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O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luis Carneiro, durante a reunião da comissão nacional do PS, no Hotel Altis, em Lisboa, 05 de julho de 2025. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
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▲José Luís Carneiro apresentou este sábado a proposta de direção à Comissão Nacional do PS e marcou convenção autárquicas para 6 de setemrbo.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

▲José Luís Carneiro apresentou este sábado a proposta de direção à Comissão Nacional do PS e marcou convenção autárquicas para 6 de setemrbo.

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"Ninguém é dispensável". Carneiro tenta direção com todos (e mais alguns) para atravessar deserto

Desânimo no PS sente-se no ar e, neste sábado, a reunião da Comissão Nacional esteve a meio gás para aprovar (por 75% dos votos) nova direção de Carneiro. Líder aposta na "inclusão" para reanimar PS.

José Luís Carneiro fechou este sábado a equipa que faltava, o núcleo mais restrito, para a sua era no PS. A tentativa de incluir membros da anterior direção na nova esbarrou em muitas negas e indisponibilidades e Carneiro acabou por recorrer a quem podia para garantir que no fim, perante a Comissão Nacional do partido, podia dizer o que disse: “Ninguém é dispensável”. Mas nem esta aparência de “pluralidade” parece entusiasmar socialistas: não só a reunião foi muito pouco participada, como um quarto dos presentes não validou a direção do novo líder. O que mais vai unindo o PS é mesmo o ataque à AD, pela extrema-direita.

A reunião do órgão máximo entre congressos esteve a meio gás, dos cerca de 250 membros que o integram apareceram apenas 139. A direção de Carneiro foi aprovada por 75% — um quarto dos 130 socialistas que votaram pronunciaram-se contra (15%) ou votaram em branco (10%). José Luís Carneiro vem de uma eleição interna em que foi candidato único — depois da derrota histórica nas legislativas e da saída de Pedro Nuno Santos — e acabou eleito por 95% dos militantes que votaram.

Na direção incluiu vindos do pedronunismo (João Torres e Pedro Costa, que é filho do antigo líder António Costa) e também desavindos com o mesmo pedronunismo, como é o caso de Jorge Sequeira, o autarca de São João da Madeira que era amigo de Pedro Nuno mas que se distanciou depois de um duelo fratricida nas eleições federativas de há um ano. Da anterior direção, para além de Torres, recuperou ainda Pedro Coimbra e Marcos Perestrello e foi ainda buscar o deputado Miguel Cabrita — que esteve com a anterior direção, mas sempre foi próximo do grupo de Medina e Vieira da Silva.

Carneiro tenta “diversidade”, entre muitas negas. E cria conselho estratégico

Na direção incluiu ainda Ana Catarina Mendes, que esteve no grupo (com Medina, Mariana Vieira da Silva e Duarte Cordeiro) que procurou uma alternativa à candidatura de Carneiro. E também Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto, dois socialistas que ainda há dois anos estiveram ao lado de Pedro Nuno Santos contra a candidatura de José Luís Carneiro — Sousa Pinto acabou por cortar com essa liderança mais recentemente.

Mas a maioria dos membros do seu núcleo de decisão são socialistas mais próximos, como André Moz Caldas e Filipe Costa (que coordenaram a sua moção), Jamila Madeira, Maria Antónia Almeida Santos, Ricardo Bexiga, João Azevedo, Rosa Matos, Inês de Medeiros, as ex-governantes Rita Mendes e Susana Amador ou Luís Parreirão (que foi durante anos muito próximo de Jorge Coelho, tendo sido seu secretário de Estado).

Na direção por inerência dos cargos que ocupam no partido ficam ainda Sofia Pereira (líder da JS), Francisco César (PS Açores), Paulo Cafôfo (PS Madeira), Elza Pais (presidente das Mulheres Socialistas) e Pedro Cegonho eleito este sábado como presidente da publicação Ação Socialista.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luis Carneiro (E), é cumprimentado pelo presidente do PS, Carlos César (D), durante a reunião da comissão nacional do PS, no Hotel Altis, em Lisboa, 05 de julho de 2025. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Depois de, no início da reunião, o presidente do partido Carlos César ter lido a lista de nomes da nova direção, Carneiro interveio para dizer que “procurou garantir a abertura, a inclusão e a capacidade de mobilizar todas as vontades para servir o partido”. Falou numa lista “intergeracional”, mas focou-se sobretudo num dos temas em que, nas suas intervenções, tem dedicado especial atenção: aos críticos internos.

Desta vez fê-lo para garantir que “ninguém está a mais”, mas ainda assim assumindo que custa ouvir críticos, especialmente numa altura delicada para o partido: “Por muito que nos custe, por vezes, algumas vozes, muitas das vezes desalinhadas com as opções da direção, com as opções de outros camaradas, faz parte da nossa riqueza democrática e temos que contar com todos para fortalecer o PS num momento tão difícil como aquele que estamos a viver”.

No final da reunião, César havia de colocar pressão na equipa que Carneiro acabara de eleger, ao pedir-lhe “a coesão interna, no respeito pela diversidade” e esperando um “mandato frutífero”, tendo em conta “a qualidade dos membros” da direção. A “arte”, disse César, “está em encontrar uma direção sólida para o partido reabilitar-se” e ter “resultados autárquicos que demonstrem que o PS é a alternativa à AD”, projetou para o futuro próximo.

A estratégia que Carneiro promove como vantajosa numa altura de grandes dificuldades para o PS não deixa de ser vista com desconfiança por alguns socialistas que temem que alguns dos nomes “mais polarizadores” acabem por criar tensões no futuro. “Não está a ferro e fogo mas há de estar”, comentou um socialista com o Observador à saída da reunião.

AD “nos braços da extrema-direita”

Foi mais uma reunião em clima de desânimo geral do partido, com os socialistas a animarem-se com dificuldade por estes dias. Os resultados eleitorais das legislativas ainda pesam — e criam preocupação para as autárquicas — e Carneiro pegou-lhes para tentar sacudir pressão para cima da AD.

“O Governo da AD interpretou mal os resultados eleitorais e os seus próprios resultados”, disse garantindo que “quatro em cada cinco dos portugueses votaram contra o populismo e o extremismo”. Disse mesmo que quem votou na AD foi na “expectativa de que não governasse com a bengala da extrema direita” e que afinal, “no primeiro movimento que fez no Parlamento foi para os braços da extrema direita”.

A Montenegro atirou a concentração em “problemas virtuais” e “ignorou os problemas reais”. “Os problemas virtuais permitem-lhes dizer que ao fim de oito meses fizeram mais do que os governos do PS durante oito anos. É fácil resolver os problemas virtuais, mas é muito difícil dar resposta aos problemas reais das pessoas”, apontou.

Muito concretamente sobre as propostas do Governo para a imigração, o socialista disse que se misturou “nacionalidade com imigração e com criminalidade” e que isso “mostra a leviandade com que o Governo trata de assuntos tão importantes para a vida do país”. Quanto ao posicionamento do PS face ao Governo voltou a repetir que será “um partido de oposição ao Governo, uma oposição que seja firme, uma oposição que seja leal, mas uma oposição que seja também alternativa”.

No foco do partido estão sobretudo as autárquicas e Carneiro aponta para a rentrée política, no início de setembro, a Convenção Autárquica do partido (dia 6). Para dentro avisou que são as autarquias que “garantem a capacidade de relação dos cidadãos com o Partido Socialista e do Partido Socialista com os cidadãos”.

Depois disso vai abrir-se outro capítulo não menos tenso dentro do partido, as presidenciais. O tema esteve ausente da reunião deste sábado. Mas à saída Carlos César deitou uma acha para essa fogueira onde os socialistas se dividem entre o apoio a Seguro e a vontade de apoiar outro candidato desta área política. “O PS poderá ter posição formal, mas não manda no voto dos seus militantes”, apontou o presidente que há dez anos apoiou Nóvoa mas que agora lembra que isso foi no passado — sem se atravessar, no entanto, por qualquer outro nome. É um drama que fica para mais tarde.

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