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Ilustração de Tiago Albuquerque

Ilustração de Tiago Albuquerque

No último dia, Trump visitou a terra de Biden e atacou o Supremo; o democrata deu voz ao otimismo /premium

Último dia de campanha dos Estados Unidos. Biden mostrou-se confiante numa "grande vitória", Trump acabou com 5 comícios, ataques ao adversário e críticas ao Supremo Tribunal.

Todos os dias fazemos-lhe um resumo do que se está a passar na campanha eleitoral nos Estados Unidos: as principais histórias do dia, as frases descodificadas, fact checks e recomendações de leitura para estar sempre bem informado até à eleição do próximo Presidente.

O que se passa na campanha

Foi o último dia de campanha antes da eleição — e representou na perfeição aquilo que os dois candidatos fizeram ao longo das últimas semanas. Donald Trump passou a maior parte do dia a bordo do avião presidencial, para conseguir protagonizar cinco comícios em quatro estados (com uma nota especial para um discurso em Scranton, a terra-natal de Joe Biden). Já o candidato democrata dedicou grande parte do dia ao estado crucial da Pensilvânia, embora tenha passado pelo estado vizinho do Ohio, enquanto o ex-presidente Barack Obama andou pela Geórgia a fazer campanha por Biden. Na segunda-feira à noite, já tinham votado pelo menos 97,6 milhões de eleitores, através das diferentes modalidades de voto antecipado ou por correio. Um número particularmente expressivo quando comparado com a afluência às urnas total registada em 2016 (incluindo os votos antecipados, os votos por correio e os votos no dia da eleição) — 137,5 milhões.

1Trump foi a Scranton, a terra-natal de Biden

O Presidente norte-americano praticamente não tem parado em Washington, DC. Na última sexta-feira acelerou prego a fundo o ritmo de campanha e, em quatro dias, fez 17 comícios em múltiplos estados. Esta segunda-feira, o último dia da campanha antes do dia da eleição, Trump fez cinco comícios em quatro estados cruciais. O dia começou na Carolina do Norte, que conta com 15 lugares no Colégio Eleitoral e é um “swing-state” fundamental em que, de acordo com as sondagens, os dois candidatos estão praticamente empatados (com uma ligeira vantagem para Biden). Dali, Trump seguiu para a Pensilvânia, o Michigan e o Wisconsin — os três estados, historicamente democratas, que em 2016 lhe garantiram a Presidência.

Na Carolina do Norte, Trump resumiu o seu apelo ao voto da seguinte forma: “Vocês têm o poder de votar, por isso saiam de casa e votem, a não ser que vão votar noutra pessoa que não em mim. Nesse caso, fiquem em casa”.

O discurso de Trump baseou-se, essencialmente, num elencar de acusações (muitas delas infundadas) às figuras do Partido Democrata. Chamou “psicopata” ao congressista democrata Adam Schiff, que liderou a equipa da acusação durante o processo de impeachment; afirmou que Barack Obama e Hillary Clinton são “criminosos”; defendeu que os meios de comunicação social deviam ser alvo de processos por violação do decurso da campanha eleitoral e atacou o Twitter devido aos assuntos mais comentados da rede social — onde Trump gostaria de ver as notícias que dão conta do suposto escândalo (cuja veracidade foi questionada dentro do próprio New York Post, o jornal que o publicou) à volta dos negócios do filho do oponente, Hunter Biden. “Tirando o que eu digo, está a desvanecer-se. Não pode haver um escândalo se ninguém escrever sobre ele”, atirou Trump.

Contudo, o momento mais simbólico do último dia de campanha do Presidente foi um comício em Scranton, na Pensilvânia, a cidade onde Joe Biden nasceu e viveu até aos 10 anos. Anteriormente, noutros discursos no mesmo estado, Trump tinha acusado Biden de ter “abandonado” a cidade e o estado (embora o candidato democrata fosse ainda uma criança quando se mudou para o Delaware com os pais devido a uma mudança de emprego do seu pai).

Na terra de Biden, poucos se lembram dele — mas Biden garante que nunca os esqueceu

No comício, Trump mostrou-se confiante naquilo que uma vitória naquele estado poderá significar a nível nacional: “Se ganharmos a Pensilvânia, ganhamos isto tudo, como da outra vez”. Em 2016, Trump venceu na Pensilvânia por uma diferença de 44 mil votos, curta margem que foi suficiente para assegurar os 20 votos a que o estado tem direito no Colégio Eleitoral. Juntamente com o Wisconsin e o Michigan, uma margem de menos de 80 mil votos permitiu a Trump ganhar no Colégio Eleitoral, apesar de ter recolhido menos 3 milhões de votos que Hillary Clinton.

No domingo, o rival Joe Biden esteve na Pensilvânia em campanha. A comparação entre o número de apoiantes que apareceu no discurso de Biden e a multidão que surgiu em Scranton para ouvir Trump deixou o Presidente convicto de que a vitória está garantida. “Não me parece que vá ficar aqui em segundo lugar. Vi o Joe dorminhoco, ele tinha umas 12 pessoas. Nem sequer conseguiu encher os círculos dele”, disse Trump aos apoiantes, referindo-se aos círculos marcados no chão para garantir o distanciamento social nos eventos organizados pela campanha de Biden. No comício de Trump apareceram centenas de apoiantes, muitos deles sem máscaras e todos sem respeitar o distanciamento de segurança.

Grande parte do discurso na terra-natal de Biden foi dedicado a atacar diretamente o oponente democrata, recorrendo a um argumento que já foi múltiplas vezes desmentido (incluindo aqui no Observador, por altura do segundo debate entre os candidatos) — o de que Joe Biden vai acabar com o “fracking”, um método de exploração de petróleo e gás natural que constitui uma importante atividade económica do estado da Pensilvânia.

“Uma grande parte da vossa vida, do vosso dinheiro, do vosso rendimento, vem do fracking. Ele passou um ano a dizer que não vai permitir o fracking”, afirmou Donald Trump. “Enquanto nomeado [do Partido Democrata à eleição presidencial], começou a falar do fracking, a dizer que o vai definitivamente permitir, mas não em terreno federal. A imprensa nunca o escrutinou por isso nem o escrutinou pela corrupção de que faz parte”, acrescentou o Presidente. “Um voto em Biden será um voto para banir o fracking, ilegalizar as minas, aumentar de forma explosiva os custos da energia e destruir a Pensilvânia.”

Ao abrigo do plano ambiental de Joe Biden, a atividade de fracking deverá ser substituída pela exploração de energias renováveis de modo gradual ao longo da próxima década. Uma abordagem mais radical, proposta pela ala mais à esquerda do Partido Democrata, propõe restrições muito mais apertadas ao fracking, mas o programa de Biden prevê apenas a não emissão de novas licenças de exploração em terreno federal — o que significa que todas as explorações atualmente em funcionamento poderão continuar a operar. A medida afeta a Pensilvânia de forma limitada, uma vez que o estado é um dos que têm menor percentagem de território sob a jurisdição federal (apenas 2,1%).

A intervenção de Trump incluiu ainda a acusação de que Biden planeia transformar os EUA na Venezuela e a classificação do Partido Democrata como um conjunto de “hipócritas globalistas, socialistas, comunistas, ricos e liberais”.

Depois de cinco comícios marcados por duras críticas ao Supremo Tribunal (a propósito da decisão de permitir o alargamento do prazo para a contagem dos votos em alguns estados), Donald Trump acabou o último dia de campanha em Grand Rapids, no Michigan, onde admitiu, num discurso confuso e cheio de insultos, a possibilidade de perder para Biden. Mas não sem antes protagonizar um dos momentos mais bizarros da campanha ao queixar-se longamente do microfone que usou no quarto comício, em Kenosha, no Wisconsin. Depois de o microfone do púlpito falhar, Trump recebeu um microfone de mão para usar em alternativa.

Durante vários minutos, o Presidente queixou-se do “pior microfone” que usou na vida, sugeriu não pagar à empresa que instalou o sistema de som no comício e até prometeu à plateia devolver-lhes metade do dinheiro do bilhete. “Mas, como não pagaram nada, peço desculpa”, atirou Trump.

Mas foi já no Michigan (onde em 2016 também tinha terminado a campanha) que Trump finalizou a campanha. Aos filhos, que protagonizaram vários comícios por todo o país ao longo das últimas semanas, Trump disse: “Não importa o que acontecer, estou muito orgulhoso de vocês. Mas, se não ganharmos, nunca mais vos falo”. O Presidente deixou uma ameaça parecida à plateia: “Só o conceito de perder para este tipo…! É bom que saiam de casa e votem amanhã. Vou ficar furioso, nunca mais volto ao Michigan.”

Esta terça-feira, Donald Trump ficará na Casa Branca a assistir à noite eleitoral numa festa em que se esperam até 400 convidados — o que está a levantar preocupações depois de um evento com 200 convidados na Casa Branca ter dado origem a um surto de Covid-19 entre o círculo mais restrito do Presidente.

2No último comício da campanha, Joe Biden deixa escapar o otimismo numa “grande vitória”

No último dia de campanha, Joe Biden fez uma paragem em Cleveland, no estado do Ohio, onde surpreendentemente os democratas poderão ter um resultado positivo. Em 2016, Donald Trump venceu no Ohio por 8 pontos percentuais — e os democratas chegaram a considerar que este ano o estado estava definitivamente perdido para os republicanos. Porém, as sondagens apontam para uma disputa muito renhida, com Trump a liderar por menos de um ponto percentual. A crise económica, o aumento considerável do número de casos de Covid-19 e a população suburbana crescente estão a contribuir para um aumento da expressividade dos democratas nas intenções de voto.

Num comício drive-in em Cleveland, Biden procurou sensibilizar os apoiantes para a importância de reverter o resultado naquele estado, que contribuiu com 18 lugares para o Colégio Eleitoral. “Amanhã temos a oportunidade de colocar um fim a uma Presidência que dividiu esta nação. Amanhã podemos pôr fim a uma Presidência que não conseguiu proteger esta nação. E amanhã podemos pôr fim a uma Presidência que alimentou a chama do ódio em todo o país”, disse Biden.

O candidato democrata seguiu depois para Pittsburgh, a 200 quilómetros de Cleveland, já no estado da Pensilvânia, onde terminou a campanha eleitoral. Num pequeno evento com apoiantes antes do comício final, Biden declarou que “o que acontecer amanhã vai determinar o que vai ser este país durante um par de gerações”. Sublinhando que não estava a brincar, Biden salientou que está “tanto em jogo” — e dedicou-se a desmentir o que Trump havia dito naquele mesmo estado.

“Não importa a quantidade de vezes que Trump tente mentir sobre isto, eu não vou banir o fracking. Nunca disse que o iria fazer”, disse Biden. O democrata também sublinhou que nunca esqueceu “como foi crescer numa família trabalhadora em Scranton”, respondendo à crítica repetida feita por Trump, que o acusa de ter esquecido e abandonado o estado onde nasceu. Além disso, Biden argumentou também que Trump “não consegue perceber o que famílias como a minha e a vossa atravessaram”.

A campanha democrata terminou na noite de segunda-feira com dois eventos em simultâneo — um em Pittsburgh, com Joe Biden e Lady Gaga, e outro em Filadélfia, com Kamala Harris e John Legend — que misturaram discursos políticos e música ao vivo. Curiosamente, o primeiro discurso da campanha de Joe Biden também havia sido feito em Pittsburgh.

No comício final, Biden não escondeu o otimismo (depois de uma campanha inteira a moderar expectativas, já que 2016 ainda está bem fresco na memória dos democratas). “Sinto que estamos a preparar-nos para uma grande vitória amanhã”, disse Biden. “A minha mensagem é simples: o poder para mudar este país está nas vossas mãos”, insistiu, repetindo o que tinha dito em Cleveland sobre a oportunidade de “pôr um fim a uma Presidência que dividiu esta nação”.

Esta terça-feira, Joe Biden ficará na cidade onde vive (Wilmington, no Delaware), e é a partir dali que se vai dirigir aos americanos para reagir aos resultados eleitorais.

3Governadores e polícias preparam-se para possibilidade de protestos violentos

Com a campanha eleitoral a deixar antever que o resultado da eleição poderá dar origem a protestos violentos (sobretudo depois de Trump ter repetido, múltiplas vezes, que poderá não aceitar uma derrota devido às suspeitas que tem lançado sobre a validade dos votos por correspondência e por antecipação), as autoridades norte-americanas estão a preparar-se para a possibilidade.

Em várias cidades, incluindo Washington, estavam nesta segunda-feira a ser montadas proteções de madeira nos pisos térreos dos edifícios, com o objetivo de evitar que as montras de vidro sejam partidas durante eventuais protestos.

Em todo o país, os departamentos policiais têm planos de contingência preparados para responder a qualquer tipo de conflitos. Em alguns estados, os governadores já têm a Guarda Nacional a postos para intervir. No estado do Oregon, a governadora declarou o estado de emergência na cidade de Portland devido a risco potencial de violência.

Pelo menos 24 estados deverão ter militares envolvidos no processo de transporte e abertura das urnas, de modo a reforçar a segurança da eleição. De acordo com o The New York Times, esses militares vão realizar estas tarefas sem uniforme, vestidos à civil, de modo a não causar alarme social.

Nas entrelinhas

“O Supremo Tribunal criou uma situação muito perigosa, fizeram uma coisa muito perigosa para este estado. Uma coisa muito má para esta nação. Temos de ter uma data. Não podemos prolongar a data… O perigo que podemos causar com essa extensão…”
— Donald Trump, durante um comício em Scranton, na Pensilvânia

Durante a campanha, o Presidente Trump tem insistido todos os dias numa ideia-chave: é preciso haver um vencedor determinado na terça-feira, dia 3 de novembro, o dia da eleição. Trump já chegou a sugerir, erradamente, que seria ilegal e inconstitucional contar votos depois do dia da eleição (mas os estados sempre demoraram vários dias, em alguns casos semanas, a contabilizar a totalidade dos votos e a declarar o resultado oficial, de modo a incluir também os votos antecipados e os que chegam por correio).

Há uma explicação para perceber a insistência de Donald Trump neste ponto.

Este ano, devido à pandemia de Covid-19, o número de eleitores que recorreram às modalidades de voto antecipado (seja por correio seja através de comparência antecipada na assembleia de voto) aumentou muito significativamente, com muitos norte-americanos na expectativa de evitarem as longas filas do dia da eleição. Isso está a causar uma pressão acrescida quer nos correios quer nas autoridades locais, responsáveis pela contabilização dos votos. Vários estados recorreram aos tribunais para pedirem um alargamento dos prazos para a contagem dos votos (que só pode começar no dia da eleição) e para a receção desses votos (desde que o carimbo dos correios seja anterior ao dia da eleição).

Na semana passada, o Supremo Tribunal norte-americano aprovou uma extensão de prazos na Pensilvânia e na Carolina do Norte — uma decisão que não foi bem recebida por Trump nem pelo Partido Republicano.

A explicação? Muito simples: as estatísticas mostram que os eleitores com mais tendência a apoiar o Partido Democrata são aqueles que mais estão a recorrer ao voto antecipado; enquanto os eleitores mais próximos dos republicanos deverão dominar a afluência às urnas nesta terça-feira (as diferentes perspetivas dos dois candidatos face à gravidade da pandemia podem ajudar a explicar este fenómeno). Criar dificuldades à contabilização dos boletins que chegaram às autoridades através das modalidades de voto antecipado terá um efeito benéfico para Trump, uma vez que deixará de fora das contagens oficiais muito mais votos em Biden do que no atual Presidente.

Enquanto criticou a decisão do Supremo Tribunal que poderá contribuir para um resultado que lhe seja menos favorável, Trump também sugeriu que a decisão da justiça poderá ser “perigosa, fisicamente perigosa” — uma declaração aparentemente críptica, mas que surge numa altura em que as autoridades norte-americanas se preparam para a possibilidade de existirem confrontos violentos na sequência dos resultados eleitorais de terça-feira.

Fact-check

A frase

“Joe Biden chamou SUPERPREDADORES aos jovens negros. Eles NUNCA vão gostar dele ou votar nele. Eles vão votar TRUMP.”

Donald Trump, no Twitter

O Presidente Trump fez esta acusação ao seu oponente no Twitter este domingo, numa altura em que tentava um esforço final para apelar ao voto dos afro-americanos. Não é a primeira vez que Trump faz esta acusação, que já foi desmentida antes.

De acordo com o Politifact (membro da International Fact-Checking Network, IFCN, uma plataforma de fact checkers de que o Observador também faz parte), esta crítica reporta-se à década de 1990, quando Joe Biden era senador e promoveu a criação de uma lei de combate à criminalidade violenta entre a juventude.

Num discurso no Senado em 1993, Joe Biden afirmou que os EUA precisavam de legislar sobre o assunto e argumentou que há jovens em situações de fragilidade que, sem as estruturas que permitam um acompanhamento correto, podem “tornar-se predadores daqui a 15 anos”. Biden não usou o termo “superpredadores” nem fez nenhuma especificação sobre a raça ou etnia dos jovens a que se referia.

Quem usou o termo “superpredadores” foi Hillary Clinton em 1996, numa discussão sobre a mesma lei. Mas também nesse caso não houve nenhuma referência concreta à raça ou etnia dos jovens. Ainda assim, em 2016 Clinton pediu desculpa pela utilização da palavra.

Conclusão: errado. Ao contrário do que tem argumentado Donald Trump, Joe Biden nunca chamou “superpredadores” aos jovens negros.

Comício de Trump teve 57 mil apoiantes na plateia?

Apesar da preocupação demonstrada pelas autoridades estaduais e pelos especialistas (e de um estudo já ter estabelecido uma correlação entre os eventos da campanha de Trump e o aumento dos casos de Covid-19), Donald Trump organizou comícios com multidões até ao último dia da campanha. Ainda assim, alguns números têm sido manifestamente exagerados.

Nas redes sociais, onde Donald Trump conta com um grande batalhão de apoiantes que têm disseminado desinformação com muita frequência durante a campanha, uma publicação identificada pelo Politifact tem dado conta da presença de 57 mil apoiantes num comício organizado por Trump em Butler, na Pensilvânia. (Pode ler aqui a reportagem do Observador nesse comício.)

Louis foi ao comício de Trump com o irmão — e saiu de lá com uma enorme família

Porém, é errado que tenham estado presentes 57 mil pessoas. Dados recolhidos pelo Politifact apontam para um número real quatro vezes inferior.

  • O jornal local Butler Eagle disse que estiveram presentes “mais de 10 mil pessoas”;
  • Outro jornal do estado, o Pittsburgh Tribune-Review, noticiou que os condutores de autocarros contratatados pela campanha para levarem os apoiantes entre o parque de estacionamento e o local do comício foram informados de que estariam presentes cerca de 15 mil apoiantes;
  • Uma dessas empresas disse ao Politifact que se estimam que tenham sido transportadas entre 10 e 12 mil pessoas para o comício;
  • A polícia local disse ao Politifact que os agentes que estiveram presentes no local estimaram a afluência de cerca de 15 mil pessoas.

A fonte da desinformação terá sido um tweet de Sebastian Gorka, um antigo funcionário do Departamento de Defesa dos EUA nomeado por Trump, que sugeriu esse número atribuindo-o aos Serviços Secretos norte-americano. Na manhã desta terça-feira, aquele tweet já tinha sido partilhado mais de 5 mil vezes.

Conclusão: errado. Todas as fontes no local colocam o número de apoiantes entre os 10 e os 15 mil, um número muito abaixo dos 57 mil sugeridos nas publicações disseminadas pelas redes sociais.

A foto

Donald Trump não gostou de ter de usar um microfone de substituição durante um comício em Kenosha, no Wisconsin

AFP via Getty Images

A opinião

No The Wall Street Journal, o editor Gerard Baker escreve que Trump é péssimo, mas Joe Biden é pior. No artigo, Baker reconhece que a Donald Trump falta carácter, honestidade, noção de independência do poder judicial e empatia. Porém, o Presidente é a melhor das duas opções em jogo, acrescenta, uma vez que Joe Biden representa uma ideologia de esquerda e radical que ameaça “os ideais que definiram os EUA ao longo da história”. Baker ilustra o seu argumento explicando que os democratas têm acusado, sem fundamento, os republicanos de terem feito um golpe de estado com a eleição de Trump.

You don’t have to believe a single word of the media’s hysterical hyperbole about Donald Trump these last four years to think that this president is seriously lacking in the character of the men and women who have made this country the greatest nation on earth.

You don’t have to think he’s Hitler’s heir to be alarmed by his evidently cavalier disregard for small matters like the independence of the judiciary, the proper use of executive power, or the truth.

You don’t have to think he takes personal joy in incarcerating children in cages to worry that his underdeveloped capacity for human empathy has made him especially unfit for the crises of the past year.

No The New York Times, Frank Bruni faz outra pergunta: não se Joe Biden está confiante na vitória, mas se está verdadeiramente interessado em ser Presidente. Bruni diz que é possível argumentar que Biden está interessado neste cargo há quase 50 anos, quando entrou pela primeira vez no Senado. Porém, se ganhar, chegará à Presidência aos 77 anos de idade, mais velho do que qualquer antecessor, e a meio de uma pandemia e de uma crise económica que lhe dificultarão muito a vida.

When the gods want to punish you, Oscar Wilde wrote, they answer your prayers.

The gods must really have it in for Joe Biden.

At 77, he finally stands on the cusp of the presidency, a prize he’d be winning later in life than any of his forebears, one that surely came into his sights not in 1987, when he began the first of three presidential campaigns, but all the way back in 1973, when he entered the Senate at the age of 30. He has been praying for this, I’d wager, for nearly half a century.

But he never prayed for this: a pandemic that may be approaching its peak, an economic catastrophe that’s nowhere near its end, a nation more nastily divided than at any point in his career, a Democratic Party whose lidded tensions could boil over at any moment, and an opponent who, if defeated, would not go gently and would command his conspiracy-minded followers to rage in concert with him.

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