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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Diário de Lisboa. Teresa Leal Coelho em bairro degradado: "Todos veem, todos sabem que isto existe, mas ninguém faz nada"

Assunção Cristas esteve a responder a eleitores no Facebook. Fernando Medina dedicou o dia à educação. Robles também. Teresa Leal Coelho foi a um bairro muito degradado na Penha de França.

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Este é o primeiro dia oficial de campanha, depois de toda a campanha que os candidatos já fizeram. A líder do CDS Assunção Cristas, que na segunda-feira se dedicou ao trânsito, respondeu hoje a eleitores através do Facebook, dá uma passeio pela Avenida da Igreja e visita o Centro Kruz Abecassis. O socialista Fernando Medina — presidente da câmara – que escolheu um tema por dia, depois de ter estado focado na habitação, dedica a jornada desta terça-feira à educação e vai à escola Querubim Lapa. Um dia depois de ter apresentado o seu programa eleitoral, Teresa Leal Coelho, do PSD, tem uma ação em Benfica. Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda, passa pelo Bairro Madredeus, enquanto o comunista João Ferreira visita o Bairro do Condado.

Teresa Leal Coelho aposta em vilas “esquecidas” no centro de Lisboa. Com ou sem comunicação social?

A promessa: “Não abandonar idosos de 90 anos nestas condições.”

A frase: “Quando António Costa anunciou que iria constituir uma secretaria de Estado da Habitação, fiquei 24 horas a olhar para o telemóvel à espera que me ligasse para me convidar para ser secretária de Estado”, disse Teresa Leal Coelho, sugerindo que Costa e Medina só despertaram para o problema depois de a candidata do PSD ter definido essa prioridade.

Os afetos: Poucos ou nenhuns. Quem assumiu o comando da conversa em quase toda a visita foi o candidato à junta da Penha de França, Afonso Costa, que até admitiu que àquela hora, a meio da tarde, os moradores daquela vila degradada estariam a trabalhar.

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O que correu bem: O facto de nada ter corrido particularmente mal, como tem acontecido em quase todas as ações de campanha da candidata do PSD a Lisboa.

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Arnaldo Teixeira pensava que tinha 88 anos, mas no outro dia teve de olhar para o bilhete de identidade e alguém lhe disse que tinha 90. Não tem casa de banho em casa — “nunca teve” –, não tem ajuda de ninguém — “não há ninguém que me pergunte se estou bem ou se preciso de alguma coisa” –, vive sozinho e não paga renda há 30 anos, desde que o proprietário da sua casa improvisada morreu. Antes pagava 600 escudos, depois 300, hoje já nem paga. “Está tudo a cair”, diz. E não tem quem o ajude? “Não se vê ninguém, só vive ali um senhor velhote, e lá em baixo um rapaz, pouco mais”, conta aos jornalistas que acompanharam esta tarde uma visita de última hora da candidata do PSD à chamada Vila Janira, uma vila insalubre que é propriedade de privados mas onde vivem meia dúzia de pessoas “sem quaisquer condições”.

A vila fica paredes meias com a paróquia da Penha de França e paredes meias com a direção nacional da PSP. A junta de freguesia da Penha de França também é ali ao lado. “Todos veem, todos sabem que isto existe, mas ninguém faz nada”, diz o candidato do PSD à junta da Penha de França, Afonso Costa, que acompanhou Teresa Leal Coelho naquela visita improvisada, que não estava no programa disponibilizado à comunicação social.

O objetivo, explicou a candidata do PSD à câmara de Lisboa, era mostrar, “através da lente da comunicação social, a Lisboa esquecida e escondida” que a generalidade das pessoas desconhece. Teresa Leal Coelho admite que, inicialmente, a ida à Vila Janira não estava na agenda oficial (que se resumia à apresentação da candidatura do candidato social-democrata à junta de Benfica, ao final da tarde), mas que quis fazer a visita para “mostrar a todos as condições em que vivem algumas famílias”, bem ali nas traseiras de um “miradouro lindíssimo” no coração da cidade de Lisboa. O recenseamento dos bairros degradados e dos idosos abandonados tem sido feito pela candidatura do PSD “à margem da comunicação social”, explica a candidata, mas esta manhã Teresa Leal Coelho resolveu chamar os jornalistas.

A vila, contudo, não é propriedade da câmara, portanto, qual é a solução? Das duas uma, “a câmara pode intimar os proprietários a resolver a situação, ou pode tomar posse administrativa do terreno e fazer as melhorias necessárias para realojar as pessoas”, explica o candidato à junta. Quanto à candidata à câmara, questionada sobre como solucionaria o problema, responde que ” a solução era a câmara e a junta atuarem, resolverem o problema, ter uma qualquer intervenção que fosse em coordenação com os moradores”.

Neste que é o primeiro dia oficial de campanha (a lei dita que a campanha oficial compreende os 12 dias antes das eleições), Teresa Leal Coelho teve uma agenda pouco preenchida. A visita durou pouco mais de meia hora, e não teve qualquer aparato: a candidata apareceu apenas com quatro ou cinco membros da juventude partidária, com t-shirts cor-de-laranja, e com mais quatro ou cinco pessoas da comitiva. Sem alarido. Muito diferente do alarido que na véspera se fez ouvir no bairro social da Quinta do Cabrinha, local escolhido para a apresentação do programa eleitoral, onde a polícia teve de intervir para resolver uma rixa entre vizinhos e cujos ecos da discussão serviram de pano de fundo a todo o evento.

Medina tem 30 milhões para requalificar escolas

A promessa: alargar o programa Escola Nova e investir 30 milhões de euros na requalificação de cerca de 30 escolas de 2.º e 3º ciclo da cidade de Lisboa.

A frase: “Se tivesse sabido mais cedo que vinha essa gente toda tinha dado aqui um jeito para isto estar mais apresentável”, disse um funcionário da Escola Básica Mestre Querubim Lapa.

A queixa: “Os miúdos fazem aqui parkour [saltar muros, paredes e telhados], isto é um quebra-cabeças e isso preocupa-nos, temos de ser criativos e encontrar uma solução”, diz a Fernando Medina a diretora da Escola Básica Mestre Querubim Lapa, em Campolide.

Os afetos: Na visita a uma escola de primeiro ciclo do ensino básico, Medina jogou em casa. Algumas das crianças almoçavam quando o candidato socialista passou pelo refeitório e o autarca dedicou alguns minutos a brincadeiras.

José Gonçalves não esconde alguma frustração. “Se tivesse sabido mais cedo que vinha essa gente toda tinha dado aqui um jeito para isto estar mais apresentável”, diz o assistente operacional – assim indica a placa que traz ao peito – da Escola Básica Mestre Querubim Lapa, em Campolide. José está ao portão, junto à diretora da escola, à espera da chegada da comitiva de Fernando Medina. O autarca socialista reservou o primeiro dia oficial de campanha para falar do que fez e daquilo que pretende fazer no próximo mandato. O objetivo é requalificar mais escolas e melhorar a qualidade da alimentação dos mais novos. O programa começa com mais de meia hora de atraso.

“Lamento mas eu não recebi essa informação”, responde a diretora, Maria Jorge Figueiredo, quando questionada sobre o almoço com as crianças do primeiro ciclo para ponto alto da visita. O almoço fica para mais tarde. Começa a visita a uma instituição com cerca de 240 alunos e cara lavada, depois da intervenção ao abrigo do programa Escola Nova. “Os muros ficaram, as paredes estão cá mas isto estava num estado mesmo muito deplorável”, recorda a diretora, de passagem pela biblioteca onde as estantes ainda esperam pelos livros que hão de preencher as prateleiras. Pelo caminho, vai dando exemplos dos retoques que ficaram por dar nas novas instalações.

Medina pega no exemplo da Mestre Querubim Lapa e olha para a frente. A câmara quer aproveitar a experiência com o programa Escola Nova e alargá-lo às instituições de 2.º e 3º ciclo e, ainda, do ensino secundário. O projeto está a ser discutido com o Ministério da Educação, mas a ideia do presidente da Câmara de Lisboa passa por investir cerca de 30 milhões de euros na requalificação de 30 escolas do concelho, num modelo “em termos semelhantes ao que aconteceu com o Ministério da Saúde”. Fazem-se as obras agora, a autarquia paga a fatura e o Governo compromete-se a devolver essa verba ao longo de um determinado período. As requalificações de que o autarca fala abrangem “situações que oscilam entre escolas com intervenções pequenas e escolas com intervenções muito profundas, aliás ao nível de reconstrução total”.

Outro ponto central do programa que Medina leva às urnas dia 1 de outubro, e que foi transformado em “bandeira política” do socialista: a qualidade alimentar nas escolas da área de influência do município. “Levou-se longe demais a contratação externa”, desabafa o autarca, que quer dar às juntas de freguesia condições para que as refeições escolares possam ser preparadas nas próprias escolas e não trazidas de fora. Porque a alimentação “é uma área de grande importância para a melhoria da igualdade de oportunidades nas escolas de Lisboa”, defende.

Último ponto da visita: escola a tempo inteiro de forma alargada. “Deve ser uma responsabilidade nossa, uma responsabilidade do Estado, da câmara municipal de Lisboa assumir a escola a tempo inteiro” e, por isso, para os próximos quatro anos, Medina quer “assegurar que todas as crianças e jovens que estão na escola pública durante todo o horário de trabalho, de manhã até ao final da tarde” e “que tenham dentro da escola ou em associações perto da escola atividades complementares do estudo”. Além disso, defende que pais e crianças devem ter acesso a estes programas “gratuitamente”.

Pode ler aqui como foi ontem a campanha em Lisboa:

Teresa Leal Coelho: um programa, rixas no bairro social e poesia

Cristas. Antes da rua, o Facebook. E no fim, virá Paulo Portas

A promessa: Reunir no primeiro dia com o presidente da EMEL, a empresa de estacionamento, e com o presidente da Gebalis, a entidade que gere os bairros sociais.

A frase: “‘Bora lá, ‘bora conquistar votos”, disse Assunção Cristas para motivar a equipa.

Os afetos: Entre beijinhos e distribuição de folhetos, ganhou a distribuição de folhetos. Assunção Cristas pôs o turbo e, mantendo sempre o sorriso afável, não trocou muitos carinhos com os cidadãos com quem se cruzava. Primeiro testava a recetividade, só depois partia para os beijinhos.

O que correu mal: Uma ou outra nega que Assunção Cristas levou durante a descida pela avenida da Igreja, quando se pensava que Alvalade era só terreno amigo para o CDS. Uma senhora recusou mesmo aceitar o folheto com as propostas de Cristas dizendo que já tinha decidido o seu voto. Não disse em quem, mas que não era no CDS, isso não era.

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Depois do dia zero (e do ano -1 de preparação), hoje é o primeiro dia oficial do sprint até à meta. E para começar o dia de campanha, Assunção Cristas escolheu responder a perguntas dos (e)leitores da sua página de Facebook. Esteve 40 minutos em direto, numa transmissão em vídeo, naquilo que um dos participantes classificou como “um verdadeiro exercício de democracia”.

“Acho que é um meio bom para conversar com as pessoas”, disse a candidata do CDS rendida à tecnologia que a permitiu estar a “falar” com as pessoas que se encontravam nas suas casas ou nos seus locais de trabalho. Disciplinada e sem ceder à pressão das câmaras, Cristas dedicou cerca de dois minutos para responder a cada uma das 19 perguntas: a maior parte colocadas em tempo real, sendo que a equipa do CDS tinha já pedido de véspera para serem enviadas outras tantas por e-mail, para o caso de a atividade não ter muita adesão em direto. Em média estiveram 70 a 90 pessoas a assistir, em simultâneo, à “conversa”. “Correu muito bem”, disse no fim a candidata, antes de se pôr no carro para rumar a Alvalade onde estaria depois em contacto — agora presencial — com a população.

Desde perguntas sobre o trânsito, a EMEL, ou a habitação, houve também quem lhe confessasse que nunca tinha votado em partidos, pedindo a Cristas que a convencesse a votar em si. A todos, a líder do CDS disse que estava a lutar pelo primeiro lugar, o de presidente da câmara, revelando mesmo o que fará no primeiro dia depois de eleita: reunir com o presidente da EMEL, a empresa de estacionamento, e com o presidente da Gebalis, a entidade que gere os bairros sociais.

Depois do contacto em direto, mas à distância, seguiu-se o contacto direto, cara a cara. Assunção Cristas foi a Alvalade para uma arruada dominada pelos jovens da Juventude Popular, que além da presidente do partido apoiam de forma particularmente efusiva o candidato àquela junta de freguesia, o líder da Juventude Popular de Lisboa Francisco Camacho, de 24 anos. Mas se a comitiva esperava que Alvalade fosse terreno fértil para o CDS, não foi bem assim. Com algumas “negas”, Assunção Cristas acelerou o passo, entrando em cafés, cabeleireiros, lojas de pronto a vestir ou papelarias para, regra geral, se limitar a distribuir o folheto com as suas propostas e seguir viagem.

Cristas sobre Portas: “Espero que consigamos articular agendas para estar um dia também comigo”

Entre beijinhos acelerados e muita distribuição de folhetos, uma novidade: o ex-líder do CDS Paulo Portas irá estar ao lado de Assunção Cristas numa ou noutra ação de campanha. “Estará certamente ao meu lado, ele está pouco pelo país, mas eu espero que consigamos articular agendas para estar um dia também comigo”, disse aos jornalistas respondendo a uma pergunta sobre se tencionava seguir a força do ex-líder, que se candidatou a Lisboa e conseguiu um dos melhores resultados do CDS.

Quem foi convidado para estar no próximo dia 23 naquela mesma junta de freguesia, de Alvalade, a fazer campanha, é o também ex-presidente do CDS Manuel Monteiro, há muito afastado da política mas agora afeto à tendência alternativa recém criada dentro do CDS, chamada “Esperança em Movimento”. Manuel Monteiro foi convidado pelo número dois da lista à freguesia, Abel Matos Santos, que é o porta-voz daquele movimento. Esta terça-feira, claro, Manuel Monteiro não apareceu, mas se aparecesse Cristas não o excluiria. “Eu não excluo nenhum apoio, todos os apoios são bem-vindos”, disso. De resto, embora a candidata do CDS não queira falar em números ou metas, nem para Lisboa nem para o país, aponta ao alto.

Nem toda a gente aceitou os folhetos, os beijinhos e os abraços de Cristas. Aqui, uma senhora recusa porque diz que já decidiu o seu sentido de voto. Não revela qual, mas no CDS é que não é

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Se posso trabalhar para ter o máximo porque é que hei de trabalhar para o mínimo?”, atirou, recusando-se a falar em metas eleitorais, mas apontando ao alto. “Sabemos qual é o ponto de partida, não desconhecemos as dificuldades do CDS, mas vamos dar o nosso melhor”, acrescentou ainda, fugindo à pergunta sobre se sonhava ficar à frente do PSD. O sonho, repete, “é ser presidente de câmara”, logo, ficar à frente de todos, PSD e PS incluídos. Assunção Cristas rejeita ainda que o relacionamento do CDS com o PSD fique prejudicado por causa da disputa entre as duas candidatas em Lisboa, uma vez que “o centro-direita ganha com um CDS mais forte, que contribua para ser alternativa ao Governo das esquerdas, tanto a nível nacional como em Lisboa”.

Qual é o objetivo a nível nacional? A insistência é muita, mas a presidente do CDS não se quer comprometer com metas. “O objetivo é ficar melhor do que estamos, manter ou aumentar as cinco câmaras que conquistámos, crescer eleitoralmente, conseguir mais mandatos, ao nível da vereação, das juntas de freguesia, da Assembleia Municipal, e quem sabe conquistar mais alguma câmara”, sintetizou em declarações aos jornalistas, antes de se fazer à Avenida da Igreja, para distribuir beijinhos e flyers. “‘Bora lá, ‘bora conquistar votos”.

Mas a uma terça-feira ao 12h são mais os comerciantes do que os moradores do bairro de Alvalade que aparecem pelo caminho. Alguns não votam em Lisboa. “Não faz mal, passe a palavra!”, diz a candidata. “Eu voto em Queluz”, diz uma senhora que se preparava para almoçar num restaurante das redondezas. “Então vote no Marco Almeida, também é bom”, respondeu João Gonçalves Pereira, atual vereador do CDS na câmara de Lisboa, referindo-se ao candidato ex-militante do PSD — mas apoiado pelo PSD e CDS em Sintra. Mais à frente, nova nega: uma senhora dizia que a ex-ministra da Agricultura tinha sido a responsável pelo “despejo de um casal” seu vizinho. Mantendo o sorriso, Cristas seguia rua fora, talvez sem o íman de Paulo Portas junto das cabeleireiras, mas com particular sucesso junto das mães. Uma delas, talvez mãe e avó, mostrou-se particularmente interessada em perguntar pelos filhos da candidata, todos de nome Maria. “O nome da nossa senhora. Muitas felicidades”, desejou.

João Ferreira quer “mais responsabilidades” da CDU em Lisboa

A promessa: Aposta na rede de cuidados continuados e em outros cuidados de saúde, no apoio domiciliário e na mobilidade.

A frase: “O voto na CDU normalmente não dá lugar a arrependimentos”, disse João Ferreira.

A queixa: “Este nosso presidente nem a carrinha nos empresta para um passeio”, afirmou uma utente do centro que o candidato visitou.

Os afetos: No centro de convívio, João Ferreira não se apressa nos contactos com os utentes e explica a uma idosa, praticamente invisual, que deve deslocar-se ao centro de saúde antes das eleições para pedir um atestado que lhe permita votar acompanhada no dia 1 de outubro.

João Ferreira é o eurodeputado que todas a semanas aparece na televisão, mas na freguesia de Marvila a estrela é António Pereira. “Ele é da velha guarda”, atira um dos idosos do Centro de Convívio São Maximilano Kolbe. O ex-presidente da junta (esteve no cargo oito anos, até 2005) tenta a reeleição, Ferreira quer reforçar a posição da CDU na câmara mas ambos os discursos alinham pela mesma estratégia: mostrar que as maiorias absolutas do PS na autarquia não resolveram os problemas da cidade e recordar a marca do Governo PSD/CDS.

Enquanto João Ferreira ouve as preocupações da população mais idosa da cidade – porque é esse o eleitorado do centro de convívio –, António Pereira tira selfies com os funcionários que conhece há anos. “Temos de olhar para o que cada um promete e para aquilo que fez quando podia fazer”, sublinha o candidato da CDU à câmara de Lisboa.

“Pode vir o Manuel, pode vir o Pedro, pode vir quem quiser, eu sou CDU e mais nada”, diz uma eleitora a João Ferreira.

“Alguns esquecem-se das promessas”, diz uma senhora. O comunista aproveita a deixa: “Há uns que não só se esquecem como fazem o contrário daquilo que prometeram”, e lembra a lei das rendas, o estado do espaço público, as medidas que tiveram impacto na população envelhecida da capital, como é o caso dos cortes nas pensões. A intervenção vai saltando entre as críticas ao anterior Governo e ao executivo socialista da câmara.

Na plateia grisalha, alguns dos mais de 20 ouvintes atentos vão lançando para o ar as queixas e aflições. “Este nosso presidente nem a carrinha nos empresta para um passeio”, lamenta uma senhora; “o lixo fica todo no chão e é a gente que o empurra para passar”, diz outra; “o presidente está sempre dentro de portas, já cá não devia era estar”, retoma a primeira.

Precisamente a pensar no público que tem pela frente, João Ferreira aponta prioridades: a aposta na rede de cuidados continuados e em outros cuidados de saúde, o apoio domiciliário, a mobilidade, área em que a “responsabilidade” se reparte entre “quem está na câmara e quem esteve no Governo”. António Pereira dá uma achega ao falar do encerramento de balcões dos CTT e do esforço que isso significa para os reformados que querem levantar todos os meses a sua reforma.

A CDU tem atualmente dois vereadores eleitos na câmara de Lisboa. João Ferreira, que já há quatro anos foi cabeça de lista, pede mais. “Dêem-nos a nós o poder para termos mais responsabilidades” porque, garante, “o voto na CDU normalmente não dá lugar a arrependimentos”.

“Maiorias confortáveis” do PS prejudicaram a cidade, defende o Bloco

A promessa: Apostar no reforço da rede de creches da cidade de Lisboa.

A frase: “Estas maiorias absolutas do PS em Lisboa esqueceram-se daquilo que é fundamental”, diz Ricardo Robles.

O que correu mal: Aconteceu com um dos elementos da comitiva do Bloco durante a mini-arruada: o panfleto que estendeu no ar, na direção de um eleitor, voltou para trás. “Eu , agora, só volto no Bruno de Carvalho, desisti de votar nos políticos”, disse o homem.

Os afetos: Até a máquina dos afetos aquecer, Robles apostou, sobretudo, na entrega de panfletos de candidatura. Depois, lá se foi alongando nos contactos. Ouviu queixas, trocou dois dedos de conversa e, entre uma palavra e outra, o sorriso no rosto completou o quadro.

O entusiasmo de José Eduardo Rosinha com o projeto que criou para a escola que dirige não esconde a debilidades evidentes – as paredes estão negras, manchadas pela humidade, as farripas de madeira levantam-se do chão, algumas janelas não tem vidros. “Viemos a esta escola, que tem problemas gravíssimos do ponto de vista das condições físicas, porque queremos destacar nesta campanha as questões da educação”, diz Ricardo Robles, candidato do Bloco de Esquerda à câmara de Lisboa.

A Escola E. B. 2,3 de Luís António Verney tem cerca de 400 alunos. Há poucos anos, esteve em risco de fechar. Eram os próprios pais quem se recusava a deixar os filhos durante o dia nas condições precárias em que a instituição já se encontrava. “Estas maiorias absolutas confortáveis do PS em Lisboa esqueceram-se daquilo que é fundamental, a câmara municipal tem de preocupar-se com todas as escolas”, sublinha Robles ao Observador, chamando a atenção para o contraste que existe entre diferentes escolas do mesmo município.

Ricardo Robles viu de perto as condições precárias da Escola E. B. 2,3 de Luís António Verney

A visita não pode fugir ao tema da Educação – a que Medina também dedicou o dia – e o candidato do Bloco de Esquerda recorda que estando previstas para o atual mandato 48 intervenções no âmbito do programa Escola Nova, “no início deste ano apenas 18 estavam completas, o que nem chega à taxa dos 50% de intervenção”. A prioridade do BE vai, no entanto, para os mais novos: “Concretizar a requalificação das escolas é essencial mas depois temos uma intervenção importantíssima para fazer ao nível das creches.” Uma área em que os números também não batem certo, já que “o PS, em 2009, prometeu 60 novas creches em Lisboa e fez 12”.

O diretor do agrupamento de escolas Luís António Verney acredita na revitalização da escola do bairro Madredeus. “Isto não é um projeto para a freguesia do Beato, é um projeto para a cidade de Lisboa”, diz, sobre a dinamização que pretende continuar a implementar na escola, com a aposta no ensino artístico através das aulas de dança, de teatro e de música.

“Queremos fazer uma petição!” A pretensão não é lançada por Robles. São três crianças, nos seus oito, nove anos, os “craques da bola” que desejavam ter “um ginásio melhor”, porque o piso do pavilhão da escola “tem muitas farpas”. O candidato desafia-as a levar a iniciativa para a frente, a recolher assinaturas porque “se muita gente assinar” as hipóteses de sucesso são maiores. Ali ao lado, também na esplanada de um café do bairro de Madredeus, por onde passa a comitiva do Bloco de Esquerda, três mulheres confessam a sua preocupação: “Vamos ser despedidas se…?” Robles é apanhado de surpresa com a pergunta. “Se eu for eleito? Nem pensar”, responde. “Ah, ficamos mais descansadas”.

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