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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Teresa Leal Coelho: um programa, rixas no bairro social e poesia

Teresa Leal Coelho apresentou programa num bairro social em alvoroço. Medina dedicou o dia à habitação e ouviu pedir urgência para a classe média. Cristas denunciou o caos do trânsito.

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Faltam menos de duas semanas para a ida às urnas e os candidatos ocupam cada vez mais o terreno. A partir desta segunda-feira, o Observador acompanha o diário da campanha em Lisboa, seguindo o dia a dia dos principais candidatos. Assunção Cristas começou cedo numa ação de campanha intitulada “Estamos Fartos deste Trânsito, Medina nunca mais”, onde ouviu queixas dos lisboetas que andam de carro mas também reparos de trabalhadores da Emel. Fernando Medina, candidato do PS, fez uma viagem de minibus até ao Bairro Padre Cruz para mostrar as habitações sociais melhoradas. E a seguir participou num debate com estudantes na Faculdade de Arquitetura, onde ouviu Helena Roseta — presidente da Assembleia Municipal — a pedir urgência para haver rendas controladas para a classe média. Já o candidato comunista João Ferreira tem a companhia de Jerónimo e Sousa, com quem desce a Avenida Morais Soares ao fim da tarde. Hoje também é o dia em que Teresa Leal Coelho, do PSD, revela o seu programa para a câmara de Lisboa: às 18h na Quinta do Cabrinha, o bairro social junto à Avenida de Ceuta.

Teresa Leal Coelho debita programa em bairro social em alvoroço… mas com poesia

O cenário escolhido não era o mais agradável. Teresa Leal Coelho quis mostrar a “Lisboa que muitos não conhecem mas que é a Lisboa de hoje” e por isso escolheu o bairro da Quinta do Cabrinha, junto à Avenida de Ceuta, para apresentar o seu programa, de 68 páginas. Ao seu lado, o candidato do PSD à Assembleia Municipal, José Eduardo Martins (conhecido crítico da liderança de Passos Coelho), multiplicou-se em elogios à “mulher-coragem” e até lhe recitou um poema de Sophia de Mello Breyner. Tudo isto no pátio daquele bairro social, onde momentos antes tinha havido uma discussão acesa entre moradores, com palavreado pouco adequado, que ecoou durante todo o evento.

Evento que, disse José Eduardo Martins, teve de ser “rápido” porque a comitiva estava a usar espaço público e a “incomodar” os moradores. “Estamos a ocupar espaço que é deles, estamos a introduzir perturbação no quotidiano deles, temos de ser rápidos”, disse o candidato à Assembleia Municipal, enquanto ao fundo se ouvia e sentia o rasto da rixa, e enquanto os moradores, à janela ou no pátio, faziam comentários pouco oportunos.

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A segunda-feira da primeira semana de campanha oficial não foi fácil para Teresa Leal Coelho. Começou com uma sondagem pouco animadora (que lhe dava 16% dos votos, um ponto percentual atrás de Assunção Cristas) e terminou com aquilo que devia ser o momento mais ou menos solene de apresentação do programa escrito. Mas foi apenas mais um momento peculiar, ou talvez insólito.

Começou com a rixa de vizinhos e com os moradores do bairro a gritarem palavras de ordem à comitiva: “Vai para casa! Agora que precisam dos pobres é que vêm cá!”, entoava uma mulher, enquanto a candidata do PSD era recebida pelas crianças que a “abraçaram hoje como abraçam sempre”, segundo sublinhou José Eduardo Martins na introdução que fez no palco improvisado. Mas, tirando isso, pouco contacto houve entre a candidata e os moradores. Se o objetivo era mostrar o bairro degradado e “esquecido”, o objetivo foi conseguido, com a comitiva a organizar, para surpresa dos jornalistas, uma estranha visita a um parque de estacionamento subterrâneo da Gebalis, abandonado e em mau estado.

Sem anunciar qual era o destino da “visita”, a comitiva encabeçada pela candidata e por José Eduardo Martins iniciou uma visita à dita garagem, por entre três pisos subterrâneos de espaços vazios, escuros, com lixo e vidros partidos, escorregadios e degradados. Tudo sem ninguém dizer uma palavra. A comitiva, e os jornalistas, limitavam-se a seguir Teresa Leal Coelho por entre os pisos da garagem, sem saber muito bem qual o motivo da visita.

“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

A ideia era essa, explicou depois Teresa Leal Coelho: mostrar uma garagem com “200 e tal lugares, às portas da cidade de Lisboa, que não pode ser utilizada para estacionamento” porque precisa de ser reabilitada. A visita, contudo, não deixou de ser enigmática, mesmo para alguns membros da comitiva, incluindo deputados como Maria Luís Albuquerque ou Inês Domingos, que estavam visivelmente intrigados com a ida ao parque subterrâneo.

“Porque os outros vão à sombra dos abrigos/E tu vais de mãos dadas com os perigos/Porque os outros calculam mas tu não”, diria depois José Eduardo Martins citando Sophia e dizendo-se “felicíssimo” por estar a fazer campanha “ao lado de uma força como é Teresa Leal Coelho”: uma “mulher-coragem”.

Na apresentação do programa propriamente dito — que a candidata disponibilizou online enquanto falava, para garantir informação acessível “à distância de um clique” — Leal Coelho sistematizou as principais propostas para Lisboa, nos ramos da habitação, mobilidade, desenvolvimento humano, desenvolvimento socio-económico e transparência. Lendo um documento escrito, debitou as principais medidas:

Para habitação, Teresa Leal Coelho garante que vai “exigir” junto do Governo uma isenção do IMI por 10 anos a quem comprar habitação permanente ou a quem comprar frações para arrendamento para habitação no valor patrimonial igual ou superior a 250 mil euros (atualmente é 125 mil), assim como uma isenção de cinco anos para casas com valor patrimonial igual ou inferior a 500 mil euros. Mais: promete colocar no mercado de arrendamento mais de 2 mil fogos, “que são património disperso da câmara” e que não estão devidamente referenciados; assim como promete reduzir para o prazo máximo de 3 meses a entrega de fogos vazios. No âmbito do Lisboa Reabilita, pretende criar uma linha de financiamento bonificado a proprietários de 50 mil fogos devolutos na cidade para os reabilitarem e apostar na requalificação de 10 mil fogos em bairros municipais destinando-os a arrendamento a preços acessíveis. E quer ainda criar uma bolsa de fogos municipais expectantes, para garantir o alojamento provisório de famílias desalojadas ou de refugiados.

Na área da mobilidade, a candidata do PSD quer criar uma “rede de transportes públicos fluviais, coletivos e individuais, ao longo da frente ribeirinha, desde Algés até ao Parque das Nações”, admitindo alargá-la aos municípios vizinhos de Oeiras, Cascais, Loures e Vila Franca de Xira. Outra das ideias é criar metro à superfície entre Cais do Sodré e Algés, passando em locais como Santos, Alcântara e Belém.

No que toca aos transportes já existentes, quer concessionar a gestão dos transportes públicos da cidade a entidades privadas, com contratos de oito a 10 anos, “transferindo a responsabilidade de investir para o privado”. No caso do Metro, pretende que o Governo recue no plano de expansão já apresentado e opte antes pelo alargamento à zona ocidental. Em relação a estacionamento, quer criar um passe para residentes, que seja semestral, trimestral ou anual.

Em relação à polémica taxa turística, criada em 2014 pelo executivo camarário de António Costa, que começou a ser aplicada em 2016 nas dormidas na cidade, Teresa Leal Coelho propõe aumentar para o dobro, ou seja, para dois euros por dia. Mas com uma contrapartida: não haverá aumento de impostos nem criação de mais nenhuma taxa “ou taxinha” nos próximos seis anos. Sobre higiene urbana: propõe que o serviço de recolha de lixo funcione sete dias por semana, ou seja, que não interrompa ao fim de semana.

Cristas quer acabar com o trânsito “infernal” e desvaloriza sondagem que a põe em segundo lugar

As buzinas dos carros que se ouvem pelas 8h30 da manhã numa das avenidas mais movimentadas da cidade de Lisboa é a banda sonora ideal para a mensagem que Assunção Cristas quer transmitir. “Este trânsito inferniza a vida das pessoas que todos os dias vêm para Lisboa. Está um caos e isto resulta num desgaste diário”, diz a candidata do CDS à câmara municipal de Lisboa enquanto distribui flyers com o seu rosto e as suas propostas aos condutores que estão parados no trânsito.

“Bom dia, posso dar-lhe as nossas propostas?”, limita-se a perguntar àqueles que lhe abrem o vidro e aceitam o folheto. São a maioria, na verdade, embora também haja quem recuse e mantenha o olhar fixo na estrada. Entre o semáforo estar vermelho e abrir para verde “não dá para muito mais conversa”, desabafa a candidata. Entre a Avenida das Forças Armadas e a Avenida da República, em Entrecampos, as obras não ajudam à circulação e o caos aparece aos olhos de todos. Por essa altura passa por ali o minibus da campanha de Fernando Medina que esta manhã foi visitar o Bairro Padre Cruz. Cristas não o vê, mas é precisamente a Fernando Medina que aponta o dedo pelo estado em que a circulação na cidade de Lisboa está.

“Muito do trânsito tem a ver diretamente com as opções de Fernando Medina e com o facto de 10 anos de governação socialista não terem feito nada para resolver esta que é a preocupação número um dos lisboetas”, diz.

A candidata do CDS assume que quer “acabar com o trânsito”, é também isso que diz às pessoas com quem se cruza. Parece uma proposta ambiciosa, mas explica que a única maneira de o fazer é melhorando os transportes públicos, da rede do metro à Carris. “Só tiramos parte dos 360 mil automóveis que todos os dias entram na cidade de Lisboa se tivermos o metro a funcionar como deve ser e a ir até mais longe”, diz, defendendo não só a sua proposta de alargamento faseado das estações de metro, como também instando o Governo a “empenhar-se” para fazer o que prometeu no que diz respeito às melhorias do serviço de metro. Sobre isso, avançou inclusive que o CDS vai dar entrada no Parlamento, esta semana, com um projeto de resolução sobre o assunto.

Estes são os sons do trânsito que Cristas ouvia enquanto distribuía folhetos.

Mobilidade e transportes públicos é a peça-chave para solucionar o problema do trânsito, diz, mas isso também tem de ser acompanhado de uma melhoria ao nível do estacionamento. Não muito longe de onde se encontra a distribuir folhetos, um grupo de funcionários da Emel passa e atenta para o “contrasenso”.

“Estão fartos deste trânsito e querem acabar com a Emel? Isso é um contrasenso, mas já estamos habituados a contrasenso”, diz um deles para os restantes. Não se aproximam da candidata, contudo, que nem ouviu o recado.

Assunção Cristas está com o pé na estrada — literalmente — e é aí que diz medir a sua popularidade e aceitação junto dos lisboetas eleitores. Não nas sondagens. Esta segunda-feira, uma sondagem da Universidade Católica divulgada pelo Jornal de Notícias dá conta de que Fernando Medina tem a maioria absoluta em risco e que Assunção Cristas aparece em segundo lugar (17%), um ponto percentual à frente da candidata do PSD, Teresa Leal Coelho (16%). Cristas está satisfeita, mas procura não valorizar muito.

“Não valorizamos excessivamente as sondagens, o nosso centro de sondagens é o trabalho”, diz aos jornalistas, ao mesmo tempo que se mostra “confiante”, “animada” e “empenhada” na tarefa de ser “a alternativa a Fernando Medina”.

Medina quer fazer para a classe média o que se fez na habitação social

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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O dia de Fernando Medina foi dedicado à habitação (vai ser assim esta sua campanha: um tema por dia), começa por mostrar obra em dois bairros sociais. A seguir, passa pela participação num debate com estudantes universitários (e não só), onde o candidato e atual presidente da Câmara de Lisboa se comprometeu com um plano para promover habitação pública “em escala suficiente” — disponibilizar 20 mil casas — para dar resposta às necessidades da classe média. Ao seu lado, Helena Roseta pediu mais urgência.

Da plateia do auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, repetia-se uma queixa vinda de arquitetos e jovens estudantes: o preço das casas na cidade está incomportável para quem está a iniciar a vida. A resposta de Fernando Medina às preocupações está longe de ser imediata e passa pelo seu programa de habitação pública para a classe média com “preços controlados em função do rendimento e não do mercado”. O plano passa por pôr no mercado “20 mil casas” dirigidas à classe média: “Isto já permitia assegurar o direito à habitação, enquanto o mercado fará o seu trabalho para outros segmentos”. O candidato não define quando espera atingir este número — deixando apenas claro que não será no próximo mandato. Mas ao seu lado estava a candidata a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta, que colocou mais urgência na necessidade de uma resposta ao problema.

“Queremos fazer agora para a classe média o que fizemos para a habitação social”, promete Medina.

Roseta é especialista em habitação — já foi presidente da Ordem dos Arquitetos — e, embora já não seja a vereadora desta área (foi entre 2009 e 2013) tomou a palavra para lançar o desafio: “Porque é que a câmara não lança um concurso de ideias nas Universidades? O que fazer com 2 mil casa vazias?” A candidata diz que daqui não espera ver sair apenas projetos de arquitetura, mas também propostas de modelos de gestão. Depois de ter ouvido Medina expor o seu programa para a habitação como “a única resposta possível”, Roseta interveio para dizer que esse plano “demora algum tempo” e depois lançou o seu desafio ao autarca: “Fernando, isto [concurso de ideias] não resolve o problema de escala, mas vai abrir a cabeça às pessoas”.

De manhã cedo, o foco tinha sido noutro estrato e problema social, com Medina a visitar, de seguida, o Bairro Padre Cruz, em Carnide, e o Bairro da Boavista, em Benfica. Uma escolha estratégica, até porque é nos dois bairros que tem em marcha ou já construiu pelo menos o quarteirão-piloto de casas requalificadas.

No bairro Padre Cruz, Madalena recebeu a chave do seu T4, duplex, mesmo à porta da campanha eleitoral, na semana passada. O seu ar ligeiro não o revela, mas Madalena já tem 10 netos, de sete filhos (a mais nova com 18 anos), quatro deles ainda a viver com ela numa das casas de alvenaria — com telhados que têm amianto — que sobem pela encosta do bairro. A moradora estava lá para abrir a porta da sua casa a Fernando Medina, mas ainda nem tinha sequer móveis na casa para onde vai viver, porque a mudança ainda não aconteceu. Nem a dela nem a de qualquer outra das pessoas que vão habitar aquelas primeiras 20 casas que o socialista visitou para mostrar obra no maior bairro social da Península Ibérica. Parecia quase uma festa de inauguração das pequenas casas, de repente cheias de pessoas (da candidatura e da comunicação social) a acotovelarem-se pelas estreitas divisões. Medina até gracejou: “Onde é que estão as bebidas?”.

Mas esta ação de campanha não serviu apenas para mostrar a obra feita. Em declarações aos jornalistas, o atual presidente da CML puxou os galões de “21 bairros municipais que estão a ser reabilitados”, com 21 milhões só para a requalificação de fogos e 70 milhões para a construção de novos. Um esforço de investimento que vem da Câmara mas sobretudo de fundos comunitários.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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O paragem seguinte, ainda ali no bairro — também quase a cheirar a tinta fresca — foi no centro intergeracional: um equipamento construído pela Câmara (com investimento comunitário) e gerido pela Santa Casa da Misericórdia, que junta num mesmo espaço terceira idade, jovens e crianças. É exemplo único na cidade e, por isso mesmo, uma espécie de coqueluche da intervenção social para o atual executivo municipal. E que Medina quer expandir neste mandato, chegando aos oito centros do género na cidade.

É ao lado da placa da inauguração do centro, “presidida pelo presidente da Câmara Fernando Medina e pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Pedro Santana Lopes”, que Medina fala aos jornalistas para garantir que este último foi “o período em que mais se investiu em habitação social em Lisboa”. E os fogos da câmara desocupados e que não são atribuídos, de que fala a candidata do CDS Assunção Cristas? Medina atira forte, dizendo que é impossível ter todas as casas atribuídas: “É de quem não tem noção do que é a gestão municipal”. No primeiro dia de campanha, foi este o único ataque ao lado de lá da barricada autárquica.

“Voto na CDU vale a dobrar”, diz Jerónimo numa arruada ‘chapa cinco’

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Houve banda a abrir caminho, bandeiras, autocolantes, canetas e panfletos. Houve candidato e ainda o líder do partido. Houve Morais Soares, um clássico das arruadas eleitorais, e até protestos por causa do carro do partido que está estacionado em cima da passadeira. Houve tudo o que manda uma campanha. Nesta exata medida. Nem a mais, nem a menos. Foi uma arruada formatada pela chapa cinco das campanhas eleitorais, a que João Ferreira fez, esta segunda-feira, na Morais Soares. Mas contou com o peso do líder Jerónimo de Sousa que vê uma “dimensão nacional” nestas eleições.

No final da descida típica, com os apertos de mão e beijinhos de porta em porta, o líder comunista discursou num pequeno palco na Praça do Chile para fazer um mini-balanço — “positivo” — do que o PCP conseguiu noutro palco que não o local: o IVA, as pensões, os IRS e até as entradas nos museus gratuitas. E isto para concluir que “votar na CDU vale a dobrar: para eleger autarcas mas fundamentalmente porque com o voto da CDU, o PCP fica em melhores condições para conseguir avançar nas políticas de de reposição de direitos na Assembleia da República”.

Uma afirmação que o secretário-geral do PCP fez, mesmo ali ao lado de João Ferreira, porque diz ter sentido — aliás, como também o disse o candidato da CDU em Lisboa — “a confiança de quem passou pela arruada”. “Uma confiança assente no trabalho, na competência e na honestidade” da CDU, acredita o comunista que diz que as pessoas sabem uma coisa: “Estamos nesta e noutras batalhas para servimos o interesse do povo e não para nos servirmos nós próprios”.

Sem registo de críticas ao poder central, Jerónimo deixou para o candidato os despiques com o poder local instalado. Porque “em 10 anos de gestão do PS, a Câmara perdeu 4 mil trabalhadores”, porque “a gestão PS não quis ou não soube resolver os problemas” da cidade, disse João Ferreira que está convencido que vai ter uma boa votação. Não referiu quaisquer sondagens, mas as do dia davam o Bloco de Esquerda colado ao PCP e não passaram totalmente ao lado do candidato que, a da altura, lá lembrou que há quatro anos “contra todos os prognósticos a CDU cresceu e elegeu mais vereadores”.

Ao fim da tarde, enfiado num blusão de cabedal, o candidato tinha descido a Morais Soares à esquerda do líder, parando às portas. “Posso entregar-lhe um panfleto?”, perguntava aos lojistas. Na sapataria “Descalçope” o comerciante estava à porta à espera de Jerónimo para um sonoro aperto de mão, desejou “força” e não resistiu: “Venham cá comprar um par de sapatos cada um”. João Ferreira escolheu a resposta simpática: “Se calhar o fim da campanha vai ser possível”. Mas a interação não foi muito além disto e mais de apertos de mão do que beijinhos aos poucos que passavam a subir, a fintar a comitiva de bandeiras e gritos da praxe: de um lado “Vota”, do outro “CDU”.

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