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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Medina com Costa, no palco, à tarde. E com Pedro Nuno no pensamento, de manhã

Líder do PS entrou pela caravana de Medina com alguma megalomania à mistura e trouxe consigo um batalhão de governantes. De manhã, candidato falou do turismo e do dossier quente de Pedro Nuno.

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A Baixa lisboeta está mais deserta, mas Fernando Medina jura a pés juntos que a “recuperação do turismo será rápida”. O Terreiro do Paço, por exemplo, à hora em que apresenta a sua Comissão de Honra, está longe do antes da Pandemia, com apenas alguns turistas em esplanadas, mas nesta quinta-feira o turista nesta candidatura que aguardava era outro: o seu antecessor na CML e primeiro-ministro, António Costa, que passou pela campanha para o pôr num pedestal, merecedor de todos os elogios e mais alguns. Quanto aos outros, os turistas da cidade, Medina conta com Pedro Nuno Santos para lhe dar uma ajuda preciosa.

Comecemos pelo fim, o fim de tarde no Pátio da Galé onde Fernando Medina teve a sua Comissão de Honra reunida, com uma lista de centenas de nomes da economia, política, cultura, artes, desporto, que conserva o nome do antigo Presidente da República que morreu na semana passada, Jorge Sampaio. Outro ex-Presidente, António Ramalho Eanes, também  faz parte desses grupo de apoiantes mais destacados e apareceu via mensagem gravada em vídeo muito saudade pela sala.

Não tanto como o orador da tarde, o líder do PS que, imbuído de alguma megalomania, disse tudo de Medina: que é “profundamente humano”, “profundamente humanista”, que “acredita mesmo nas pessoas”, que tem “uma visão da cidade” e aina que é “o grande presidente da câmara municipal de Lisboa do século XXI”. Nesse tempo, na verdade, o atual presidente só disputa esse lugar (entre os socialistas que passaram por Lisboa) com o próprio António Costa que não diria isso de si mesmo — bem como dos dois sociais democratas que também lá estiveram neste século: Pedro Santana Lopes e Carmona Rodrigues.

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Pelo caminho desta passagem entre a governação e outro comício de campanha, que teria daí a muito poucas horas em Faro, ainda fez a defesa daquela que, se Medina for reeleito, será a sua vereadora do urbanismo e que tem sido atacada por Carlos Moedas, Inês Lobo. Disse dela um pouco menos do que disse de Medina, mas o suficiente para a colocar também numa espécie de pedestal. “É uma garantia extraordinária de que Lisboa vai continuar a ser uma cidade cada vez mais bonita”, afirmou.

Na plateia, a ouvi-lo — e depois a ouvir Medina — António Costa tinha boa parte do seu Governo. João Leão, ministro das Finanças, só teve de atravessar o Terreiro do Paço, para comparecer na primeira fila, ao lado de Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, a ministra Alexandra Leitão. Mariana Vieira da Silva chegou já decorria a cerimónia. Do lado de lá contavam-se os ministros da Economia, Planeamento, do Mar e dos Negócios Estrangeiros. E também os secretários de Estado Tiago Antunes, André Moz Caldas, Eurico Brilhante Dias ou o secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Hugo Mendes, do gabinete de Pedro Nuno Santos.

Assim que Fernando Medina acabou o seu discurso, António Costa e a sua mulher saíram rapidamente da sala. Poucos minutos faltavam para as 20h e Costa tinha na sua agenda um comício às 21h30 em Faro.

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Pedro Nuno e o “importante dossier da TAP”

Quanto ao ministro das Infraestrturas, não estava mas já tinha sido referido indiretamente de manhã,num encontro com a Associação Dinamização da Baixa Pombalina, no terraço da Pollux em plena zona histórica. Logo na intervenção inicial sublinhou a importância do “dossier da TAP” que está nas mãos do ministro também apontado como seu futuro rival no PS, Pedro Nuno Santos.

Ao Observador o autarca e candidato à CML explicou que o maior receio é com “as slots internacionais e sua possível redução”. “O processo de negociação em Bruxelas é muito importante para nós porque a TAP assegura as pontes” com dois centrais destinos de turistas que vêm para Lisboa: Brasil e Estados Unidos.

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A importância dos turistas vindos destes dois países “é do maior valor e cresceu muito nos últimos anos”, anota ainda Medina. Enquanto autarca especialmente interessado tem falado muito do assunto com Pedro Nuno Santos e, nessa matéria, aparecem alinhados. O tema tem esta particular importância para o socialista autarca, mas também tem de sair bem ao socialista ministro que está na linha da frente da reestruturação da empresa que poderá ter dias decisivos no tempo desta campanha, já que era para setembro que estava prevista a conclusão do processo de despedimento coletivo e também que terminasse a fase de dúvidas colocadas pelos operadores, na investigação ao plano que está a ser feita pela Comissão Europeia.

Nessa reunião com a Associação Dinamização da Baixa Pombalina o tema principal foi o turismo mas sobretudo a atração dos lisboetas perdido para a cidade. Medina não sabe ainda como, mas prometeu “resolver os problemas que, mesmo com turistas cá, nunca se resolveram”. Ao seu lado esteve o candidato da sua lista pelo Livre, Rui Tavares, que faz parte da equipa da cultura, conhecimento, ciência e direitos humanos e que apresentou soluções que passem por revitalizar a vertente cultural.

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Na pequena plateia estavam comerciantes, representantes do pequeno comércio, que se queixavam de acessos, dos transportes, da falta de estacionamento, depois de uma pandemia que expôs ainda mais o afastamento dos lisboetas da zona histórica, com a Baixa a voltar a ficar vazia quando o número de turistas reduziu. As perspetivas de autarca e alguns dos comerciantes são diferentes, com os últimos a querem mais estacionamento e o presidente e candidato a contra-argumentar que os principais silos da Baixa estão com taxas de ocupação abaixo da sua capacidade. E o socialista nem escondeu jogo e disse, logo à cabeça, que a sua intenção era voltar à antiga ideia — que pôs na gaveta no tempo de pandemia — de limitar a circulação automóvel no centro histórico.

O resto do dia tinha estado afastado dali, no Lumiar e no Areeiro, em contactos com a população que encontraram muito pouca gente na rua. Ainda assim, Medina insiste em circular, entrar em mais um café, uma tasca ou um talho e encontra sempre pela frente alguma questão mais localizada que raramente passa para o candidato à junta que o acompanhe no momento. É ele mesmo que se estende em explicações, muitas vezes detalhadas, a quem o aborda.

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