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Ameetkumar Subhaschandra, tesoureiro da junta de freguesia do Areeiro, contratou filha de funcionária Ana Silva
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Ameetkumar Subhaschandra, tesoureiro da junta de freguesia do Areeiro, contratou filha de funcionária Ana Silva

Ameetkumar Subhaschandra, tesoureiro da junta de freguesia do Areeiro, contratou filha de funcionária Ana Silva

Filha de funcionária acusada de corrupção foi contratada pela junta já após interrogatório do MP à mãe e tesoureiro que a contratou

Ana Silva foi contratada pela junta do Areeiro para coordenar campo de férias. Dias antes, a mãe tinha sido interrogada por suspeitas de lesar a freguesia, acabando acusada de 8 crimes de corrupção.

A junta de freguesia do Areeiro contratou a filha de uma funcionária (Ana Leite) que, a par do tesoureiro da autarquia que assinou esse mesmo contrato, tinha sido dias antes interrogada pelo Ministério Público, comprovou o Observador cruzando os contratos com a acusação do processo Tutti Frutti. Os dois (a mãe da contratada e o tesoureiro que contratou a filha) foram acusados pelo MP e defendidos pela mesma advogada (que era jurista na junta) nos inquéritos do processo.

Ana Beatriz da Silva assinou um contrato de 13 meses, num valor total de 14.575 euros, com a junta do Areeiro para monitorizar as atividades de tempos livres e coordenar o campo de férias da freguesia. A jovem de 20 anos receberá, até ao final de 2025, 1.100 euros mensais (cerca de 1.430 euros com IVA) para desempenhar essas funções. O contrato de ajuste direto entre as partes foi celebrado no dia 29 de novembro de 2024 e assinado por Ameetkumar Subhaschandra, tesoureiro da junta.

Tutti Frutti. Jurista da junta do Areeiro representou presidente e tesoureiro acusados de lesar freguesia

No início do mês, Subhaschandra tinha pago a Celina Videira, jurista contratada pela junta, 250 euros para que esta o representasse na fase de inquérito do Tutti Frutti. Nessa ocasião, outras duas pessoas que trabalhavam na junta recorreram aos serviços de Videira para a mesma fase do processo: o presidente Fernando Braamcamp e a técnica superior Ana Leite, mãe de Ana Beatriz Silva.

Contactado pelo Observador, Ameetkumar Subhaschandra não quis prestar esclarecimentos. Ficam assim por apurar, por exemplo, quais as qualificações que Ana Beatriz Silva tinha para se ocupar da monitorização e organização das atividades em questão. Ana Leite também não respondeu às tentativas de contactos do Observador.

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Ana Leite, a “testa de ferro “de Paulo Quadrado

Ana Leite é acusada de oito crimes de corrupção ativa que lesaram a junta de freguesia do Areeiro, atuando, acredita o Ministério Público, como testa de ferro de Paulo Quadrado, vice-presidente da concelhia de Lisboa do PSD. De acordo com a acusação, os dois eram amigos ainda antes de, em 2015, Leite se tornar avençada da junta de freguesia.

Em abril de 2014, a também militante do PSD fundou a associação social “Estreialfabeto”, da qual Paulo Quadrado se tornou presidente. Ana Leite ocupou o cargo de vice-presidente até dezembro desse ano e o cargo não voltou a ser ocupado até hoje. Já Paulo Quadrado, acusado no processo Tutti Frutti de 39 crimes de corrupção ativa, mantém-se como presidente da associação. Esta era apenas uma das entidades que fazia parte do esquema montado pelo social democrata para beneficiar os seus interesses, atenta o MP, “à custa do erário da freguesia do Areeiro“.

Segundo o MP, em nome da junta de freguesia, o executivo propunha contratos, adjudicava e pagava às associações que Ana Leite e Paulo Quadrado geriam.

Em 2016, quando Leite já estava na freguesia, os dois estiveram por trás da criação de uma outra fundação, a “Bússola de Letras”, que oferecia serviços de organização de eventos e atividades de tempos livres. Mesmo não sendo membros efetivos da associação, o MP acredita que eram Quadrado e Leite quem tomava as decisões em relação à sua atividade. Ana Leite era, inclusivamente, a única pessoa autorizada a movimentar a conta bancária da Bússola de Letras. Até hoje, a associação nunca prestou serviços a outra entidade para além junta de freguesia do Areeiro.

O MP acredita que Quadrado “obtinha vantagens patrimoniais”, através dos membros sociais-democratas na junta, entre os quais o presidente Fernando Braamcamp, o tesoureiro Ameetkumar Subhaschandra e o vogal Rodolfo Pimenta, em “violação das regras de contração pública”. Estes “acediam mercadejar os cargos para os quais foram eleitos a troco do apoio político e influência” deste na concelhia lisboeta. Segundo o MP, em nome da junta de freguesia, o executivo propunha contratos, adjudicava e pagava às associações que Ana Leite e Paulo Quadrado geriam.

Pedro Jesus toma posse como presidente. Restantes acusados não renunciam

Na sequência da acusação no processo Tutti Frutti, Fernando Braamcamp suspendeu o seu mandato como presidente da junta do Areeiro por sofrer de um grave problema de saúde. Já Ameetkumar Subhaschandra, acusado dos mesmos 39 crimes de corrupção passiva, não deverá renunciar para já ao seu mandato, segundo sabe o Observador. O tesoureiro deverá manter-se em funções até abril para apresentar a conta de gerência da freguesia em assembleia.

Tutti Frutti. Presidente da junta de freguesia do Areeiro renuncia ao mandato

Do mesmo modo, também não se espera que Rodolfo Pimenta, atual presidente da assembleia da freguesia e arguido no processo Tutti Frutti, renuncie à posição. Entretanto, Pimenta convocou uma reunião extraordinária deste órgão para a próxima segunda-feira, onde se realizará a tomada de posse do novo presidente da junta, Pedro Jesus. Sendo que se trata de uma suspensão de funções até ao final do mandato, sobe à posição este que é o número dois na lista do PSD, até agora vogal do executivo.

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