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Terá sido no final da década de 80 ou no início dos anos 90 — Vítor Bento não se recorda ao certo. Um economista estrangeiro, de renome, aterrou no aeroporto de Lisboa e um pequeno grupo de pessoas foi buscá-lo de carro para o trazer para o centro da cidade. Seguiram para a baixa pela Avenida Almirante Reis (que une o Areeiro ao Martim Moniz) e, olhando pela janela, o economista (que nunca tinha vindo a Lisboa e sabia muito pouco sobre o país) perguntou a quem o acompanhava: “deixem-me adivinhar. Vocês, aqui, têm rendas congeladas e inflação elevada, certo?

Não sabemos se alguém lhe respondeu. Provavelmente, nem precisaria de resposta. Ao constatar o estado degradado das casas que conseguia ver pela janela do carro, em pleno coração da capital, o economista fez um diagnóstico sucinto, a partir da experiência de visitar (ou estudar) outros países e outras cidades. Casas em mau estado e “centros” desertos à noite e ao fim de semana são algumas das “consequências inesperadas” que frequentemente surgem quando, mesmo tendo “boas intenções”, se tomam medidas de intervenção no mercado de forma a combater fenómenos como a “especulação“.

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