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O deputado do Partido Social Democrata Eduardo Teixeira (E) intervém durante a apresentação e discussão do Relatório sobre a aplicação da Declaração do Estado de Emergência no período de 2 a 16 de março de 2021, na Assembleia da República, em Lisboa, 14 de abril de 2021. TIAGO PETINGA/LUSA
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TIAGO PETINGA/LUSA

TIAGO PETINGA/LUSA

Eduardo Teixeira: "O PSD é que está a aproximar-se ideologicamente do Chega"

O coordenador do Chega na comissão de Orçamento e Finanças critica o rumo definido pelo Governo e rejeita a ideia de que o Chega se esteja a aproximar do PSD, apontando o sentido contrário.

O coordenador do Chega na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças mantém todos os cenários em aberto sobre a votação final global mas critica o rumo escolhido pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para 2026.

Em entrevista ao Sofá do Parlamento, Eduardo Teixeira, acusa ainda o ministério de Joaquim Miranda Sarmento de ter “contas erradas” e assegura que “todas as instituições internacionais apontam falhas nos cálculos” feitos pelo Governo. Apesar de acordos noutros setores, o deputado do Chega recusa que o partido se esteja a aproximar do PSD e diz que o caminho está a ser o inverso: é o PSD a aproximar-se do Chega.

Já sobre a polémica com Angola, diz que o líder parlamentar do Chega apenas ficou na viagem por “uma questão de ética” e que Marcelo Rebelo de Sousa é que devia ter tido “uma atitude mais reprovadora” face ao discurso de João Lourenço.

Ouça aqui o Sofá do Parlamento 

Aumento pensões? “Proposta do PS não é melhor que a do Chega”

O Chega votou contra esta proposta inicial do Orçamento. Há ainda alguma margem para que possam viabilizar o documento na votação final global?
Fizemos as nossas propostas, sobre vários setores que entendemos que criam maior justiça social e fiscal. Portugal tem uma elevadíssima carga fiscal e este Governo não a alivia em nada. A coleta aumenta mais de 3 mil milhões de euros, com várias situações que são de perplexidade e que nos parecem ser um pouco uma manta de retalhos. Confirmando-se as várias opiniões de órgãos externos e independentes, até da Comissão Europeia que veio dar-nos uma nova nota, que vai ao encontro das preocupações do Conselho de Finanças Públicas, de que as contas também estão já a entrar em défice e que é bastante expressivo. A diferença entre estas contas e as do Governo são de cerca de 1,3 mil milhões de euros.

Mas ainda há alguma hipótese do Chega viabilizar esta proposta?
Na semana passada disseram que há uma almofada de 0,5% do PIB. Estamos a falar de mais de mil milhões de euros, que são contabilizados por causa de um crescimento económico que pode ou não acontecer, mas também setores como a defesa e investimentos que não vão ser feitos, que podem criar alguma margem. A nossa preocupação é que as contas têm que ser certas. As várias opiniões independentes, como o Conselho de Finanças Públicas, o Banco de Portugal, apontam vários problemas e diferenças de opinião face ao Governo. As previsões destas organizações apontam para um défice de 0,3% no mínimo. As contas que nos foram apresentadas não estão certas.

Ou seja, para o Chega não haverá margem para aprovar o Orçamento?
Haverá margem se se quiser mexer na receita do Estado para criar um alívio fiscal aos portugueses que pagam impostos em demasia. Há também a questão do adicional sobre o ISP que é uma questão inacreditável, porque há uma duplicação de impostos, não é só o ISP mas também o crescimento do IVA. Só isto são mais 600 milhões de euros. Para além disso é preciso ter coragem para combater o desperdício, a economia paralela, o valor que é atribuído no lado da despesa a fundações e associações e muitos organismos que vivem do Orçamento de Estado e cuja utilidade é muito complexa para serem os portugueses a pagar com os seus impostos. Não há vontade de cortar em setores que não são relevantes e, por outro lado, há défices noutras organizações, como por exemplo o Tribunal Constitucional.

Em que o presidente pediu uma audiência ao Parlamento sobre a falta de financiamento
Em que o presidente deu conta de que não fala com o Governo, com o primeiro-ministro para construir o orçamento do Tribunal Constitucional e estava a discutir [no Parlamento] pouco mais que um milhão de euros. Este é dinheiro que serve para que exista mais transparência, mais fiscalização, para que exista maior controle nas entidades de transparência e de financiamento dos partidos e em que parece que se quer estrangular o funcionamento destas instituições. O Chega já entregou uma proposta de alteração para reforçar este financiamento.

"O PS faz uma enorme confusão ao colocar, no meio desta matéria, as questões do IRC, do crescimento económico, se, se e se. Conforme estamos a ver nas várias previsões que nos são apresentadas, estes pressupostos não se vão verificar.  (...) A proposta do PS não é melhor que a nossa"

Aumento das pensões. “Na proposta do Chega basta pegar na almofada [financeira] que existe”

O aumento extraordinário das pensões é uma das propostas mais relevantes para o Chega, que defende um aumento de 1,5%. Não é mais prudente a proposta do PS, que só prevê um aumento extraordinário caso o Governo volta a atribuir um novo bónus no próximo ano?
O PS faz uma enorme confusão ao colocar, no meio desta matéria, as questões do IRC, do crescimento económico, se, se e se. Conforme estamos a ver nas várias previsões que nos são apresentadas, estes pressupostos não se vão verificar.  O PS tem imensas responsabilidades nos últimos anos, levou o país várias vezes ao precipício, deixou ficar as situações todas por resolver, não criou justiça nem fiscal nem social, pelo contrário, agravou o problema em muitos setores, e por tudo isso, a proposta do PS não é melhor que a nossa. Na proposta do Chega basta pegar nesta almofada de 0,5% do PIB, que são suficientes para aumentar de forma permanente as pensões dos mais necessitados.

O Chega tem tido uma prática de votar as propostas independentemente do partido que as apresenta. Aconteceu, por exemplo, com o fim das portagens nas SCUT. No aumento das pensões, estaria ou não disponível para viabilizar a do Partido Socialista?
A questão das portagens ainda hoje saiu um estudo que foi apresentado, que esta decisão custa muito menos do que o Governo previa. Há um efeito diminuto apesar do Governo ter sempre feito um fim pé. O Governo mudou de opinião depois do PS também já ter mudado quando saiu do Governo. As nossas contas estavam certas, o esforço para os portugueses não se justificava e não foram os milhares de milhões que diziam que iam custar estas medidas. Na altura apresentamos a nossa proposta e criamos condições para que, em parte, fosse aprovada sem que isso tivesse criado algum problema ao país.

Quer acabar com a perceção de que o Chega avança com propostas sem fazer contas
Pode ter a certeza disso. O Chega tem o seu programa eleitoral, foi com ele que teve quase um quarto dos votos, tem uma representação muito considerável e apesar de não existir vontade dos outros partidos de criar alguma governação à direita vamos cumprindo o nosso programa eleitoral. As nossas contas foram bem feitas e disso não tenho a mínima dúvida.

Quando o primeiro-ministro e o Ministro das Finanças dizem que cabe aos deputados escolherem se querem ter excedente ou défice no próximo ano, ao insistir nestas propostas, o Chega está a escolher ter défice ao invés de excedente?
Gostava de lembrar que a Comissão Europeia, sem medidas extraordinárias e sem as propostas de alteração que estão no Parlamento, vem contrariar o Governo num montante muito expressivo sobre uma deteriorização do saldo orçamental superior a 3 mil milhões de euros. É uma diferença de 0,4% entre ter superávite ou ter défice. Gostava de saber qual é o organismo independente que diz que o Governo fez bem as contas para este Orçamento. O que estivemos a discutir durante este último mês, desde que o Orçamento foi aprovado com a abstenção do PS e com o voto contra do Chega, é que não se combate o elefante dentro da sala que é o problema da despesa pública, do desperdício e da subsidiodependência.

"Do ponto de vista ético e da hierarquia, em que Portugal estava representado pelo Presidente da República, que é a figura máxima do pais, teria que ter sido o Presidente a tomar uma posição que não tomou. O líder da bancada do Chega fez o seu papel de representação de um grupo parlamentar"

50 anos da independência de Angola. “[Chega] tem um papel institucional a cumprir”

André Ventura criticou a postura de Marcelo Rebelo de Sousa perante o discurso do presidente de Angola. Ainda assim, o Chega integrou a comitiva desta viagem, esteve lá o líder parlamentar Pedro Pinto, que se manteve na viagem até ao fim. Isto não é uma incoerência? Pedro Pinto não devia ter vindo embora quando João Lourenço falou do esclavagismo português?
Não. O Chega tem uma posição relevante no Parlamento e participou nesta missão absolutamente de boa fé sem esperar que existisse este ataque brutal da parte do presidente de Angola. Do ponto de vista ético e da hierarquia, em que Portugal estava representado pelo Presidente da República, que é a figura máxima do pais, teria que ter sido o Presidente a tomar uma posição que não tomou. O líder da bancada do Chega fez o seu papel de representação de um grupo parlamentar, que é um grupo importante, o segundo maior da Assembleia da República, e portanto, não podia ser de outra forma. Há um papel institucional a cumprir.

A AD já aprovou uma lei dos estrangeiros e uma lei da nacionalidade com o Chega, existindo uma aproximação em várias matérias essenciais. O Chega está a ceder o lugar de líder da oposição ao Partido Socialista?
Diria mais que o PSD está a aproximar-se ideologicamente do Chega e isso não é mau. Isso é sinal de que está a criar consensos dentro do espectro de direita que muitos confundem com a extrema-direita. O Chega não é de extrema-direita, é mesmo um partido de direita e também de cariz social-democrata, que é uma ideologia não é um partido. O PSD faz bem sair deste espectro de centro esquerda, posicionando-se à direita e junta a sua voz à nossa voz. E a nossa voz, e que outros nos vão dando razão, é a de que temos 30% dos jovens que emigram mas depois recebemos centenas de milhares de imigrantes e não há nenhum controlo. Foi por isso que o PSD se aproximou do Chega.

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