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James Martin é um dos padres católicos mais controversos dos Estados Unidos. Muito próximo do Papa Francisco, este jesuíta de 61 anos está há vários anos no espaço público global. É autor de vários livros, muitos deles editados em português, um dos editores da revista America, presença frequente nos meios de comunicação americanos e globais e, desde 2017, consultor do Vaticano para as questões da comunicação. Mas foi o seu apoio à inclusão das pessoas LGBTQ na Igreja Católica, cuja doutrina considera a homossexualidade como uma “desordem”, que o tornou uma figura de proa da Igreja contemporânea.

Amado por uns e odiado por outros, James Martin transformou-se num dos símbolos mais visíveis da profunda divisão cultural em que está mergulhada a Igreja Católica dos dias de hoje, especialmente nos Estados Unidos. Desde 2016, ano que ficou marcado pelo massacre de 49 pessoas numa discoteca habitualmente frequentada pela comunidade LGBTQ em Orlando, na Flórida, o sacerdote tornou-se um defensor público da aproximação entre a Igreja e as pessoas LGBTQ — especialmente aquelas que, sendo católicas, se sentem excluídas da sua própria Igreja.

O seu trabalho, que inclui palestras, livros, celebrações e uma dinâmica pastoral própria para o acolhimento de pessoas LGBTQ em Nova Iorque, onde vive, atraiu uma chuva de críticas e transformou-o no alvo preferido do movimento radical ultraconservador. Martin chegou mesmo a ser classificado como “herético” pelo cardeal Gerhard Müller, um dos rostos mais célebres do conservadorismo católico da atualidade. Mas, apesar das críticas e da onda de ódio nas redes sociais, o posicionamento de Martin tem sido reiteradamente validado pelo Vaticano e pelo próprio Papa Francisco: em 2018, o sacerdote foi convidado a discursar no Encontro Mundial das Famílias de Dublin (evento oficial promovido pelo Vaticano sobre a família); mais recentemente, a propósito do lançamento do portal Outreach, o Papa Francisco enviou duas cartas manuscritas a Martin apoiando o seu trabalho junto das pessoas LGBTQ.

Papa Francisco diz que a Igreja “acolhe todos os seus filhos” e que não exclui a comunidade LGBTQ

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