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1 – Já há licenças para operar a quinta geração?

Sim. A Anacom já atribuiu licenças à Nos, Vodafone, Dense Air, Nowo e Digi Mobil. Neste momento, só a Meo não está ainda em condições de operar, porque ainda não procedeu ao pagamento da respetiva licença. Ao Observador, a Altice Portugal explica que o pagamento das licenças 5G “será realizado de acordo com os períodos estabelecidos pela Anacom”. O regulador deu dez dias úteis desde 23 de novembro para os seis operadores vencedores do leilão fazerem o respetivo pagamento, o que significa que terão até 9 de dezembro para proceder a esse depósito.

2 – Agora, com as licenças, já há serviço?

Sim. A Nos e a Vodafone já anunciaram o lançamento do serviço e quem tiver determinados tarifários e for cliente de algum destes operadores teve a oportunidade de ver, em alguns locais, a indicação de que estava com serviço 5G. A Nos explicou, inicialmente, que “os primeiros clientes a poderem experimentar o 5G da Nos são os subscritores do tarifário Sem Limites Max, que, sem necessidade de qualquer ativação, passaram a ter acesso imediato à nova tecnologia móvel”. Este tarifário, segundo o site da operadora, custa 39,99/mês durante 24 meses (é um preço promocional). Entretanto, nos dias seguintes a este anúncio, a Nos divulgou a disponibilização do serviço 5G aos clientes de voz móvel com tarifários Sem Limites, aos clientes voz móvel com tarifários com plafond base 10 GB ou mais e aos clientes de internet móvel pós paga com todo o tráfego incluído.  Todos os clientes Nos com outros tarifários “também terão acesso gratuito e sem compromisso à tecnologia 5G, até 31 de janeiro”, tendo de pagar, a partir dessa data, cinco euros para garantirem a tecnologia.

A Vodafone tem, também no site, ofertas disponíveis, mas com a compra de telemóveis incluídos. Em comunicado anunciou que até dia 31 de janeiro, terá o 5G disponível em todos os seus tarifários, “sem encargos adicionais e sem que os clientes necessitem de tomar qualquer ação”. Para os clientes particulares, no final desse período experimental, o 5G “estará integrado por defeito nos tarifários pós-pagos Red 10GB, Red Infinity e pré-pagos Vodafone You 10GB e Yorn X 10GB, sendo aplicado aos demais tarifários e a pedido do cliente o valor mensal de 5 euros”. Para os empresariais, o 5G estará “disponível de forma automática e integrado nos tarifários Red 10GB, V4 e em todos os planos Infinity, sendo aplicado para os demais tarifários, em caso de decisão de continuidade de acesso ao 5G por parte do cliente, o valor mensal de 4,07 euros sem IVA”.

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Já a Meo, apesar de ainda não ter serviço operacional, tem, desde o início deste ano, um tarifário 5G em pré-venda, com desconto anual de 50%, no valor de 30 euros/ano, válida por 12 meses à velocidade máxima. A operadora diz ainda que “o lançamento comercial do serviço, dependente da conclusão do processo de atribuição dos DUF [Direitos de Utilização de Frequência] do regulador Anacom [estando neste momento do lado da Meo o pagamento], será realizado de forma rápida”.

A Nowo, detida pela espanhola Más Móvil, ainda não tem no site qualquer indicação de preçário 5G. Ao Observador a operadora garante que “o processo de desenvolvimento e implementação de uma nova tecnologia como o 5G é ambicioso e não imediato”, tendo no caso desta operadora o desafio acrescido de ter de construir uma rede — tem a possibilidade no âmbito das regras do leilão de ter acordos com os atuais detentores de rede para ter acesso a infraestruturas. Por isso, a operadora realça ao Observador que espera estar pronta “com os novos serviços móveis 5G no momento certo em que sejam uma verdadeira realidade e a maioria dos utilizadores possa usufruir deles”.

3 – Onde há já serviço? Qual é a cobertura atual?

Este é um segredo que as operadoras não querem revelar. Nos, Vodafone e Meo, mesmo antes de terem as licenças, andavam a testar o 5G. Porém, não dizem onde têm antenas 5G, pelo que terão de ser os clientes a verificar a cobertura no seu telemóvel (surge a indicação 5G quando está disponível).

Os testes têm sido realizados por todos os operadores com rede. A Nos diz que desde 2019 tem usado a cidade de Matosinhos como um “laboratório vivo para o desenvolvimento da tecnologia 5G, com o objetivo de preparar a sua rede, mas também para testar a aplicação da tecnologia em casos concretos, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento das cidades inteligentes”. No último ano diz ter intensificado o trabalho não apenas em Matosinhos. Fala em alguns pilotos que foi lançando: o estádio de futebol 5G, que é o Estádio da Luz; o hospital 5G, o Hospital da Luz; a Escola 5G, a João Gonçalves Zarco, em Matosinhos; a cobertura de mais de 5 km de extensão do areal das praias da Costa da Caparica; e a fábrica 5G, a da Sumol+Compal em Almeirim; tendo ainda apresentado no Porto de Leixões a tecnologia 5G para a gestão das suas operações.

Clientes da Vodafone vão poder experimentar 5G até ao final de janeiro

A Vodafone assume a intenção de cobrir as capitais de distrito no arranque, até chegar “de forma progressiva” a mais de 90% da população portuguesa em 2025. Ao Observador, a operadora assume que haverá certas localizações em que o 5G poderá não funcionar. “A cobertura será gradual e progressivamente chegará a mais locais”, responde a empresa. Mesmo assim, a empresa britânica diz que o 5G “já está disponível na Grande Lisboa, Grande Porto, litoral Algarvio e restantes capitais de distrito do continente e ilhas”, como refere no seu site oficial.

E a Meo também fala de vários testes desde 2019 “em vários locais do país”, garantindo a cobertura do Altice Arena e do Estádio do Dragão, por exemplo.

Ou seja, apesar dos testes e de já estar disponível a tecnologia, as operadoras fecham-se em copas sobre os locais onde têm serviço, dizendo tratar-se de segredos de negócio. E por isso há vários locais onde não haverá a indicação de rede 5G nos operadores.

4 – Qual vai ser a cobertura?

Apesar das licenças só terem sido agora atribuídas, certo é que as coberturas previstas no regulamento têm de ser cumpridas. Isso mesmo já fez questão de afirmar a Anacom. Assim, até ao final de 2023, tem de estar garantida a cobertura de 75% da população e até final de 2025 um total de 90% de cada uma das freguesias consideradas de baixa densidade e de cada uma das freguesias das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Já a cobertura das freguesias não consideradas de baixa densidade mas que integrem municípios de baixa densidade tem de atingir os 70% até ao final de 2024 e de 90% até ao final de 2025.

Até final de 2025 tem ainda de estar coberta 95% da população total do país, cada uma das autoestradas, as redes de metropolitano de Lisboa, do Porto e do Sul do Tejo e os itinerários ferroviários incluídos no Corredor Atlântico, na parte relativa ao território nacional, da ligação Braga-Lisboa, da ligação Lisboa-Faro e das ligações urbanas e suburbanas de Lisboa e Porto; e 85% de cada um dos itinerários principais rodoviários, da Estrada Nacional 1 e da Estrada Nacional 2 e de cada um dos restantes itinerários ferroviários.

5 – Qual a diferença do 5G para a atual rede?

O 5G será uma atualização da rede atual, a quarta geração móvel. Vai permitir maiores velocidades no download e no upload (permite velocidades de até 10Gbps), menor latência (o tempo de resposta entre o momento em que se dá a ordem e que esta é concretizada — que será reduzido para cerca de 5 milissegundos, face aos atuais 25 a 35) e maior capacidade. É por isso que se diz que é este sistema que vai permitir que todos os equipamentos estejam ligados entre si e teremos muitos mais equipamentos ligados ao mesmo tempo. Ou seja, aqueles congestionamentos típicos do fim do ano podem ser diminuídos pela capacidade do 5G, mas isso também depende da gestão da rede por parte dos operadores.

O 5G vem aí, mas o que é? Os “milagres” desta tecnologia em três palavras: “velocidade, latência e capacidade”

É por causa do tempo de latência que se fala na possibilidade de o 5G permitir, dentro de algum tempo, cirurgias online e carros autonómos — claro que para estes serviços faltará, depois, de acomodar a regulação e regulamentação.

Além disso, em teoria, o 5G vai permitirá também às operadoras passarem pacotes com acesso a mais dados móveis e até mesmo ilimitados, ao contrário do que fazem agora em Portugal (atualmente, um plano com 10 gigas de utilização ainda é dos mais caros). Isto tem a ver com a capacidade das antenas. Ao permitir que mais aparelhos possam estar conectados, também passam a poder emitir mais informação para os dispositivos sem o perigo de haver quebras na rede.

A título de exemplo, nos EUA, no Reino Unido ou na Coreia do Sul, que foram dos primeiros países a disponibilizar o 5G, passaram a existir planos com acesso a dados ilimitados com preços semelhantes àqueles que eram praticados para pacotes limitados com 4G.

6 – O 4G vai desaparecer?

Não. As redes atuais vão continuar a funcionar. Tal como aconteceu quando se introduziu o 4G as redes anteriores — 3G e 2G — continuaram.

7 – É preciso mudar de telemóvel?

Se quiser ter 5G tem de ter um equipamento 5G. Já há vários disponíveis no mercado, mas os preços ainda são elevados. A maioria dos clientes particulares não precisa, na sua utilização habitual, deste tipo de redes. Com o tempo, haverá mais necessidade com novos serviços que possam ser lançados. Mas para já — em particular se não tem dinheiro para gastos supérfluos —  não necessita de ir a correr a uma loja comprar um equipamento 5G.

Nenhum dos operadores revela quantos telemóveis 5G estimam que já existam no mercado nacional. A Nos, que, em agosto de 2019, foi a primeira operadora a lançar um smartphone com tecnologia 5G em Portugal (o Huawei Mate X 20 5G) acredita que “o número de clientes está a aumentar à medida que são introduzidos mais equipamentos 5G no mercado”.

Mesmo sem 5G em Portugal, NOS lança smartphone 5G da Huawei

Como a tecnologia 5G é cada vez mais comum, atualmente, a maioria dos novos modelos de smartphones vem já equipada com os componentes necessários para os utilizadores poderem aceder ao serviço. Consultando os principais retalhistas em Portugal, é possível ver à venda equipamentos com esta tecnologia de marcas como a Oppo (Reno 4 Pro ou o A73 5G, a Xiaomi (Redmi Note 9T 5G ou o Mi 10T), , a Samsung (Galaxy A42 5G, Note 20 Ultra ou S20 FE) e a Apple (iPhone 12 e iPhone 13). Os preços variam bastante: entre os 200 e os dois mil euros).

A IDC, por seu turno, estima que no terceiro trimestre de 2021 quase 40% dos telemóveis novos vendidos já tinham 5G, diz ao Observador.

8 – Vai haver mais operadores?

A ideia do leilão foi, precisamente, permitir a entrada de mais operadores no mercado. E concorreu mesmo um operador que não tem qualquer operação no mercado nacional – a Dixarobil – que ainda não comunicou os planos para o país. Também a Nowo garantiu licença móvel. Até ao momento a empresa tem estado com rede fixa no país e oferece serviço móvel através de um acordo com a Meo.

A Dense Air, que também garantiu licenças, é um operador grossista, ou seja, oferece serviços a outros operadores. Daí que não seja um fornecedor de serviços de comunicações aos consumidores finais.

A guerra dos operadores existentes com a Anacom no leilão do 5G esteve muito ligada às condições mais vantajosas dadas aos novos entrantes que, aliás, tiveram um período próprio de candidatura e espectro reservado para eles. Além disso, o regulamento determinou a obrigação dos operadores com rede darem roaming nacional (ou seja utilizando a infraestrutura dos atuais operadores) durante 10 anos. E têm de ter acordos de partilha de rede.

Foram, aliás, estas condições favoráveis aos entrantes que levou a várias ações em tribunal contra as regras do leilão e que originou a extensão do concurso durante quase 10 meses. As queixas também chegaram a Bruxelas, já que os operadores existentes reclamaram existir ajudas de estado ilegais. A Comissão Europeia não divulgou, ainda, qualquer decisão sobre estas investigações.

9 – Quanto vão investir os operadores?

Os operadores têm, por um lado, de pagar as licenças e, por outro, fazer investimentos para terem redes disponíveis. O Estado arrecadou 566,8 milhões nas duas fases de licitação.

No leilão, a Nos investiu um total de 165 milhões, seguindo-se a Vodafone com 133 milhões, a Meo com 125,2 milhões, a Nowo com 70 milhões, a DixaRobil (ligada à Digi) com 67,3 milhões e a Dense Air com 5,7 milhões.

Termina leilão do 5G. Encaixe de quase 567 milhões

Além deste pagamento, as frequências determinam o pagamento anual de taxas de espectro.

Acresce, ainda, o investimento que cada operador vai fazer nas redes. Mas aí novamente volta a ser um número no segredo dos deuses. A Nowo assume um investimento em 2021 de 100 milhões, que integrará um investimento de 500 milhões de euros em cinco anos.

10 – O leilão atrasou. Portugal vai ficar para trás no 5G?

Conforme tem sido dito, os operadores já estão a lançar o 5G e progressivamente chegarão às coberturas a que estão obrigados e cujos prazos não foram alterados. Nos outros países em que já houve leilões terminados mais cedo, os serviços também ainda não estão massificados. Assim, Portugal não deverá, ao que dizem os especialistas, ficar atrasado face à generalidade dos países nos tempos próximos.

Os países asiáticos, nomeadamente a Coreia do Sul, são os mais avançados. Alguns estudos apontam para que a nível global os utilizadores possam atingir os mil milhões em 2023.