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Boris Johnson está infetado com Covid-19. O anúncio foi feito esta sexta-feira

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Boris Johnson está infetado com Covid-19. O anúncio foi feito esta sexta-feira

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Os tropeções dos britânicos no combate à Covid-19. “O que afeta o moral não é Boris estar infetado. É o facto de a situação ir piorar"

Depois da inversão de estratégia, o primeiro-ministro e o ministro da Saúde estão infetados. Especialistas avisam que casos ainda vão subir. Mas relembram: é mais fácil falar do que governar.

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David Alexander é um especialista em catástrofes. Professor de Redução de Risco e Catástrofes na University College of London, está habituado a desenhar planos de contingência. Fala aos seus alunos sobre o risco de uma pandemia mundial há já cerca de dez anos, como quase todos os especialistas na área. E avisa-os sempre de que, no combate a um inimigo invisível como um vírus altamente contagioso, há que planear e estabelecer procedimentos — mas também é preciso saber que será sempre necessária uma dose de improviso.

Perante aquilo que o seu país vive hoje, o professor Alexander recorda uma frase que ouviu há cerca de dez anos, num seminário de epidemiologia. “Lembro-me que um dos presentes, o epidemiologista-chefe da direção de saúde da Autoridade Palestiniana (Ziad Abdeen) começou a intervenção dele a dizer o seguinte: ‘O meu trabalho é dizer-vos coisas que vocês preferiam não saber e aconselhar-vos a gastar dinheiro em coisas que vocês acham que não vão acontecer’”, relembra ao Observador. “Bom, acho que isso resume bem a situação em que estamos agora.”

Boris Johnson em visita a um hospital durante a campanha eleitoral de dezembro de 2019

AFP via Getty Images

Com mais de 600 mil pessoas infetadas em todo o mundo e quase 30 mil mortes registadas, ninguém questiona a gravidade da pandemia de Covid-19 que afeta o globo. No Reino Unido, a situação também já fez disparar os alarmes — há neste momento mais de 17 mil casos e mais de mil pessoas morreram —, mas as medidas de contenção mais drásticas foram aplicadas a conta-gotas, depois de semanas a insistir numa teoria de contra-corrente, que defendia o não isolamento para criar imunidade de grupo. Pelo meio, soube-se que o príncipe Carlos, herdeiro da Coroa, estava infetado.

Esta sexta-feira surgiu outro rude golpe: o próprio primeiro-ministro, Boris Johnson, testou positivo para a Covid-19, a par do ministro da Saúde, Matt Hancock. Os sintomas são, contudo, “ligeiros”, razão pela qual ambos continuarão a governar, mas a partir de casa. Podem estes anúncios provocar desconforto entre os britânicos, com um sentimento de estar sem líder, à deriva? Os especialistas ouvidos pelo Observador creem que não. Mais grave, dizem, é o que ainda está para vir: “Temos de nos preparar e ter esperança”, afirma o médico britânico Bharat Pankhania, especialista em doenças infecciosas e na sua comunicação. “Infelizmente, vai haver mais mortes”.

Um país com líderes afetados: primeiro-ministro e ministro da Saúde infetados, diretor-geral da Saúde em isolamento

Boris Johnson demorou 11 horas a decidir contar aos britânicos que estava infetado com Covid-19. A contagem é feita pela Sky News, que também fiscalizou as pessoas com quem o primeiro-ministro contactou nas últimas semanas.

O ministro das Finanças, Rishi Sunak, foi uma delas, já que ambos foram até à porta do Número 10 de Downing Street na noite de quinta-feira, para aplaudir os médicos do Serviço Nacional de Saúde (NHS na sigla original). Mas mantiveram-se a dois metros de distância um do outro, como mandam agora as regras. Só que, antes disso, já Boris Johnson tinha estado no debate semanal do Parlamento, rodeado por dezenas de ministros e deputados. E, algumas semanas antes, apertara as mãos a pessoas infetadas com Covid-19 em hospitais — já para não falar da própria Rainha Isabel II, com quem se encontrou pessoalmente pela última vez a 11 de março. A monarca, que entretanto se refugiou em Windsor, está bem de saúde, a avaliar pela declaração da Família Real.

O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, também está infetado com Covid-19

NurPhoto via Getty Images

Boris anunciou esta sexta-feira ao país que irá ficar em auto-isolamento no Número 11 de Downing Street, onde fica a sua residência privada. Ser-lhe-ão deixadas à porta as refeições, bem como todos os papéis necessários para o seu trabalho. Alguns funcionários da residência foram enviados para casa, outros mantêm-se em funções. Nenhum revelou ter sintomas, para já. Mais frágil é a situação da companheira do primeiro-ministro britânico, Carrie Symonds, que está grávida e pertence, por isso, a um grupo de risco. De acordo com o Daily Telegraph, fará uma semana de isolamento separada do primeiro-ministro, na residência privada do casal.

E quando o Reino Unido ainda recuperava do choque de ter o primeiro chefe de governo do mundo infetado com Covid-19, eis que o ministro da Saúde, Matt Hancock, revelava no Twitter que também ele tinha sido contagiado. Pouco depois, o diretor-geral da Saúde, Chris Whitty, dizia que também sentia “sintomas ligeiros” semelhantes aos da infeção, razão pela qual decidiu isolar-se socialmente.

O país político treme. “Não sabemos como é que o vírus irá infetar o primeiro-ministro. Não sabemos se outras pessoas irão ser afetadas dentro do governo. Tudo isto no momento mais crítico para o Estado britânico desde a II Guerra Mundial”, disse Sam Coates, editor da Sky News. Certo é que, seguindo as regras do professor David Alexander, a parte dos planos e procedimentos já está tratada: se o primeiro-ministro não estiver capaz de governar, será o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, a ocupar o cargo temporariamente. Se também ele ficar gravemente doente, há outro sucessor já nomeado, e por aí fora.

Quanto ao resto, os britânicos esperam que esteja igualmente planeado e que a estratégia não seja a do improviso. “Temos de estar preparados para o facto de que o número de casos no Reino Unido vai aumentar”, prevê Pankhania. “Daqui a duas, três semanas, devem explodir e o vírus deve espalhar-se para lá de Londres. É inevitável: é assim que funcionam os surtos, é isto que os vírus fazem.”

Da imunidade de grupo para o “Fiquem em Casa”. A mudança de 180º na estratégia de combate à Covid-19

A falta de confiança de alguns britânicos na resposta que irá ser dada pelo governo e autoridades a esta epidemia assenta em parte no facto de ter havido uma mudança radical de estratégia do combate ao vírus em duas semanas.

Se há 15 dias as autoridades de saúde pública diziam apostar na estratégia de não confinar ninguém para criar imunidade de grupo, agora pedem a todos isolamento e o governo até se oferece para pagar 80% dos salários aos que deixarem de trabalhar. Na sua conta de Twitter, Boris Johnson tem agora escrito “Fiquem em Casa, Salvem Vidas” a seguir ao seu nome. Como explicar uma inversão de 180 graus tão rápida?

“Quem me dera saber a resposta”, lamenta-se o doutor Pankhania. “Muitos académicos como eu têm-se questionado sobre isso. Andei a escrever e a perguntar porque é que não nos estávamos a focar na contenção de multidões, no controlo das fronteiras, etc.. Porque é que estávamos relaxados?”, questiona-se. Para Bharat Pankhania, infecciologista que já estudou outros vírus como a gripe comum e o SARS, a estratégia deve ser sempre a mesma: “É mais fácil controlar quando se atua rapidamente e logo bem cedo. É isso que os infecciologistas recomendam. Mas eu dou graças por não ser político e ser um simples médico, porque assim não tenho de pensar nas restantes dimensões”, admite.

“É mais fácil controlar quando se atua rapidamente e logo bem cedo. É isso que os infecciologistas recomendam. Mas eu dou graças por não ser político e ser um simples médico, porque assim não tenho de pensar nas restantes dimensões.”
Bharat Pankhania, médico infecciologista que defendeu desde cedo a tomada de medidas de contenção

Também David Alexander diz que é muito difícil fazer previsões quando o único modelo semelhante que se tem de uma pandemia deste tipo é a Gripe Espanhola, que ocorreu há mais de 100 anos. “Há muitas incertezas. Tanto as científicas — como o que é que o vírus evolui, ou qual vai ser a taxa de mortalidade final — como as das respostas que os governos e os cidadãos vão dar. Já para não falar da economia”, acrescenta.

A ideia inicial de combate a esta pandemia no Reino Unido, promovida pelos conselheiros científicos do governo, era a de criar a tal imunidade de grupo. “O nosso objetivo é tentar reduzir o pico, ampliar o pico, não suprimi-lo completamente”, disse um deles, Patrick Vallance, ao Telegraph. “A grande maioria das pessoas infetadas fica com uma doença leve para desenvolver algum tipo de imunidade de grupo e para que mais pessoas fiquem imunes a essa doença. Assim reduzimos a transmissão ao mesmo tempo que protegemos aqueles que são mais vulneráveis ​​a ela. Isto é a chave do que podemos fazer”.

“Nós não vamos fechar as escolas agora”. A estratégia inglesa tem sido diferente: irá manter-se?

O problema é que tal significa que uma minoria poderia desenvolver uma doença mais grave, se não se isolasse. “Há méritos na ideia de deixar a infeção espalhar-se para criar imunidade de grupo, mas é óbvio que muita gente iria achar essa ideia cruel”, resume o especialista de catástrofes David Alexander. “Parece-me que o que se passou é que olharam para um cenário epidemiológico sem ter em conta o cenário sociológico. [A estratégia da imunidade de grupo] até pode levar a uma população mais resistente à doença, mas não é aceitável para as pessoas, ponto final”.

Bharat Pankhania vai ainda mais longe: “Se seguirmos essa ideia à risca, significa que os mais vulneráveis vão ser infetados e vão morrer. E eu não quero encolher os ombros e dizer ‘eles são velhos, é a vida’. Quero protegê-los e mantê-los vivos.” O médico, que é também especialista na comunicação deste tipo de doença, considera que a mensagem foi terrivelmente mal passada, porque “deixou as pessoas zangadas”. “‘Querem que a gente morra?’ foi o que as pessoas pensaram. E sei que não era isso que eles queriam, mas foi assim que foi interpretado.”

Para Boris Johnson, essa resposta popular tornou-se uma dor de cabeça. E David Alexander relembra que é preciso ter em conta que esta não foi seguramente uma ideia do primeiro-ministro, que se terá limitado a seguir os conselhos dos técnicos que o rodeiam: “Quando a ideia chega ao primeiro-ministro já é geralmente um facto consumado, que foi discutido intensamente pelos especialistas”, explica. “Ele é pouco mais do que um papagaio quando a anuncia ao povo. Agora, há uma coisa que ele tem, que é poder de veto às ideias que lhe apresentam. E pode ser perigoso se o utilizar por motivos puramente políticos, pondo vidas em risco, como vemos por exemplo que está a ser feito no Brasil.”

Aquilo que acabaria por convencer de vez Boris Johnson e o seu governo de que a estratégia da imunidade de grupo poderia ser um tiro no pé foi o modelo feito pela Imperial College que estimou que, se não fossem tomadas mais medidas de contenção, o sistema de saúde seria assoberbado e registar-se-iam cerca de 250 mil mortes, quer por Covid-19, quer por outras doenças a que o sistema não teria capacidade de dar resposta, devido à epidemia.

Porque é que o Reino Unido mudou de estratégia? Resposta: os números do atual modelo assustaram

Curiosamente, o matemático e responsável pela equipa que fez o estudo, Neil Ferguson, acabaria ele próprio por ficar infetado com Covid-19. “É uma estranha experiência ser-se infetado pelo vírus sobre o qual se está a produzir modelos matemáticos”, confessou no Twitter.

O médico Bharat Pankhania diz-se aborrecido por ter sido necessário haver um estudo que falava em 250 mil mortes para assustar o poder político, quando tantos especialistas já haviam deixado alertas. “O Richardo Horton da Lancet, eu e muitos outros já tínhamos dito isto antes de sair o estudo da Imperial College. É preciso ouvir os especialistas, não podemos só acreditar quando vemos um elaborado modelo matemático.” Mas a verdade é que a realidade fria e dura dos números foi o fator que forçou a mão do primeiro-ministro.

“Os médicos não são robôs”. O embate que aí vem para o Serviço Nacional de Saúde

A capacidade do NHS para conseguir lidar com o embate que aí vem é ainda uma incógnita. Esta sexta-feira, o vice-primeiro-ministro Michael Gove anunciou que vão ser feitos testes de Covid-19 aos profissionais de saúde e garantiu que a construção de alguns hospitais vai ser acelerada para poderem receber doentes desta epidemia. Mas o próprio diretor do NHS, Simon Stevens, que estava a seu lado na conferência — com os dois metros de distância recomendados — não dourou a pílula: “A pressão no NHS vai aumentar e o nosso pessoal da linha da frente vai enfrentar circunstâncias muito stressantes”, declarou. “Precisamos de mais pessoal e precisamos de mais camas disponíveis.”

Neste momento, o sistema de saúde britânico prevê que necessitará de pelo menos mais 12 mil camas de cuidados intensivos, acompanhadas dos respetivos ventiladores. O governo garante já ter feito um acordo com privados para produzir mais 1.200 ventiladores. Atualmente, haverá cerca de oito mil disponíveis, segundo a BBC.

O Reino Unido enfrenta um problema de falta de camas em Cuidados Intensivos para lidar com esta epidemia

Universal Images Group via Getty

Os relatos da linha da frente que vão saindo já são, por vezes, assustadores. “Estou aterrorizado. Estou mesmo a avaliar se sou capaz de continuar a trabalhar como médico. Eu posso estar bem — sou jovem e saudável —, mas não consigo suportar a ideia de que posso infetar outros doentes com uma doença que os pode matar”, afirmou um médico que publicou um texto anónimo no jornal The Guardian na semana passada, em que denunciava haver falta de material de proteção individual para os profissionais de saúde. O mesmo jornal divulgou esta sexta-feira uma investigação que dá conta de que, há cerca de três anos, o Ministério da Saúde britânico recusou seguir o conselho do NHS para aumentar esse material de proteção, por considerar que tal seria demasiado caro.

Os cortes no NHS ao longo dos anos podem vir a sentir-se agora, de acordo com a opinião de alguns dos que estão no terreno. “Há 20 anos que andamos a cortar no número de camas”, avisa Pankhania. “Sim, é mais caro quando só temos 80% das camas a serem utilizadas em vez de 95%, como temos agora. Mas, quando acontece algo como isto, deixamos de ter capacidade de resposta”, afirma. Para além disso, teme os efeitos de exaustão que a epidemia possa ter nos profissionais de saúde: “Os médicos e os enfermeiros não são animais, não são robôs. Não podem trabalhar [24 horas] dia sim, dia não. Não é possível andar sempre com a quinta mudança posta.” Aquilo que é necessário, diz, é mudar a abordagem que tem sido feita pelos políticos aos cuidados de saúde no país: “Já vem tarde”.

A responsabilidade de Boris Johnson em tempos de epidemia

E é então que voltamos ao ponto de partida: a política. Qual o efeito que um primeiro-ministro como Boris Johnson pode ter no combate a uma epidemia desta dimensão? E pode esse efeito ser minimizado pelo facto de o próprio estar doente?

Os especialistas ouvidos pelo Observador creem que, com Boris infetado ou não, não haverá mudanças de fundo nas decisões do governo. “Se um líder não poder tomar decisões porque está incapaz, podem surgir muitos outros. Não creio que iremos ver o país sem líder, sem ninguém a tomar as rédeas. Haverá liderança. Podemos achá-la boa ou má liderança, mas ela existirá”, diz David Alexander.

Também o médico Bharat Pankhania afirma que “é sempre triste quando alguém fica infetado”, mas é preciso recordar que “a natureza tem horror ao vazio”. “Ou seja, ninguém é indispensável. A vida vai continuar.” O único ponto positivo que poderá advir disto, diz, é que pode levar alguns a compreenderem a gravidade do problema. “Agora, o facto de o primeiro-ministro estar infetado não afeta profundamente o moral do país. Aquilo que está a afetar o moral das pessoas é o facto de a maioria saber que isto ainda vai piorar”, acrescenta.

"Proteger o NHS" foi um dos slogans de campanha de Boris Johnson durante a campanha eleitoral de 2019

POOL/AFP via Getty Images

É perante um cenário que ainda se pode tornar mais dantesco que a capacidade de liderança de um primeiro-ministro pode ser decisiva. Num artigo de opinião publicado no The Guardian, o professor de Ciência Política David Runciman alertava para a ideia de que, ao contrário do que pode parecer à primeira vista com grandes consensos nacionais e oposições caladas, a política não está, de todo, suspensa. “Na democracia temos tendência para olhar para a política como se fosse um concurso entre diferentes partes. Focamo-nos no ‘quem’ e no ‘quê’ da vida política: quem quer os nossos votos, o que nos oferecem, quem beneficia com o quê. Vemos as eleições como forma de decidir quem vence essas discussões”, afirma. “Mas as questões maiores na democracia são sempre sobre o ‘como’: como é que os governos vão utilizar os poderes extraordinários que lhes damos? E como é que nós vamos responder quando eles o fizerem?”.

É por isso que — embora defenda várias vezes que qualquer estratégia técnica de resposta a esta epidemia não foi pensada nem decidida por Boris Johnson — o professor David Alexander alerte para o grande peso que o primeiro-ministro britânico tem sobre os ombros: “Se uma estratégia levar a mortes em massa, o líder do executivo vai ser responsabilizado. As pessoas vão olhar para aquele que transporta consigo essa responsabilidade. E isso pode levar os líderes políticos a terem muito cuidado com as decisões que tomam.”

“Se um líder não poder tomar decisões porque está incapaz, podem surgir muitos outros. Não creio que iremos ver o país sem líder, sem ninguém a tomar as rédeas. Haverá liderança. Podemos achá-la boa ou má liderança, mas ela existirá.”
David Alexader, professor especialista em Redução de Risco e Catástrofes

Não é portanto de espantar que o governo britânico tenha hesitado em avançar com medidas mais drásticas para conter a epidemia, temendo a resposta social a medidas drásticas como o isolamento obrigatório ou o fecho de fronteiras. “Sim, pode manchar-se uma reputação caso se faça demais e se vá demasiado longe”, reconhece Alexander. Em política, a cautela é necessária.

Mas nas epidemias, relembra, o facto de se fazer de menos pode ser ainda mais arriscado. “Deixe-me terminar com mais uma citação”, pede o professor de Redução de Risco e Catástrofes, puxando do caderno para acertar no nome do autor da frase (Michael Leavitt, ex-secretário da Saúde de George W. Bush, num artigo de opinião publicado na Fox News): “Qualquer coisa que se faça antes de uma pandemia parece alarmista. Mas depois da pandemia, tudo o que tiver sido feito vai parecer que não foi suficiente.” Boris Johnson, fechado em casa em Downing Street, talvez esteja a tirar notas.

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