de rescisões. A ligação é simples: diz apenas “Fork”, mas já não tem o conteúdo da mensagem enviada aos funcionários públicos. Neste momento, anuncia apenas que “o programa de despedimento deferido está agora fechado” e que “qualquer demissão recebida após as 19h20 [00h20 na hora de Lisboa] de 12 de fevereiro de 2025 não vai ser aceite”.
O ultimato de Musk no DOGE é praticamente um decalque daquilo que aconteceu no Twitter. Na rede social, o agora famoso email traduziu-se na saída de pelo menos mil funcionários. É de realçar que esta foi a segunda ronda de despedimentos — a primeira ficou conhecida como “The Snap”, uma referência ao vilão Thanos, de Avengers, que apenas com um estalar de dedos conseguiu fazer desaparecer metade da população do universo.
E, tal como aconteceu no antigo Twitter, também este email enviado pelo líder do DOGE gerou muita confusão. De acordo com a Wired, os trabalhadores tiveram dúvidas a que nem sequer a equipa do DOGE conseguia responder. Elizabeth Holmes, um dos elementos do DOGE nomeados para gerir a questão dos recursos humanos, só conseguiu responder parcialmente às questões. Uma das dúvidas era se responder apenas “demissão” a um email era um acordo claro e legalmente aceitável.
Poucos dias depois, uma comunidade no Reddit tinha vários comentários sobre o email enviado aos funcionários públicos. Em alguns casos, a mensagem vinha acompanhada de um aviso. “Não confiem neste email, não há garantia de que vos paguem e provavelmente não o vão fazer”, citou a Wired. “Olhem o que aconteceu aos funcionários do Twitter.”
O círculo de confiança do X ao DOGE
Da velha guarda da SpaceX, que já tinha ajudado no Twitter após a aquisição, aos jovens que ainda nem saíram da faculdade, são várias as figuras que integram o círculo próximo de Elon Musk e que estão junto do homem mais rico do mundo no DOGE.
Steve Davis, um dos primeiros trabalhadores da SpaceX que supervisiona as contratações no DOGE
É um dos mais antigos aliados de Musk. Foi um dos primeiros trabalhadores da SpaceX, onde chegou em 2003 após terminar um mestrado em Física de Partículas e outro em Engenharia Aeroespacial na Universidade de Stanford. Ao longo dos anos ganhou uma reputação de ser um negociador implacável e um trabalhador incansável e tornou-se um especialista em cortar custos.
“Há anos que trabalha 16 horas por dia, todos os dias […] Faz mais do que 11 pessoas a trabalhar em conjunto”, afirmou um engenheiro da SpaceX ao falar sobre Davis em declarações ao jornalista Ashlee Vance para o livro intitulado Elon Musk, que foi publicado em 2015 e que é citado pela Bloomberg.
Desde 2016 que Steve Davis é o CEO da The Boring Company, uma startup de Musk especializada na construção de túneis, mas mantém-se discreto e opta por ficar fora dos holofotes. Em 2019, através de um porta-voz, recusou vários pedidos para ser entrevistado pela Bloomberg para um artigo sobre a empresa que lidera.
Quando Musk lhe pediu para ajudar no Twitter, após a aquisição da rede social , Davis passou a viver com a mulher, Nicole Hollander, e o primeiro filho de ambos, na altura recém-nascido, no escritório de São Francisco. O objetivo seria cortar nas despesas de alojamento, de acordo com o livro Character Limit: How Elon Musk Destroyed Twitter, de Kate Conger e Ryan Mac (“Limite de caracteres: Como Elon Musk destruiu o Twitter”, em tradução livre). Steve Davis foi o responsável pela criação do que ficou conhecido como “Twitter Hotel”: salas de reuniões de um dos pisos que foram adaptados para terem camas e espaços de descanso.
Segundo o The New York Times, que cita duas fontes anónimas, durante o tempo que passou no Twitter, Steve Davis instruiu os funcionários a adiarem o pagamento a vários fornecedores e a tentarem negociar determinadas despesas para valores mais baixos. Foram duas das estratégias que fizeram parte da política de corte de custos que foi adotada na rede social, com a concordância de Musk. Chegou a especular-se que ocuparia o cargo de CEO do Twitter, mas depois da chegada de Linda Yaccarino, que ainda se mantém na liderança, deixou os escritórios e voltou a focar-se na The Boring Company, sediada no Texas.
▲ Steve Davis é um dos mais antigos aliados de Musk e foi um dos primeiros trabalhadores da SpaceX. No DOGE ajuda e supervisiona a contratação de trabalhadores.
Bloomberg via Getty Images
Ainda antes de ser especialista em cortar custos, Steve Davis já dominava o multitasking. Por exemplo, enquanto fazia um doutoramento em Economia na Universidade George Mason, na Virgínia, trabalhava a tempo inteiro na SpaceX e ainda era dono de uma loja de gelados de iogurte, a Mr. Yogato. O estabelecimento, localizado em Washington, foi vendido em 2018 por apenas um dólar, mas com duas condições: o novo proprietário deveria manter um cartaz da SpaceX e dar gratuitamente a Davis, todas as semanas, boba tea. A revista Washingtonian indica que a loja fechou definitivamente devido à pandemia.
Além disso, Davis chegou a ser dono de um bar. No DOGE ajuda e supervisiona a contratação de trabalhadores.
Nicole Hollander: da pegada imobiliária do X aos serviços gerais administrativos dos EUA
A executiva de 42 anos é casada com Steve Davis, o que lhe permite um acesso ao círculo mais próximo de Musk — com tudo o que isso implica. Durante a transformação do Twitter em X, usou a experiência como gestora de ativos imobiliários na JBG Smith para reduzir os gastos da rede social com escritórios.
Segundo o livro Character Limit, quando Musk assumiu o Twitter, tinham 50 escritórios em mais de 30 cidades em todo o mundo, o que se traduzia em despesas de cerca de 130 milhões de dólares por ano só em rendas. O número deixava Musk à beira de um ataque de nervos, ainda mais considerando que muitos estavam vazios devido à política de teletrabalho. Hollander tratou não só de gerir esses montantes como também supervisionar os trabalhos de criação do “Twitter Hotel”.
▲ Nicole Hollander supervisionou os trabalhos de criação do “Twitter Hotel”.
JOHN G. MABANGLO/EPA
Primeiro, o trabalho no antigo Twitter parecia ser feito a título informal. Agora, segundo o perfil de LinkedIn, trabalha no X desde abril de 2023, apenas com a indicação de “funcionária”, sem qualquer indicação sobre funções ou mesmo a ligação ao DOGE.
Segundo a Wired, não tem uma função com um título oficial no DOGE, mas estará mais ligada aos serviços gerais administrativos. Numa das ocasiões, terá pedido acesso aos dados das aplicações do PBS, o serviço de edifícios públicos dos EUA, que detém e gere o espaço de escritório das agências governamentais.
Brian Bjelde, um veterano da SpaceX que ajudou nos despedimentos do Twitter
A par de Steve Davis, Brian Bjelde é um dos trabalhadores mais antigos da SpaceX. Ambos entraram para a empresa em 2003, mas Bjelde gaba-se de ter sido o 14.º funcionário da empresa de exploração espacial. Começou como engenheiro de aviação mas passou por várias funções na estrutura da empresa de Musk. Há dez anos assumiu as funções de vice-presidente de operações de recursos humanos.
O perfil de LinkedIn não faz qualquer menção às atuais funções no DOGE, mas segundo meios de comunicação como a Reuters ou a Wired, assumiu o cargo de conselheiro sénior da OPM, a entidade que enviou o tal email “Fork in the road”.
A lealdade de Bjelde a Musk levou o executivo a integrar a equipa de transição do Twitter em 2022. É um dos envolvidos no processo apresentado por ex-trabalhadores da rede social por faltas nos pagamentos das compensações de despedimento.
▲ Steve Davis e Brian Bjelde são dos trabalhadores mais antigos da SpaceX
CRISTOBAL HERRERA/EPA
Amanda Scales, da xAI aos recursos humanos do governo norte-americano
Com diplomas em Psicologia e Economia, pela Universidade da Califórnia, em Davis, integrou o departamento de “aquisição de talentos” da Uber durante mais de oito anos, entre 2014 e 2022. E teve uma passagem mais curta, de julho de 2022 a outubro de 2024, pelos recursos humanos da empresa de capital de risco Human Capital, cofundada pelo empresário Baris Akis, que segundo o The Washington Post é um aliado de Musk.
De seguida, no final do ano passado, Amanda Scales passou a fazer parte de um negócio detido pelo próprio Elon Musk, quando chegou à área de recrutamento da xAI, startup de inteligência artificial do multimilionário. Deixou o cargo em janeiro deste ano, de acordo com a sua página de LinkedIn, quando foi nomeada chefe de gabinete do departamento de gestão da administração pública norte-americana (o Office of Personnel Management). No fundo, os recursos humanos do governo.
Edward Coristine, o adolescente dispensado por alegada fuga de informação que passou pela Neuralink
Tem 19 anos e um currículo vasto para a idade. Dos empregos mais típicos de adolescente, como trabalhar no armazém da empresa de pipocas do pai ou ser orientador num campo de férias, às cinco empresas que fundou nos últimos quatro anos, Edward Coristine tornou-se num dos mais jovens aliados de Musk.
A ligação ao multimilionário começa com o nome de uma das empresas que fundou em 2021 e que ainda se encontra ativa: a Tesla.Sexy, uma firma que segundo a Wired controla dezenas de domínios web, incluindo pelo menos dois registados na Rússia.
Além de fundar os próprios negócios, também trabalhou por conta de outrem. Em 2022 estagiou na Path Network, uma empresa de segurança de dados que a mesma revista descreve como sendo conhecida por contratar “hackers de chapéu negro” reformados. Os hackers conhecidos como sendo “de chapéu negro” levam a cabo práticas como roubo de informações sensíveis e o pedido resgates por elas ou ataques a instituições bancárias. Coristine foi dispensado devido a acusações de que teria partilhado informações com uma empresa concorrente. “Isto é inaceitável e temos tolerância zero [para situações como esta]”, escreveu um executivo da empresa numa mensagem vista pela Bloomberg News.
Em resposta às alegações, Edward Coristine disse na plataforma Discord que não tinha feito “nada de contratualmente errado” enquanto estava na Path Network. Nessa altura, tinha uma grande presença online, nomeadamente no LinkedIn onde se autodenominava “big balls”, mas entretanto apagou essas páginas.
Em 2024 estagiou vários meses na Neuralink, empresa de implantes cerebrais de Elon Musk. Atualmente, além de ser estudante de Engenharia Mecânica e Física na Northeastern University (deverá licenciar-se em 2028), integra a equipa da Agência para a Cibersegurança e Segurança das Infraestruturas dos EUA, avançou a Wired esta semana.
Thomas Shedd, oito anos na Tesla e a liderança dos Serviços de Transformação Tecnológica
Formando em Engenharia Mecânica pela Universidade da Califórnia, em Davis, descreve-se no LinkedIn como um “interessado em tecnologia e software de automatização com impacto no mundo real” e um entusiasta por “grandes projetos com muitos problemas em ambientes estranhos”, nomeadamente “fábricas, governos ou caminhos de ferro”.
Thomas Shedd foi durante mais de oito anos engenheiro de software na Tesla, uma das empresas de Musk. Saiu no passado mês de janeiro para liderar o departamento de Serviços de Transformação Tecnológica, que faz parte da Administração de Serviços Gerais dos EUA.
▲ Thomas Shedd passou oito anos na Tesla
CAROLINE BREHMAN/EPA
Num email a apresentar-se aos trabalhadores, que é citado pela Wired, começou por notar que passou “toda” a sua carreira em Silicon Valley para depois salientar a necessidade de existir um trabalho em equipa para serem alcançados os objetivos, nomeadamente para a “aceleração da adoção da tecnologia em todas as agências [governamentais] para permitir grandes ganhos em eficiência”. Desta forma, reforçou o compromisso do governo norte-americano liderado por Trump em reduzir custos e maximizar a eficiência.
Ethan Shaotran, Harvard e o segundo lugar numa maratona de programação organizada pela xAI
Tem 22 anos, é natural da Califórnia e estuda Ciência da Computação na Universidade de Harvard. Ethan Shaotran diz que sempre gostou de “construir coisas” e começou a desenvolver aplicações para iPhone quando estava no ensino secundário. Uma delas foi, segundo o TechCrunch, um jogo de corrida temático de Donald Trump intitulado “Donald Dash”.
Já estava na faculdade quando teve a ideia de fundar uma startup, que recebeu o nome de Energize.AI, para criar um assistente de planeamento (com inteligência artificial). O conceito foi, disse ao Business Insider, inspirado “no que fazia na escola e no desafio que é coordenar todos os nossos compromissos”. No mesmo artigo, adiantou que a startup conta com o apoio da OpenAI, tendo recebido dessa empresa um financiamento de 100 mil dólares.
Ao Business Insider, Ethan Shaotran descreveu também os “malabarismos” que tem de fazer por ser um empresário-estudante: “Tenho quatro a cinco aulas por semestre e participo em reuniões com empresas e clientes. Passo cerca de 85 horas por semana a trabalhar na empresa, a maior parte das quais a escrever código.”
No ano passado, Ethan Shaotran participou e ficou em segundo lugar numa maratona de programação (uma hackathon) organizada pela xAI, startup de inteligência artificial de Musk. Foi a primeira vez que surgiu publicamente uma ligação entre o jovem e o multimilionário. Agora, integra o DOGE, não sendo conhecida ao certo a sua função.