Restaurantes, wine bars e quintas. 15 novidades no mundo do vinho /premium

02 Junho 2019208

Nos últimos meses muitas quintas abriram as portas ao enoturismo, restaurantes renderam-se ao vinho e wine bars viram a luz do dia. Reunimos um conjunto de novidades para quem gosta mesmo do néctar.

By The Wine Azeitão

Rua José Augusto Coelho, nº1, Vila Nogueira de Azeitão

Não foi apenas o sucesso da primeira loja que ditou a abertura do novo By The Wine em Vila Nogueira de Azeitão. É certo que o furor e a romaria à primeira Flagship Store da José Maria da Fonseca — que abriu as portas no começo de 2015 em Lisboa — contribuiu para a decisão, mas a falta de oferta gastronómica no coração vinhateiro da região de Setúbal também teve o seu peso. Vai daí que se optou por replicar a imagem e o conceito do primeiro By The Wine e transportá-lo para as instalações da Casa Museu da JMF.

O By The Wine em Azeitão ocupa aquele que foi o refeitório dos funcionários até finais da década de 1990. A prová-lo estão as mesas antigas cuidadosamente recuperadas, incluindo aquela feita a partir de um antigo tampo de tonel. As fotografias a preto e branco emolduram as paredes e nos tetos ondulantes estão mais de mil garrafas de vinho vazias à semelhança do que já acontece no espaço alojado na capital. Em Azeitão há 100 lugares sentados, distribuídos por duas salas e uma esplanada. A gerir o espaço está Paulo Ferreira, responsável pelo restaurante Casa das Tortas, a poucos metros de distância.

Tanto os pratos como os vinhos sugeridos em carta são os mesmos disponíveis em Lisboa. As tortas de Azeitão, as ostras do Sado, o pão algarvio, as tábuas de queijos nacionais, o ceviche de salmão, o carpaccio de novilho e os enchidos vindos da Casa do Porto Preto são algumas das propostas para partilhar e que podem ser harmonizadas com cerca de 60 referências de vinhos, provenientes de cinco regiões. Apesar de mais conhecida pelos rótulos da Península de Setúbal, a José Maria da Fonseca tem vinhos também no Douro, no Dão, nos Vinhos Verdes e no Alentejo. Todos são servidos a copo, incluindo o Moscatel Trilogia que resulta da junção dos três melhores anos do século XX — referimo-nos às colheitas de 1900, 1934 e 1965. Os preços a copo vão, então, dos 2,60 euros aos 52,20 euros.

A novidade em Azeitão casa bem com a postura da José Maria da Fonseca, que desde a década de 1960 faz visitas guiadas. A título de exemplo, em 2018 o enoturismo recebeu 42 mil visitantes de 80 países.

Contactos: 212 191 366. Domingo, segunda e terça, das 12h às 19h; quinta, sexta e sábado, das 12h às 00h. Encerrado à quarta. Horário de verão, julho e agosto: todos os dias, das 12h às 00h.

A & D Wines

Rua de Arufe 530, Loivos da Ribeira, Baião

Localizada na sub-região de Baião, a Quinta de Santa Teresa, adquirida em 2015, apostou recentemente no enoturismo. Em plena terra de vinhos verdes é possível passear nas vinhas, jardins e bosque envolventes, bem como participar nas tradicionais provas de vinhos numa sala pronta a estrear, localizada no cimo da propriedade e dotada de uma paisagem panorâmica. Para quem não sabe, aqui são produzidos os vinhos Singular e Monólogo da empresa A & D Wines. Resultam dos 33 hectares de vinha que marcam a quinta — numa zona de transição entre a região dos Vinhos Verdes e o Douro –, onde também se realizam almoços, lanches e jantares vínicos, entre outras atividades, para grupos de pequena dimensão.

© DR

Contactos: info@andwines.pt / 229 419 378/9. Visitas das 10h às 12h e das 14h às 18h. 

Quinta dos Murças

Covelinhas, Peso da Régua

Em setembro de 2018 a casa da Quinta dos Murças, no Douro, destrancou as portas e abriu-as ao público. O projeto do Esporão naquela que é a primeira região demarcada e regulamentada do mundo faz, desde então, uma aposta forte no enoturismo. O alojamento com cinco quartos acomoda até 10 pessoas e está voltado para o rio Douro — ainda que tenha acesso direto à piscina e jardins envolventes. Entre a Régua e o Pinhão, a Quinta dos Murças é marcada pela diversidade dos seus oito terroirs e é berço da primeira vinha vertical plantada no Douro, corria o ano de 1947. Mais do que ficar a dormir numa casa recuperada recentemente, o convite do Esporão é para integrar a rotina diária da região, seja no campo, na adega ou na cozinha. A par da estadia, há a possibilidade de participar nos muitos programas disponíveis, desde as tradicionais provas de vinho (incluindo aquela comentada pelo enólogo da casa, José Luís Moreira da Silva) aos passeios pelo campo.

© Rodrigo Simões Cardoso

Preços a partir de 120 euros por noite, em época baixa, em quarto single. Contactos: reservas.murcas@esporao.com

Quinta das Carvalhas

Freguesia de Ervedosa do Douro, concelho de S. João da Pesqueira

O ano de 2018 ficou marcado pela abertura do centro de visitas 17•56 Museu & Enoteca, localizado à beira do rio Douro, no Cais de Gaia. Agora, a Real Companhia Velha traz a lume outras novidades no departamento do enoturismo: o Carvalhas Terrace, assim batizado, foi recentemente inaugurado e ocupa lugar na propriedade que lhe empresta o nome, Quinta das Carvalhas, em pleno Douro vinhateiro. O espaço com capacidade para 80 pessoas permite a prova dos vinhos da casa na companhia da paisagem típica daquele vale. O terraço dotado de mesas e bancos a fazer lembrar piqueniques no meio da natureza (como se pode ver na imagem abaixo disponibilizada) faz-se acompanhar da nova estrada que, na quinta já citada, liga a entrada ao topo, onde fica a Casa Redonda — a 55o metros de altura permite uma vista panorâmica de 360º graus. Estes são de longe os únicos chamarizes das Carvalhas: há ainda um espaço de provas ao ar livre que nasceu de uma antiga ruína reabilitada, instalada em plena vinha de montanha, e inúmeros programas que convidam o visitante a beber um copo.

© DR

Contactos: turismorealcompanhiavelha@gmail.com; 254 738 050 / 925 141 948 

Quinta de La Rosa

Pinhão

O restaurante Cozinha da Clara nasceu em homenagem à memória da matriarca de uma família inglesa a viver no Douro e surgiu como uma resposta gastronómica à oferta de estadia já existente. A Quinta de La Rosa, presente de casamento da avó da atual dona, Sophia Bergqvist, tem 14 quartos (incluindo suites) e piscina, e funciona como uma ampla janela para o rio que serpenteia os socalcos carregados de vinhas. Para entrar com os dois pés na temporada de primavera/verão, o menu da Cozinha da Clara reinventou-se a mando do chef Pedro Cardoso que, focado nos produtos da estação e nas receitas da região, apresenta agora 16 novidades, entre entradas — como sopa fria de tomate assado, cherry confit e lascas de queijo da Ilha –, pratos principais — robalo corado com quinoa, ervilhas e molho de marisco ou vitela com cevadinha cremosa de cogumelos e escalope de foie gras — e sobremesas (bolo de chocolate e amêndoa com creme de manteiga de café). O enfoque especial vai para quem é vegetariano: puré de batata trufado, cogumelos frescos e espargos verdes ou cevadinha francesa com misto de cogumelos.

© DR

Contactos: bookings@quintadelarosa.com; 254 732 254 / 931 461 038

Quinta do Pôpa

Adorigo, Tabuaço

Há muito que a duriense Quinta do Pôpa, que leva a alcunha do avô dos dois irmãos que a gerem, disponibiliza um brunch vínico. A refletir as preocupações acrescidas no campo da alimentação, Stéphane e Vanessa Ferreira apostaram recentemente em alimentos sem glúten, em produtos hortícolas e também em leite sem lactose, além de lanches apropriados para crianças. A par destas preocupações que vão ter lugar à mesa, a Quinta do Pôpa abre também as portas aos animais, sendo por isso pet friendly. A isso juntam-se os tradicionais programas de enoturismo que podem ser consultados aqui.

© DR

Contacto: turismo@quintadopopa.com / 916 653 442

Quinta do Gradil

Estrada Nacional 115, Vilar, Cadaval

A fachada de um palacete oitocentista é um dos cartões-de-visita daquela que é uma das quintas mais antigas no concelho do Cadaval, na região dos vinhos de Lisboa — foi adquirida pelo último proprietário no virar do século, mas o palácio existente pertenceu à sexta geração do Marquês de Pombal (tem 165 anos de história). As ruínas apalaçadas têm sido gradualmente reabilitadas — num processo de reestruturação que só termina em 2020 –, mas o Salão dos Marques de Pombal apto à organização de eventos já se encontra disponível ao público (recebe até 300 pessoas sentadas), bem como a secular Capela de Santa Rita (o fresco por cima do altar data de 1881). As estas novidades juntam-se os muitos pacotes de enoturismo promovidos pela quinta, incluindo a participação nas vindimas, e também o restaurante apostado em casar gastronomia com os vinhos da casa (aberto todos os dias da semana, à exceção de terça-feira).

© DR

Contactos: info@quintadogradil.pt; 262 770 000 / 917 791 974

Quinta da Boa Esperança

Rua da Moita, Zibreira

Nesta quinta, projeto criado em 2015 no concelho de Torres Vedras, na região vitivinícola de Lisboa, a ambição é clara: dar vida a vinhos de guarda e sustentáveis. Artur Gama e Eva Moura Guedes, casados há mais de duas décadas, são os responsáveis pela Quinta da Boa Esperança que nos últimos meses abriu as portas aos enófilos. Às tradicionais provas de vinhos (com diferentes rótulos e preços) junta-se a possibilidade de fazer eventos à medida, incluindo refeições numa belíssima sala decorada a gosto por Eva Moura Guedes, especialista em restauração de mobiliário antigo nas horas vagas.

© DR

Contactos: 261 742 044

Quinta de Chocapalha

Aldeia Galega da Merceana

Situada em Alenquer, também na região dos vinhos de Lisboa, a Quinta da Chocapalha é propriedade da família Tavares da Silva — a enóloga da casa é Sandra Tavares da Silva, que tem ainda um projeto de vinhos no Douro, Wine & Soul, juntamente com o marido (além de outros trabalhos de consultoria). O enoturismo da quinta que fica na Aldeia Galega da Merceana — a cerca de 45 minutos de distância da capital — contempla visitas à adega, provas de vinho e visitas às vinhas, as quais estão referenciadas desde o século XVI. Os programas não são fechados e podem ser moldados a gosto e feitos, se for essa a vontade, na companhia de alguém da família.

©DR

Contactos: chocapalha@chocapalha.com /  263 769 317

Ribafreixo Wines

Adega do Moinho Branco, Vidigueira

A adega do Moinho Branco é uma das adegas de design que pontuam as mais de 10 regiões vitivinícolas de Portugal. Situada na Vidigueira, é onde nascem os vinhos da Ribafreixo. Inaugurada a tempo de receber a vindima de 2012, há muito que estava apta a receber turistas mas, agora, a conversa é outra: o projeto alargou as suas ofertas de enoturismo, disponibilizando mais recentemente provas de vinho harmonizadas com petiscos locais, workshops de vinhos e até piqueniques nas vinha (como sugestionados na fotografia abaixo).

© DR

Contactos: 963 559 964 / tours@ribafreixo.com

Wine Room Lisboa

Travessa da Memória, número 47 A, Lisboa

Diferenciador é o facto de a Wine Room ter brunch vínico como oferta gastronómica (19,50 euros; de segunda a sábado, a partir das 11h). A carta de vinhos, que os mentores do projeto asseguram ser “eclética”, faz-se de 45 referências nacionais servidas a copo e está a cargo da escanção Carla Reis. No menu de degustação constam produtos que ajudam a representar a diversidade da tradição portuguesa à mesa, do queijo Tia Joaquina vindo da Beira Baixa ao bucho de Trás-os-Montes, não pondo de lado o presunto de porco preto alentejano. A Wine Room é mais do que um wine bar, asseguram os seus fundadores: existe uma componente pedagógica muito forte e, exemplo disso, são as provas mensais com produtores convidados a acontecer num registo gratuito. Workshops temáticos também fazem parte do ambicioso calendário de eventos, bem como o serviço wine concierge, isto é, no caso de ter um jantar de amigos e/ou família em casa, Carla Reis não só aconselha e vende os vinhos a harmonizar consoante o menu, como dá dicas para melhor servir esta bebida.

© DR

Contactos: 21 802 4413. De segunda-feira a sábado, 11h às 23h. 

Donna Taça

Rua do Telhal, 4 B, Lisboa

Está aberto há sensivelmente seis meses e é vizinho da Avenida da Liberdade. O wine bar Donna Taça disponibiliza na carta mais de 50 vinhos, mas há uma lista de vinhos nacionais e internacionais — americanos, franceses, chilenos ou argentinos — com muitas mais propostas, até porque o espaço também funciona como garrafeira. Mas não há que temer escolher um rótulo: na dúvida, a equipa pergunta sempre o que o cliente tem em mente. Todos os vinhos da carta são servidos a copo e, presentemente, os preços variam entre os 3 e os 69 euros (o rótulo mais caro diz respeito ao tinto Quinta da Gaivosa 2011, do Douro). A acompanhar os vinhos estão as típicas tábuas de enchidos e de queijos.

© Instagram Donna Taça

Contactos: 216 022 085. Todos os dias, das 12h às 23h. 

111 Vinhos

Rua Sociedade Farmacêutica, 20 A, Lisboa

A distribuidora é de janeiro de 2015 e a loja que lhe leva o nome, 111 Vinhos, de setembro último. Ao todo, há 100 referências de vinhos — sobretudo portugueses, mas também moldavos e argentinos — na carta deste wine bar que também é uma garrafeira, além de ter uma esplanada nas traseiras onde se organizam eventos. Nem todos os vinhos são servidos a copo, sendo que esses rótulos variam mensalmente (entre 2,50 euros e 7 euros). A 111 Vinhos está, neste momento, a diversificar a oferta de vinhos, que vão além daqueles que a distribuidora representa, e também as propostas de gastronomia: às tábuas de queijos e enchidos vão adicionar as conservas. Como esta é também uma garrafeira, é possível comprar as garrafas e consumi-las no espaço pagando o serviço que é comummente conhecido como taxa de rolha (no valor de 3 euros).

©DR

Contactos: 21 354 0347. Das 17h às 22h, de terça a sábado. Encerrado à segunda-feira e ao domingo.

Nova Sala ViniPortugal

Rua das Flores, nº8 a 12, Porto

A nova Sala da ViniPortugal tem lugar cativo na Rua das Flores, no Porto, e abriu em fevereiro último para dar a provar os vinhos portugueses a quem a visita. A ideia é aprofundar o conhecimento em vinhos e promover provas temáticas comentadas. Os vinhos disponíveis nas salas da ViniPortugal são aqueles medalhados com “Ouro” e “Grande Ouro” no Concurso Vinhos de Portugal no ano transato, e há ainda propostas “raras” e “especiais”, nascidas a partir de castas nacionais ou de métodos de vinificação como talha ou curtimenta. Cada visitante tem acesso a um cartão de consumo que o permite provar rótulos diferentes.

Contactos: 223 323 072 / 351 966 371 102. De segunda-feira a sábado, das 11h às 19h.

Pour Decisions

O bar de vinhos itinerante que cobre Lisboa, Sintra e Cascais existe há sensivelmente um ano. Mais recentemente o projeto cresceu. A equipa por detrás do serviço de provas ao domicílio (com pacotes de provas específicos que podem ser consultados aqui) lançou uma publicação dedicada ao vinho: a “Winona” apresenta conteúdos focados “nos vinhos naturais portugueses de produtores independentes”, mas também temas dedicados ao lifestyle e à cultura. É uma publicação impressa e, segundo o comunicado enviado, pretende alcançar leitores “mais ou menos exigentes e mais ou menos connoisseurs de vinhos, que não se importem de assim continuar”. A revista é ideia de três amigas — Andreia Luísa, Marta Almeida Santos e Patrícia Pombo — de áreas diferentes (publicidade, cultura e restauração). A revista custa 5 euros, pode ser encomendada ou adquirida em espaços como a Comida Independente.

© DR

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)