As autoridades de saúde de Wuhan, no centro da China, admitiram pela primeira vez esta quarta-feira a possibilidade de que a doença respiratória que matou uma pessoa e infetou 40 seja transmissível entre seres humanos.

Numa declaração publicada no portal oficial, a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan explicou que, embora não haja nenhum caso de contágio entre seres humanos comprovado, a possibilidade de ocorrência “limitada” não pode ser descartada.

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As autoridades locais sublinharam, no entanto, que “o risco de infeção entre humanos é baixo”.

Os casos de pneumonia viral alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, depois de uma investigação ter identificado a doença como um novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causam infeções respiratórias em seres humanos e animais e são transmitidos através da tosse, espirros ou contacto físico.

Alguns destes vírus resultam apenas numa constipação, enquanto outros podem gerar doenças respiratórias mais graves, como a pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou mais de oito mil pessoas em todo o mundo.

O alerta de disseminação do vírus foi dado depois de o primeiro caso detetado fora da China ter sido conhecido esta semana, o de um tailandês que visitou Wuhan.

As investigações sugeriram que a doença teve origem num mercado de mariscos situado nos subúrbios de Wuhan, cidade do centro da China e um importante centro de transporte doméstico e internacional.

Mais de 700 desses pessoas que mantiveram “contacto próximo” com os infetados estão a ser monitorizadas, além de pessoal médico que tratou inicialmente pacientes sem a proteção adequada. O período de quarentena e observação estabelecido pelas autoridades é de 14 dias, explicou a Comissão.

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Entre as 41 pessoas infetadas com a nova pneumonia viral, um homem de 61 anos de idade morreu na semana passada. Sete outras estão em estado crítico, disseram as autoridades de saúde de Wuhan.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou na terça-feira que medidas de prevenção e controlo da infeção foram implementadas em hospitais em todo o mundo, perante o surgimento do novo coronavírus e da possibilidade de uma epidemia.

Por enquanto, a OMS não emitiu alertas sobre visitas a Wuhan, nem estabeleceu uma comissão de emergência para esta doença.

Segundo um porta-voz da agência, os laboratórios chineses já sequenciaram o genoma do coronavírus e forneceram os dados à comunidade mundial de saúde para ajudar a diagnosticar possíveis casos fora do país.

Segundo a OMS, entre 14 e 15% dos casos de SARS terminam em morte, enquanto no caso da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), uma doença também causada por um coronavírus, o número aumenta para 35%.

Até o momento, os sintomas descritos para a pneumonia viral de Wuhan são febre e fadiga, acompanhados de tosse seca e, em muitos casos, falta de ar.