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Políticos, jornalistas e outras figuras da SIC marcaram presença na missa de corpo presente, nos Jerónimos
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▲Políticos, jornalistas e outras figuras da SIC marcaram presença na missa de corpo presente, nos Jerónimos

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Políticos, jornalistas e outras figuras da SIC marcaram presença na missa de corpo presente, nos Jerónimos

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O último adeus a Balsemão foi uma ode ao partido que fundou: Marcelo a proteger legado do “visionário” e Rio a chumbar Montenegro

Na última cerimónia aberta, centenas encheram a igreja dos Jerónimos para homenagear o empresário e "um dos pais do PSD". Com direito a discurso, Marcelo disse que Portugal "nunca o esquecerá".

Antes de um funeral reservado a familiares, Francisco Pinto Balsemão teve um último momento de homenagem pública — seguida de perto e em peso pela imprensa, depois de décadas como líder de um dos maiores grupos de comunicação social do país. A missa desta quinta-feira na Igreja de Santa Maria de Belém juntou figuras da política com caras conhecidas do entretenimento e outras tantas do jornalismo. Os discursos na cerimónia seriam apenas dois: do filho e sucessor à frente da Impresa, Francisco Pedro Balsemão; e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O chfe de Estado chegou à porta da Igreja dez minutos antes da cerimónia arrancar, partilhando o banco de trás de um Mercedes com Luís Montenegro. O primeiro-ministro não ficou para ver a urna de Pinto Balsemão entrar na carrinha funerária que levaria o seu corpo até às instalações do grupo Impresa, em Paço de Arcos. Ainda assim, à saída, teve tempo para homenagear o militante número um do então PPD, apelidando-o de “um dos pais do PSD”. A antiga líder do partido Manuela Ferreira Leite, à entrada para a missa, também comparou o que o momento representa para o partido com “o sentimento da morte de um pai”.

Durante a cerimónia, Manuel Clemente, o antigo Cardeal-Patriarca de Lisboa que a presidiu, caracterizou o fundador da SIC e do Expresso como um “homem de Estado” e disse que a missa nos Jerónimos era “um momento nacional”. Depois, seria a vez de Marcelo elogiar a visão, a luta e o otimismo de Francisco Pinto Balsemão, garantindo que “Portugal nunca esquecerá” a sua figura. Por fim, falou Francisco Pedro Balsemão que lembrou que o pai “não era uma pessoa perfeita”, mas que foi um homem “transcendente”.

  • JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
  • JOAO PORFIRIO/OBSERVADOR
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À entrada, juntaram-se rostos da SIC e do PSD (mas não só)

Uma hora e meia antes do início da missa, às 11h30, começavam a chegar à porta da Igreja dos Jerónimos os primeiros convidados. Por essa altura, iam sendo descarregadas na igreja dezenas de coroas de flores diretamente de uma carrinha da Servilusa dedicada exclusivamente para o efeito. Atrás dos gradeamentos que limitavam o perímetro da cerimónia, uma dezena de turistas curiosos tirava fotos ao forte aparato mediático que se instalou provisoriamente em frente ao Jerónimos (havia plateaus de televisão da sua SIC e da estação pública RTP, mas não da concorrente TVI). Como em qualquer outro dia, outros esperavam na longa fila para visitar o Mosteiro que é património mundial da UNESCO desde 1983. Ninguém que quisesse participar na cerimónia ficou de fora da igreja.

A entrada fez-se por duas portas: uma para o público geral e outra para a família e os convidados mais importantes. Para entrar pela primeira, formou-se uma longa fila com caras que normalmente se encontram entre os convidados mais exclusivos de qualquer evento em que participem. A apresentadora Fátima Lopes, o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho e a ministra da Saúde Ana Paula Martins foram alguns dos que ajudaram a dar comprimento ao cordão de pessoas que esperavam para entrar.

Pela outra porta, entrou a maioria dos restantes ministros presentes (Paulo Rangel, António Leitão Amaro, Rita Júdice, Gonçalo Matias), os presidentes das câmaras municipais de Lisboa e Porto, Carlos Moedas e Rui Moreira, e as mais altas figuras de Estado como o Presidente da República, o primeiro-ministro e o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Também por essa porta foram recebidos Aníbal Cavaco Silva, acompanhado da mulher Maria Cavaco Silva, e Manuela Eanes, na ausência do marido que apenas esteve presente no velório de quarta-feira – tal como aconteceu com Pedro Passos Coelho. A mulher de António Ramalho Eanes foi das poucas a falar à entrada, sublinhando “o papel da viúva”, Mercedes Balsemão, na vida do fundador do Expresso.

Se Cavaco, que não falou à imprensa, era o único ex-primeiro-ministro na cerimónia, os únicos líderes partidários da oposição presentes eram José Luís Carneiro e Inês Sousa Real. O secretário-geral socialista, acompanhado de Eurico Brilhante Dias e Pedro Delgado Alves, vincou que a presença do PS na cerimónia acontecia numa lógica de “respeito institucional” e aproveitou para destacar o legado de Balsemão como um “construtor do valor de liberdade”.

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  • JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Lá dentro, falaram o filho sucessor e Marcelo

A cerimónia arrancou perto da hora prevista e os convidados que chegavam atrasados à Igreja de Santa Maria de Belém não tiveram outra alternativa senão assistir à homilia de corpo presente, em pé, a alguns metros da porta. O Cardeal Manuel Clemente começou por destacar que a cerimónia que presidia era “um momento nacional” em homenagem a um “homem de Estado”.

“É significativo que a celebração seja precisamente aqui, sendo [Pinto Balsemão] uma pessoa que viveu uma vida que marcou o nosso destino comum.” De seguida, os netos do fundador do PSD proferiram a oração dos fiéis, antes do fadista Camané interpretar o tema “Abandono” acompanhado de José Manuel Neto na guitarra portuguesa – poema escrito por David Mourão-Ferreira e gravado por Amália Rodrigues, em 1962. Seguiram-se os principais momentos da cerimónia, que durou pouco mais de uma hora, com os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa e Francisco Pedro Balsemão. O Presidente da República assinalou que Balsemão “sempre quis realizar-se pelos outros e com os outros”.

Num discurso mais curto do que o normal para Marcelo, destacou três características do fundador da SIC e Expresso: Balsemão foi um “visionário” a “romper barreiras” e “desbravar horizontes; foi um “lutador”, preferindo “a solidão da resistência ao ditame da submissão”; e foi um “otimista escatológico, a acreditar sempre no amanhã”. Por fim, disse que o antigo primeiro-ministro “ajudou a abrir” Portugal “para a liberdade e para a democracia” – país que “nunca o esquecerá”, acredita.

Seguiu-se Francisco Pedro Balsemão que falou do pai como o homem de negócios que lhe passou a pasta, mas, acima de tudo, em nome da família, nomeadamente os seus 20 descendentes – cinco filhos, 14 netos e um bisneto. Concedeu que Pinto Balsemão “não era uma pessoa perfeita” e que foi, “por vezes, um pai e marido ausente”, contando que “se entrou duas vezes” na cozinha da família “foi por engano”. Contudo, lembrou o pai como um homem “transcendental” que “construiu uma família que tudo fará para continuar o seu legado”. Por fim, lembrou um valor que lhe foi transmitido por Pinto Balsemão: “Por termos nascido num berço de ouro tínhamos de fazer mais do que os outros”.

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À saída, Rio lembrou o exame de Balsemão para chumbar Montenegro

A urna de Francisco Pinto Balsemão foi, então, transportada para a carrinha funerária que levou o corpo até ao local em Cascais onde se realizou o funeral. Pelo meio, a carrinha funerária parou nas instalações do grupo Impresa, em Paço de Arcos, onde foi recebida por longos aplausos de centenas de trabalhadores.

Ainda antes deste momento, Luís Montenegro saiu do Mosteiro dos Jerónimos — desta vez, sem Marcelo – e disse que Pinto Balsemão foi “um brinde para o futuro de Portugal”.  “É a olhar para a força destas personalidades que nos inspiramos. O PSD terá sempre em Francisco Pinto Balsemão o seu militante número um, mas evidentemente que sentimos uma grande tristeza da sua partida, porque também sentimos sempre o orgulho que ele tinha em ser o militante número um”.

À saída, a única outra personalidade a prestar declarações aos jornalistas foi Rui Rio que lamentou o “tempo atribulado” de Balsemão como primeiro-ministro. Lembrou “as injustiças” que lhe foram feitas em Conselhos Nacionais do PSD quando assumiu a liderança do Governo, após a morte de Sá Carneiro e como esses momentos o fizeram estar “ainda mais do lado” de Balsemão. “Se tivesse estado mais tempo como primeiro-ministro o país tinha ganho muito.”

O antigo presidente da Câmara do Porto também recordou o “exame pesado” a que foi sujeito pelo militante número um do PSD quando o convidou para ser mandatário da sua candidatura à liderança do partido, em 2017. Numa chamada ao telemóvel entre os dois, Balsemão passou “uma hora a fazer perguntas” para avaliar como Rio olhava para a social-democracia. O fundador da SIC e do Expresso terá ficado satisfeito com as respostas, porque aceitou ser mandatário. Já Rio, quando questionado se o atual PSD passaria no exame de Balsemão, disse: “Isto não é momento para eu estar a responder a isso, mas acho que não”.

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