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Ilustração: Ana Martingo/Observador

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Coronavírus. Que vírus é este que está a deixar o mundo em estado de alerta? /premium

Na China já houve 41 casos e uma morte. A OMS alertou para o vírus depois de ter sido detetado um caso na Tailândia. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde diz que não há motivo para alarme.

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41 casos confirmados, uma vítima mortal e 700 outras pessoas vigiadas. Um novo vírus desconhecido até há semanas, e que parecia confinado a uma zona no centro da China, fez soar os alarmes internacionais quando uma mulher foi foi identificada com a doença num aeroporto na Tailândia. Esta terça-feira o alerta tornou-se global, quando a organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para a possibilidade de “contágios em massa” e pediu a hospitais de todo o mundo para se prepararem. Depois de a comunidade científica chinesa ter identificado o genoma do vírus e percebido que estava perante uma nova estirpe de um coronavírus, as memórias e a experiência do que aconteceu em 2002, com o SARS (800 mortos) e em 2012 com o MERS (790 vítimas) levaram a todas estas precauções.

A doença misteriosa foi identificada em dezembro, em Wuhan, no centro da China. Os pacientes tinham em comum terem frequentado o mesmo mercado e apresentado os mesmos sintomas: dificuldades respiratórias que resultaram em pneumonias. Depois de uma morte e de semanas a investigar com que problema estaria a lidar, os cientistas chegaram à nova estirpe do coronavírus responsável e a OMS decidiu avisar todos os países para estarem atentos aos sintomas dos doentes que procurem assistência médica.

Em Portugal, contudo, a diretora-geral da Saúde contrariou esta quarta-feira as indicações da OMS e afirmou que, para já, não há motivo para “alarme”. Segundo Graça Freitas, que tem formação em infeciologia, o vírus está contido. Mas afinal que vírus é este, como se manifesta e como se trata?

O que são os coronavírus?

O coronavírus não é apenas um vírus, mas uma grande família de vírus que podem infetar seres humanos e causar doenças mais ou menos graves, como uma simples constipação, uma diarreia, ou complicações respiratórias mais graves que podem conduzir à morte. Nalguns casos, o vírus passa de animais para humanos, noutros pode ser transmitido apenas entre humanos.

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Segundo o professor Jaime Nina, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, “há uma dúzia de coronavírus que se sabe que infetam humanos” que vivem entre nós e que podem provocar “sintomas banais”. Até agora só duas estirpes se revelaram “catastróficas” provocando surtos, e galgando fronteiras, que acabaram em mortes.

Em 2002, foi detetada na China a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) que acabou por chegar, em 2003, aos Estados Unidos e ao Canadá com um registo total mais de 8 mil casos, 800 dos quais mortais. “Em crianças a incidência era mais baixa, ia aumentando conforme a idade. Metade das pessoas com mais de 60 anos que eram infetadas morriam”, explicou ao Observador o infeciologista, que lembra que o vírus atacava pessoas saudáveis e que levou “muito tempo a conter”.

Em dezembro, na China, depois de 41 pessoas terem sido assistidas com uma pneumonia em Wuhan, e de se ter verificado que todas elas tinham frequentado mercados naquela zona, as autoridades chinesas investigaram e perceberam que estes doentes tinham sido infetados com uma nova estirpe do coronavírus.

“Houve uma série de surtos em hospitais. Costumo dizer que foi uma sorte, porque os casos importados a partir da China aconteceram em países desenvolvidos ou em países que, mesmo sendo pobres, tinham uma estrutura rígida e impunham o isolamento ou a quarentena para impedir os contactos, como foi o caso do Vietname”, lembrou. “Se um destes viajantes tivesse ido para África ou para a Índia teria sido uma catástrofe”, disse.

A SARS foi transmitida de animais, neste caso de gatos selvagens, para humanos.

Quase uma década depois, em 2012, a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) foi detetada pela primeira vez em 2012 na Arábia Saudita, acabando também por passar fronteiras e chegando à Europa. Registaram-se 2.220 casos e 790 mortes. Hoje sabe-se que foi transmitida via camelos dromedários para humanos.

Se no caso da SARS se conseguiu eliminar a epidemia, no caso do MERS ainda se registam casos. Jaime Nina lembra o ano passado, quando um paciente chegou a Portugal, vindo da Arábia Saudita, com sintomas de gripe e disse que tinha estado numa corrida de camelos. Foi imediatamente isolado num quarto para se tomarem todas as medidas para que não se propagasse o vírus. “Este é mais difícil de conter porque naqueles países os camelos são como os cavalos para nós, e os seus donos não os abatem”, exemplificou.

Em dezembro, na China, depois de 41 pessoas terem sido assistidas com uma pneumonia em Wuhan, e de se ter verificado que todas elas tinham frequentado mercados naquela zona, as autoridades chinesas investigaram e perceberam que estes doentes tinham sido infetados com uma nova estirpe do coronavírus. Este sábado a comunidade científica identificou o seu genoma e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou todos os países, temendo contágios em massa e pedindo a hospitais de todo o mundo para se prepararem para surtos semelhantes aos de 2002 e 2012.

O último caso foi conhecido no domingo, quando uma mulher chegou à Tailândia vinda da China

EPA

Para Jaime Nina só dentro de um ano se perceberá a dimensão desta estirpe do vírus. No entanto há já sinais que mostram que possa não ser tão mortal quanto as outras. No caso do MERS, por exemplo, a sua capacidade de difusão foi enorme. O especialista deu o exemplo de um doente que há dois anos foi para a Arábia Saudita e depois para a Coreia do Sul. “No período de incubação foi ao hospital, provocou um surto, depois não gostou e foi para outro hospital e provocou outro surto, num total de 400 afetados, o que mostra como este vírus tem a capacidade de se espalhar”, lembrou ao Observador.

No caso concreto que agora está sob investigação científica na China, houve já uma vítima mortal, mas foi para já a única — e tinha já um quadro clínico delicado. Era uma pessoa doente que quando foi infetada por esta pneumonia acabou por morrer. Também a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse esta tarde de quarta-feira estar tranquila relativamente à disseminação deste novo vírus. “A contagiosidade de pessoa para pessoa deixa-nos tranquilos porque das pessoas que trataram os doentes na China até à data nenhum adoeceu, ao contrário da pneumonia atípica ou SARS, em 2003, em que os profissionais de saúde morreram muito e foram infetados”, disse aos jornalistas.

O South China Morning citou um professor do departamento de microbiologia e imunologia da Universidade do Texas, que explicou que a descrição dada pela China é “precisa”. “Este vírus não é o SARS-CoV e nem sequer está próximo dos seus padrões. Baseado numa investigação prévia, este vírus até é mais atenuado em termos de doença”, disse Vineet Menachery, explicando que a sequência do genoma analisado tem 73% de semelhanças com o SARS. “Nalguns pacientes mais velhos ou com outras doenças, o vírus pode danificar mais, mas está longe de ser problemático como a estirpe do SARS”, garantiu.

Autoridades admitem que vírus detetado na China possa ser transmissível entre humanos

No caso concreto que agora está sob investigação científica na China, houve já uma vítima mortal, mas foi para já a única -- e tinha já um quadro clínico delicado. Era uma pessoa doente que quando foi infetada por esta pneumonia acabou por morrer.

Porque é que a Organização Mundial de Saúde lançou este alarme?

Entre 31 de dezembro de 2019 e 11 de janeiro de 2020 foram reportados 59 casos de pneumonia cujos pacientes tinham algo em comum: frequentaram um mercado de peixe em Wuhan, China. As autoridades chinesas, após algumas investigações, sequenciaram o genoma e perceberam estar perante uma nova estirpe do coronavírus em 41 dos casos — entre eles um doente acabou mesmo por morrer, como já se disse.

Este domingo foi identificada uma viajante. Mal aterrou na Tailândia, com febre, também se verificou ter sido infetada por este novo vírus. A informação foi imediatamente passada à China e a Organização Mundial de Saúde entendeu emitir uma comunicação temendo estar perante um surto da doença semelhante ao que se propagou pelo mundo em 2002 e em 2012.

Esta mulher, no entanto, apesar de ter frequentado os mercados do centro de Wuhan, garante não ido ao mercado de peixe que todos os outros pacientes frequentaram e que levou ao seu encerramento por parte das autoridades. Um especialista em medicina respiratória da Universidade da China revelou que esta informação pode significar “que o vírus pode estar a alastrar para outras zonas de Wuhan”, afirmou David Hui Shu-cheong, citado pelo South China Morning.

O professor Jaime Nina lembra que, na China, os mercados de animais vivos para consumo doméstico são muito comuns. “Têm dezenas e dezenas de espécies de animais diferentes, incluindo alguns que não fazem parte da alimentação do europeu comum, como os morcegos”, lembrando que os morcegos (há 1220 espécies) foram os reservatórios do SARS e do MERS — que passaram para os humanos através de uma espécie intermediária, num caso o gato selvagem, noutro o camelo.

Na China, os mercados de animais vivos para consumo doméstico são muito comuns. "Têm dezenas e dezenas de espécies de animais diferentes, incluindo alguns que não fazem parte da alimentação do europeu comum, como os morcegos", lembrando que os morcegos (há 1220 espécies) foram os reservatórios do SARS e do MERS -- que passaram para os humanos através de uma espécie intermediária, num caso o gato selvagem, noutro o camelo.
Jaime Nina, infeciologista

A OMS, que para já diz que não há motivos para evitar viagens ou transações de animais com a China, anunciou que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, vai consultar o Comité de Emergência antes de tomar medidas.

A OMS emitiu ainda um comunicado e deu também a informação de que esta nova estirpe seria transmissível entre humanos através do contacto com a pessoa doente, seja no local de trabalho, em casa ou numa unidade médica. A possibilidade de ser transmitida entre humanos não foi confirmada pelas autoridades de saúde de Wuhan, no centro da China, mas uma declaração publicada no portal oficial, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan explicou que, embora não haja nenhum caso de contágio entre seres humanos comprovado, a possibilidade de ocorrência “limitada” não pode ser descartada.

Em Portugal, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desvalorizou estes avisos. “Não temos que estar alarmados. A Natureza é assim. Aparecem novos vírus e é preciso estarmos atentos”. Neste caso “já se sabe o genoma, está circunscrito à cidade onde ocorreu e há uma fraquíssima possibilidade de ele se transmitir de uma pessoa para a outra e a eventual propagação não é uma hipótese a ser considerada”, acrescentou.

Numa declaração publicada no portal oficial, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan explicou que, embora não haja nenhum caso de contágio entre seres humanos comprovado, a possibilidade de ocorrência “limitada” não pode ser descartada.

Graça Freitas considerou mesmo que o termo “contágio em massa” utilizado pela OMS foi “um termo excessivo” precisamente por ainda não haver evidência de que esta estirpe se transmite facilmente entre as pessoas. “Não é fácil que se dissemine entre a população humana, mas os hospitais em todo o mundo devem ter preparação, há uma rede que deve estar sempre preparada para aquilo que a natureza nos reservar”, acrescentou contudo.

A imagem do coronavírus, que ganhou este nome devido à sua forma que faz lembrar uma coroa

Universal Images Group via Getty

Quais são os sintomas da doença e o que se pode fazer para evitá-la?

Os sinais mais comuns de infeção incluem sintomas respiratórios, febre, tosse e dificuldades em respirar, o que muitas vezes se confunde com constipação ou gripe. Nos casos mais graves pode mesmo causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até morte, informou a OMS.

As autoridades chinesas falem apenas em pneumonia nos casos mais graves e em nenhuma das outras doenças.

A melhor forma de prevenir o contágio é lavar regularmente as mãos, tapar a boca e o nariz quando se tosse ou se espirra e cozinhar bem a carne e os ovos. Deve também evitar-se o contacto com as pessoas que apresentem os sintomas da doença.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, todos os profissionais de saúde que têm maior contacto com estes pacientes estão mais expostos por isso devem reforçar os cuidados a ter para não serem infetados. As próprias unidades médicas devem controlar o ambiente e o ar.

Já a Direção-Geral da Saúde portuguesa alerta todos aqueles que viajarem para a China e tiverem sintomas associados a doença respiratória que procurem imediatamente assistência médica. Ainda assim, dizem, não existem grandes perigos por agora e não há limites ou alertas extra para os viajantes.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desvalorizou os avisos da Organização Mundial de Saúde

JOSÉ COELHO/LUSA

Há alguma vacina para o coronavírus? E qual o tratamento?

Quando se descobre uma doença nova não há uma vacina para ela, é preciso tempo para a desenvolver. E isso pode demorar anos. Neste caso concreto não há um tratamento específico e cada doente infetado é tratado de acordo com a sua condição clínica.

Novo vírus misterioso. OMS alerta para contágios em massa e pede a hospitais de todo o mundo para se prepararem

A diretora-geral da Saúde nacional também lembra que não “há terapêutica para estes vírus, há terapêutica de suporte, para dar conforto ao doente”. Há que estar atento, no entanto, a infeções secundárias bacterianas ou à complicação devido a doenças que as pessoas possam ter, tal como quando se está com gripe. Aliás, lembra Jaime Nina, também uma gripe dita “normal” mata todos os anos pacientes mais idosos, já com outros problemas de saúde associados.

"Neste momento não há motivo para alarme ou para alerta, mas as autoridades, como a OMS, acompanham a emergência de um novo vírus com muito respeito porque podem sofrer mutações".
Diretora-geral da Saúde, Graça Freitas

Quais as recomendações da Organização Mundial de Saúde para todos os países? E o que está a ser feito em Portugal?

A OMS encorajou todos os países a reforçarem a sua atenção quando se depararem com pacientes com síndrome respiratória aguda grave e para terem atenção quando se depararem com padrões diferentes dos casos de SARI e pneumonia. Caso tenham suspeitas de que podem estar perante esta nova estirpe de Coronavírius, devem contactar a OMA.

“Estamos a preparar-nos para a hipótese de contágios em massa, pelo que estão a ser tomadas medidas de prevenção e controlo de infeções, para que os hospitais de todo o mundo apliquem e tenham a precaução habitual”, explicou a diretora interina da OMS, Maria Van Kerkhove, perante os casos já conhecidos.

Esta terça-feira, quando se soube do aviso da OMS, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desdramatizou, lembrando que antes de se poder chamar a esta informação da OMS um alerta tem que haver uma reunião do Comité de Emergência, o que ainda não aconteceu. Graça Freitas lembrou que por agora nenhum dos profissionais de saúde que tratou estas mais de 40 pessoas infectadas na China ficou doente, o que significa que “o risco é, neste momento, bastante baixo”. Graça Freitas garantiu que os hospitais portugueses estão preparados para estas emergências.

Segundo esta responsável, para já há uma linha de apoio da Direção-Geral da Saúde e outra do Serviço Nacional de Saúde disponíveis para médicos que detetem algum caso suspeito, embora “a probabilidade de vir um cidadão dessa cidade [onde está confinada a infeção] seja muita pequena”, ressalvou. “Neste momento não há motivo para alarme ou para alerta, mas as autoridades, como a OMS, acompanham a emergência de um novo vírus com muito respeito porque podem sofrer mutações”, explicou.

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