“Já alguma vez recebeu uma fatura de roaming enorme depois de uma viagem ao estrangeiro?” “Vamos dizer adeus ao plástico!” “Esqueça o roaming”. Algumas das frases de promoção dos novos prestadores do serviço de fornecimento de comunicações no estrangeiro. Os operadores tradicionais admitem que houve alguns “sustos” por parte dos clientes nas faturas que recebiam quando iam ao estrangeiro, nomeadamente fora da União Europeia, já que no bloco há alguns anos que deixou de existir tarifas diferenciadas, desde que foi estabelecida pela Comissão Europeia o “roam like at home“, o mesmo é dizer que embora esteja em roaming (a utilizar o telemóvel e o cartão em zona fora da abrangência do operador com quem se tem contrato) os preços têm de ser idênticos aos que se paga no próprio país.
Mas se existe o “roam like at home” dentro da União Europeia, viajar para outro país implicava um custo mais agravado de tarifas. Muitos viajantes optavam por comprar cartões físicos com um serviço pré-pago de operadores locais para poderem navegar e fazer chamadas com um custo controlado. Isso torna-se mais fácil com o chamado eSIM, que nada mais do que é do que um cartão móvel virtual, sem necessidade de colocar no telemóvel um cartão físico. É preciso que o telemóvel tenha a funcionalidade.
Os operadores ditos tradicionais também já têm esse serviço disponível. A procura está a aumentar e já levou esses mesmos operadores a lançarem propostas para este segmento de negócio. Não querem perder o barco face à cada vez maior oferta por parte de empresas que não são do setor. São muitas as possibilidade. Airalo, Holafly, Nomad, Alosim, Ubiji, Jetpac são alguns exemplos. Mas até empresas como a Revolut têm ofertas neste campo.
Nos, Vodafone, Meo, Digi, operadores com redes próprias em Portugal, tentam combatê-las, mas têm de fazer o caminho de mostrar aos clientes que conseguem ter uma oferta de roaming (ou um serviço idêntico aos eSIM de terceiros) competitivos. Mas mesmo com os novos prestadores de serviços o negócio não se perde na totalidade. É que estes têm de ter acordos com os operadores com rede, não tendo obrigações regulatórias.
▲ A Airalo é uma das plataformas de eSIM.
O que é o eSIM? Vai substituir os cartões físicos?
O eSIM é um cartão móvel virtual. A cada eSIM é atribuído um número de telefone e, por isso, mesmo que o telemóvel não possibilite dois cartões físicos pode associar a esse equipamento (se suportar eSIM) mais do que um número. Cada vez mais telemóveis permitem eSIM. O eSIM pode também, caso esteja integrado, ser utilizado no tablet, PC ou relógio inteligente.
Mesmo os operadores tradicionais permitem que o cartão físico seja convertido num eSIM sem que haja custos para o efeito (na maior parte dos casos). Em determinadas situações pode, no entanto, ter um custo, pelo que é preciso avaliar o que está em vigor no operador com quem tem serviço. Por exemplo no caso da Meo, conforme informação no site, a emissão de segunda via eSIM é gratuita para tarifários pós-pagos, mas tem um valor de 10 euros nos pré-pagos. A Vodafone indica que a troca de SIM para eSIM é gratuita através nos canais digitais, mas se for feita numa loja Vodafone terá um custo de 2,71 euros.
A conversão tem de ser feita em território nacional, necessitando de acesso à internet.
Nos telemóveis que o suportem é possível ter mais do que um eSIM, e pode escolher qual usar para os dados e qual usar para chamadas de voz e SMS. Cada SIM e eSIM tem um número de telemóvel associado, mas no caso das chamadas de voz só receberá as do número que estiver pré-definido para esse serviço. Ou seja, mesmo que tenha dois eSIM (que permitam voz), não receberá chamadas dos dois, só do que tem definido o serviço de voz. O que significa que embora estejam dois ou mais cartões no telemóveis não funciona exatamente como nos telemóveis duais.
A substituição dos cartões físicos pelos eSIM de forma permanente, quando se tem um contrato com um operador, ainda não é uma tendência. A Meo admite ao Observador que os custos dos eSIM são menores mas ainda não são tão distintivos do cartão físico, até porque ambos têm de passar pelo processo de certificação. Ainda assim há um fator relevante que levam os operadores a olhar mais no futuro para o eSIM: a sustentabilidade ambiental. “O eSIM é uma tendência crescente no mercado, impulsionada pela evolução tecnológica dos dispositivos móveis (cada vez mais fabricantes estão a lançar equipamentos que apenas suportam eSIM) e também pela procura de soluções mais sustentáveis. Por ser digital, o eSIM elimina a produção e envio de cartões físicos e reduz a pegada de carbono, sendo um dos motivos que leva a Vodafone a incentivar a adoção desta tecnologia”, indica a Vodafone Portugal.
Para os construtores de telemóveis há outro benefício — é que podem aproveitar o espaço hoje ocupado pelo cartão físico para outras funções, como arrefecimento ou memória.
Número de smartphones compatíveis com eSIM continua a crescer
Um cartão eSIM anda de mãos dadas com um smartphone compatível. Aliás, qualquer consulta a uma página onde haja a palavra eSIM apresenta sempre o mesmo primeiro passo: verificar se tem um smartphone compatível. Em vários casos, é apresentada uma lista de fabricantes para que se encontre o modelo de smartphone. Ou até pequenos tutoriais para saber como encontrar nas definições do telemóvel a indicação de compatibilidade.
É que, para um telefone ser compatível com um eSIM, é necessário que tenha determinadas especificações. Este tipo de cartão eletrónico tem de responder a uma arquitetura específica, com regras que foram concebidas pela GSMA, a associação internacional que agrega 750 operadores de e fabricantes de soluções móveis. Os primeiros sinais por parte da GSMA de avançar com uma lógica eSIM datam de 2010, primeiro pela indústria de Internet das Coisas (IoT).
Nos smartphones e outros equipamentos como smartwatches ou tablets, a GSMA batizou o conjunto de regras de “arquitetura de consumo”, um conceito criado em 2016. Há uma lista extensa de requisitos a cumprir, que é atualizada com relativa regularidade. Porém, o ponto principal é que o equipamento tenha no hardware, ou seja, nas peças, um “chip” compatível com eSIM.
Os primeiros modelos compatíveis com eSIM vêm já desde 2017. Um dos primeiros telefones compatíveis era o Pixel 2, feito pela Google; um ano depois, seguiu-se a Apple, com o alinhamento do iPhone XS, XS Max e XR, lançados em 2018. Com o passar dos anos, a oferta de equipamentos compatíveis tem vindo a crescer, nota Francisco Jerónimo, vice-presidente de dados e analítica da IDC EMEA. “Na maior parte dos casos já todos são [compatíveis]”, diz sobre os modelos mais recentes no mercado. Se tivesse números, diria que é perto de 100% do mercado, tirando os feature phones”, diz ao Observador, referindo-se aos telefones com funções básicas.
“Muitos fabricantes têm compatibilidade com eSIM, principalmente nos topos de gama, incluindo a Fairphone, Honor, Huawei, Motorola, HMD (Nokia), OnePlus, Oppo, Sony e Xiaomi”, completa Ben Wood, da consultora britânica CCS Insight. Mas, por agora, são muitas as marcas que ainda não estão preparadas para dizer adeus aos (cada vez mais) pequenos cartões de plástico. O habitual em muitos mercados, incluindo Portugal, é que os smartphones tenham o tradicional espaço para um cartão SIM e a compatibilidade com eSIM.
Entre as líderes de mercado, a Apple é a única a disponibilizar modelos de iPhone só com eSIM e, por agora, apenas nos EUA. Um cenário que o analista chefe da CCS Insight explica ao Observador que pode vir a mudar. “É absolutamente certo que no futuro vejamos mais companhias além da Apple a oferecer telefones só com eSIM”, explica. “Inicialmente só nos EUA, mas provavelmente não durante alguns anos.”
Wood refere que há “várias vantagens” nos equipamentos apenas com eSIM, incluindo na parte de conceção dos equipamentos. “A principal é a redução de falhas causadas por pó ou água que entraram através da porta [de carregamento]”. “Além disso, torna possível poupar espaço no design do telefone, o que pode tornar mais fácil fazer telefones mais finos ou ter uma bateria maior”, contextualiza.
O Observador contactou as principais marcas do mercado de smartphones em Portugal para perceber se há intenções de abandonar os tradicionais cartões de plástico. Nesta altura do campeonato, há consenso sobre a abordagem híbrida, que junta o SIM físico ao eSIM. Do top de vendas, uma lista que inclui a Samsung, Apple, Xiaomi, Oppo ou a Google, apenas a Samsung e a Xiaomi responderam.
José Correia, que lidera a divisão mobile da Samsung Portugal, explica ao Observador que a marca usa a tecnologia eSIM desde o lançamento do Galaxy Z Fold, em 2019 — o primeiro dobrável da marca. “Desde então encontra-se presente nas nossas gamas de flagship (S,Z) e também no Note 20, o último modelo desta gama”. A gama Note, com telefones de grandes dimensões e virados para a produtividade, foi descontinuada em 2021.
Um smartphone dobrável e novos S10. As 5 novidades da Samsung
“Nos últimos anos, este suporte foi também estendido à gama Tab S [de tablets]”, assim “como à série A, nos modelos A35, A36, A54, A55, A56”, referindo-se aos smartphones de gama média da empresa. Também há presença de compatibilidade eSIM “nos mais recentes equipamentos da linha Rugged”, referindo-se à linha de equipamentos mais robustos e anti-choque.
A marca sul-coreana não tem nenhum modelo no mercado português exclusivamente com eSIM e José Correia explica que “não existe visibilidade sobre qualquer tipo de plano que contemple essa alteração”. No entanto, a empresa acompanha “de forma regular as alterações de mercado e evolução de soluções disponíveis, também por parte das operadoras, que controlam a disponibilização dos eSIM aos seus clientes”.
Já a Xiaomi adotou o eSIM em outubro de 2022, quando foi lançado o Xiaomi 12T. “Desde então, todos os modelos topo de gama passaram a integrar essa funcionalmente”, diz Tiago Flores, country director da Xiaomi em Portugal. “Recentemente, também alguns modelos da gama média, tornando-a mais acessível a um número mais alargado de consumidores.” Tiago Flores concretiza que são 16 os modelos da Xiaomi à venda em Portugal com tecnologia eSIM.
A tecnológica não tem nenhum modelo exclusivamente eSIM à venda em Portugal. “Todos os smartphones que já integram esta tecnologia mantêm igualmente a opção de utilização de um cartão SIM físico”, explica Flores. “Esta abordagem híbrida garante ao utilizador maior flexibilidade, permitindo configurar o smartphone de acordo com as suas preferências: utilizar apenas um SIM físico, apenas o eSIM ou mesmo combinar ambos. No caso da utilização de dois cartões, os equipamentos oferecem a possibilidade de conjugar dois SIM físicos ou um SIM físico com um eSIM, assegurando assim uma experiência dual SIM versátil e prática.”
Tiago Flores reconhece que há uma “tendência clara no setor tecnológico” para avançar para telefones só de eSIM, o que “representa uma evolução natural no mercado de smartphones”. Enumera “diversas vantagens” dessa transição, como “a facilidade de gestão de múltiplos planos móveis, a rapidez na ativação de serviços sem necessidade de cartão físico e uma maior segurança em casos de perda ou roubo do dispositivo”. Já do ponto de vista de engenharia, “a eliminação do slot físico também permite otimizar o espaço interno e reorganizar o hardware de forma mais eficiente”.
Mesmo reconhecendo o “potencial” e acompanhando a “evolução no ecossistema global”, de momento “não existem planos concretos para o lançamento de modelos exclusivamente com eSIM no mercado português”. Ainda assim, entende que “é um cenário inevitável e que, a seu tempo, fará parte da estratégia da marca”.
Os novos protagonistas deste mercado onde já há um unicórnio
Vários prestadores de serviço surgiram neste segmento de comunicações móveis. São várias as aplicações que hoje estão disponíveis para a instalação de um eSIM que, consoante as ofertas, podem garantir apenas acesso aos dados. Há, no entanto, ofertas que incluem voz e SMS. Por regra, estas ofertas são limitadas ou em termos temporais e em termos de quantidades de dados possíveis de serem utilizados. Nas simulações feitas pelo Observador há um pouco de tudo.
▲ Ahmet Bahadir Ozdemir fundou a sua primeira companhia com 19 anos. Do transporte de mercadorias passou para as comunicações móveis e criou um unicórnio.
Ahmet Bahadir Ozdemir geria um negócio de transporte marítimo e repetidamente recebia um pedido: “Obrigada pelos tomates, obrigada pelas batatas. Mas consegue arranjar cartões SIM locais?”. E esse foi o que a empresa apelida de “aha moment”. O atual presidente da Airalo, começou por vender cartões SIM mas em 2018 quando a Apple anunciou o primeiro telemóvel compatível com eSIM, “soube que tinha de construir uma Netflix ou Amazon para a conectividade”, conta ao Observador fonte da empresa. Um ano depois a Airalo lançava a primeira plataforma de eSIM a nível mundial. E tudo nasceu não de uma empresa tecnológica ou de viagens, mas do transporte de mercadorias. Hoje a empresa diz ter mais de 20 milhões de clientes a nível mundial.
Já este ano, com um financiamento liderado pelo fundo de investimento CVC de 220 milhões de dólares, a companhia ficou avaliada em mil milhões de dólares, dando-lhe o estatuto de unicórnio. O primeiro no negócio de eSIM.
Ao Observador a Airalo assume que os pacotes em Portugal funcionam com a Nos, Vodafone e Meo. Tem também uma oferta para os Açores, com a Nos. A Airalo tem pacotes para mais de 200 destinos, desde ofertas com 1GB de dados até acessos ilimitados (para determinados destinos), tendo também pacotes globais, como o Discover+, que integra dados, chamadas de voz e texto para 130 destinos. A empresa anuncia, ainda, que está a trabalhar em planos verdadeiramente locais que vão permitir uma experiência como a dos locais. Esta oferta arrancará no final do ano para cerca de 20 destinos.
“Estamos a registar um crescimento sustentável ao longo do tempo na adoção de eSIM, com picos sazonais alinhados com o verão”, indica, informando que “nos últimos 12 meses Portugal tem estado nos top 10 dos destinos dos nossos viajantes canadianos e brasileiros”. Isto nos clientes que viajam para Portugal; já no caso de residentes em Portugal a viajar para fora, a empresa diz ao Observador que há “flutuações nos destinos populares”. Este verão, em comparação com o do ano passado, houve um maior apetite nas compras de eSIM para o Japão, Indonésia, Suíça, Cabo Verde e China. “Isto pode indicar que os portugueses veem benefícios reais em manterem conetividade neste tipo de destino ou então pode estar ligado a tendências de viagens”.
A Airalo é uma das várias propostas que existem no mercado, onde também está a Halofly, a Nomad, a Alosim, a Ubiji, a Jetpac. Mas também marca a entrada nas comunicações móveis de outros protagonistas.
Revolut alarga serviços disponíveis para os seus utilizadores e quer desafiar operadores
A 12 junho deste ano chegava o anúncio — “Revolut lança eSIM em Portugal: uma forma simples de evitar custos de roaming inesperados”. A Revolut é uma fintech que presta serviços bancários, mas deu um passo para uma nova área.
Nessa data comunicava que “os clientes portugueses poderão instalar um único eSIM Revolut, que podem carregar facilmente sempre que viajam. O eSIM pode ser usado em simultâneo com um cartão SIM físico, permitindo que os clientes alternem facilmente entre redes e nunca mais se preocupem com custos de roaming“. O eSIM da Revolut vai desde 1,5 euros por 1 GB até planos com 20 GB (embora haja opções mais generosas na quantidade, até 100 GB). “A ligação do eSIM permite que os clientes usem a aplicação Revolut sem consumir os seus dados móveis”, indica a empresa.
Ao Observador, fonte oficial da Revolut indica que dois meses depois desse lançamento, “o produto tem sido um enorme sucesso, com milhões de planos de dados já vendidos na nossa plataforma e utilizados em mais de 100 países”. Aliás, assume, “é a funcionalidade ‘não bancária’ (non-core banking feature) mais adotada da Revolut”.
E é também por isso que a Revolut indica estar “a expandir o nosso foco na indústria das telecomunicações, com planos para lançar ofertas domésticas em vários países ainda este ano”. Não revela com quem tem acordos para prestar este serviço, dizendo apenas que “temos uma relação próxima com vários parceiros, o que nos permite oferecer um produto global”. E é “mais um passo na construção de uma app que vai além da ‘banca tradicional’. Está alinhado com a nossa estratégia de oferecer uma experiência completa ao cliente, integrando serviços financeiros e de lifestyle, incluindo viagens. O principal objetivo é proporcionar mais valor aos nossos clientes, incentivando a lealdade e o envolvimento contínuo com a app. Vemos esta funcionalidade a desempenhar um papel importante no nosso ecossistema a médio e longo prazo”.
Uma aplicação que “centraliza múltiplos aspetos da vida quotidiana”. E, embora não se considere um operador de telecomunicações, a Revolut prepara o lançamento dos planos móveis domésticos com números de telefone, chamadas ilimitadas, SMS e dados no Reino Unido, Alemanha e Polónia. “Estes planos foram concebidos para desafiar diretamente os operadores tradicionais, oferecendo serviços móveis mais flexíveis, transparentes e digitais desde a origem. Este passo mostra a nossa ambição a longo prazo de inovar no setor das telecomunicações, enquanto continuamos a construir um banco verdadeiramente global”.
A Revolut não é a única fintech a dar este passo. Também a N26 está a fazê-lo.
▲ Há mais opções para ter dados móveis no estrangeiro em países sem roam like at home
ABEDIN TAHERKENAREH/EPA
Operadores parceiros ou concorrentes?
As empresas não operadoras que oferecem serviços eSIM falam nas empresas de telecomunicações (com rede própria e com licenças) como parceiros. Afinal, dependem delas para prestar esse serviço, já que não têm rede própria e, por isso, têm de fazer uso de infraestruturas existentes. Nenhuma destas aplicações tem o estatuto de operador móvel virtual, como acontece com a Lyca Mobile, que tem esse registo e também tem uma oferta de eSIM. Ao Observador, António Arnaut, country manager da empresa, revela que “70% das vendas online diárias de novos números são compras de eSIM”. Desde agosto de 2023 que a empresa disponibiliza esta opção no mercado. Porém, “o eSIM é utilizado por 4% do total dos clientes ativos — mas está a crescer exponencialmente mês após mês”. Neste momento, a “Lyca Mobile não tem planos exclusivos para eSIM”, diz Arnaut.
Em Portugal, Meo, Nos, Vodafone e agora a Digi têm rede própria, por isso tem de passar por elas estes acordos, apesar de haver aplicações que se servem da existência na União Europeia do roam like at home, fazendo uso de operadores europeus e “viajam” para Portugal com roaming, sendo certo que nas regras para o roaming há limites tanto temporais e pode haver limites de dados (pela política de utilização responsável). Segundo as regras europeias, se num período de quatro meses “passar mais tempo no estrangeiro do que no seu país e utilizar mais serviços em roaming do que serviços domésticos, o seu operador pode contactá-lo e pedir-lhe que esclareça a sua situação”.
No âmbito da política responsável, os operadores podem aplicar limites à quantidade de dados que pode ser utilizada com o preço nacional. “Em alguns casos específicos, poderá ter de pagar uma sobretaxa pelo roaming de dados”, indica a Comissão Europeia. Em 2025, esse limite máximo é de 1,30 euros por GB de dados (mais IVA), diminuindo a partir de 2027 para um euro.
Para os operadores estas aplicações até podem representar negócio, embora não digam que contratos têm estabelecidos. As aplicações não precisam, assim, de ter qualquer licença ou registo junto da Anacom – Autoridade Nacional das Comunicações. O que significa que não têm obrigações regulatórias, não havendo, segundo o Observador apurou, discussões sobre o tema nem no grupo de reguladores europeus, não havendo, também, movimentos públicos para estabelecer imposições de obrigações a este tipo de plataformas.
Os operadores nacionais indicam, por outro lado, que a resposta tem sido geral, tendo descido também os preços praticados. A Nos lançou mesmo uma plataforma, designada Get. Os outros dois principais operadores móveis têm a aplicação eSIM, mas sob a sua marca. No caso da Nos optou por registar uma marca específica para o serviço — “o eSIM da get permite que o utilizador não tenha de desinstalar o seu cartão SIM, utilizando esta solução digital integrada diretamente no dispositivo móvel através de uma app. Esta solução é particularmente útil para quem vai viajar para fora da União Europeia, onde as comunicações não estão abrangidas pelo regime roam like at home, que permite aos cidadãos europeus utilizar os seus telemóveis sem custos adicionais, como se estivessem no seu país de origem”. Tem um valor de partida de 9,99 euros.
A Meo e a Vodafone salientam que são tendências cada vez mais procuradas e ambas as operadoras garantem que hoje em dia já não há necessidade dos tais sustos com a conta de roaming. Mesmo para fora da União Europeia, em que os preços não são tabelados, as operadoras garantem ter “ofertas muito competitivas”.
A Meo admite que estas soluções de eSIM podem ser mais simples e cómodas, nomeadamente na adesão para quem não tem roaming no contrato definido, ou para quem quer ter um segundo número, e garante que os preços hoje nas ofertas dos operadores fora da Europa “são muito competitivas”. A tendência de utilização é crescente. Cada vez mais, indica a operadora da Altice, as pessoas querem estar ligadas à internet, até por causa das redes sociais. O roaming já não é o que era. E hoje as opções para quem viaja são muitas.
▲ Várias empresas têm opções essencialmente com dados móveis — que permitem chamadas através de apps como o WhatsApp
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A preparar as férias? Com que preços é que se pode contar?
Com o mercado a expandir-se, quem vai de férias para países onde as taxas de roaming são custosas tem várias opções à escolha. O Observador consultou os sites de várias empresas com ofertas eSIM para comparar preços. Foram consultados os sites dos operadores de telecomunicações em Portugal (Meo, Nos, Vodafone e Digi) e das empresas de eSIM HolaFly e Airalo para uma comparação de preços. Noutro segmento, também foram vistas as opções disponibilizadas pela fintech Revolut.
A ideia foi perceber qual é o valor mínimo possível de pagar por dados móveis usando um eSIM numa lista de países: Marrocos, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Japão, Tailândia, EUA, Brasil e Turquia.
Uma nota a propósito do Reino Unido, que já não faz parte da União Europeia, portanto o regime roam like at home já não se aplica. No entanto, vários operadores escolheram manter esta opção. No caso da Nos, Meo e Vodafone, o Reino Unido continua a estar incluído na lista de países em que é possível usar o tarifário como se estivesse em Portugal. A Digi também inclui o Reino Unido na lista de países em que se navega como em Portugal, mas com ligeiras diferenças na internet — o tarifário ilimitado passa a ter 9 GB disponíveis em roaming, enquanto o tarifário móvel de 50 GB passa a ter disponíveis 5 GB em roaming, é explicado no site da Digi.
Nos dados recolhidos pelo Observador, é possível ver que alguns destinos têm mais opções do que outros: por exemplo, Angola é o país onde há menos escolha e alguns dos preços mais altos pela menor quantidade de gigas, quer entre os operadores, quer entre as opções HolaFly e Airalo. Também é mais frequente haver mais opções apenas com dados móveis do que com comunicações de voz incluídas (a Airalo tem algumas ofertas com voz, mas só para os EUA, Brasil ou Tailândia).
No caso dos operadores Meo, Nos e Vodafone, há vários destinos em que é possível ativar um pacote de dados móveis. No entanto, na comparação com as empresas dedicadas a eSIM, há menos personalização na quantidade de dias ou de quantidade de gigas que pretende. Porém, disponibilizam maior quantidade em vários casos.
Ainda no universo dos operadores, a Get, lançada pela Nos, concorre com a casa-mãe: em vários casos, arranca com uma opção mínima de 5 GB a partir de 9,99 euros.
A Digi é a que tem menos opções de roaming. E, nos países em que este está disponível, há casos em que só quem tem fatura pós-paga tem acesso a roaming (Turquia e Tailândia). Na tabela, as referências à Digi dizem respeito à consulta do roaming de ligação a Portugal em cada um dos países, com a indicação do respetivo preço por GB. Este operador não tem opção de compra de pacotes de dados móveis em roaming.
A principal conclusão é a de que há ofertas à medida de cada consumidor. As opções de pacotes de dados roaming dos operadores podem ser uma opção se não tiver um telefone compatível com tecnologia eSIM, por exemplo. Ainda que possam ter um valor de investimento maior, também têm, em vários casos, uma maior quantidade de dados.
Centrando apenas as atenções nos eSIM, a Holafly tem a opção mais personalizável: tem dados ilimitados em todos os destinos consultados e é possível escolher ter um cartão apenas pelos dias da viagem (o pagamento é feito por dia). Já a Airalo não permite escolher dias mas é a opção com mais ofertas por destino, em alguns casos conjugando voz e SMS.
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