Selecionar 14 vinhos de um rol quase infinito de sugestões não é tarefa fácil ou rápida de concluir. Para o exercício sair mais certeiro, definimos três critérios: colheitas recentes, vinhos relativamente fáceis de encontrar e abaixo dos 10 euros. Todos eles aptos a serem bebidos numa tarde ou noite de verão, na esplanada, à beira-mar ou no conforto de casa. Não esquecendo nunca que o gosto pessoal é o derradeiro elogio, deixamos ficar uma lista de vinhos frescos, versáteis, e com histórias para contar.

Soalheiro Alvarinho 2017

Vinhos Verdes 8,90 euros

Um clássico que nunca sai de moda e uma aposta segura. Descrito como um vinho “intenso, elegante e com volume”, o Soalheiro Alvarinho 2017 resulta da vindima mais precoce alguma vez realizada na Quinta de Soalheiro, um dos primeiros produtores da casta em Portugal. O vinho nascido e criado no terroir de Monção e Melgaço é sugerido por quem o faz enquanto aperitivo ou para acompanhar marisco, pratos de peixe ou pratos de carne de aves. A mineralidade é o seu ex-libris.

Quinta de Azevedo Reserva 2017

Vinhos Verdes 7 euros

Apesar de a Sogrape ter adquirido a Quinta de Azevedo na década de 80, na região dos Vinhos Verdes, só agora a marca Azevedo nasce com duas referências recém-chegadas ao mercado, incluindo o Reserva 2017, um vinho com vocação gastronómica, boa acidez e textura cremosa. Tanto esta como a referência irmã, à base de Loureiro e Alvarinho, representam a aposta da gigante vitivinícola na casta Alvarinho, cuja distinção é cada vez maior além-fronteiras.

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Monólogo Arinto Branco 2017

Vinhos Verdes 7,50 euros

Não é a primeira vez que escrevemos sobre os vinhos Monólogo — já antes demos destaque às referências da empresa A&D Wines pelo diálogo contínuo, entre o vinho e a sua origem, que os rótulos proporcionam. A linha Monólogo é feita de monocastas, incluindo o Arinto, cuja colheita mais recente resulta num vinho fresco e aromático, a bem da região de onde provém, e com uma estrutura interessante. Assegura quem o faz que este monólogo que é mais um diálogo caracteriza-se por ser bastante citrino, com uma “acidez vibrante” e um final de boca particularmente fresco.

Contos da Terra Tinto 2016

Douro 5,55 euros

É também um vinho gastronómico, jovem e fácil de beber. O Contos da Terra é uma das referências da duriense Quinta do Pôpa, gerida pelos irmãos Stéphane e Vanessa Ferreira. A propriedade e os vinhos que nela são produzidos surgem da vontade dos irmãos em homenagear o avô, que nasceu entre as vinhas do Douro a desejar ter o “seu pedacinho” — o que nunca conseguiu em vida é agora recorrente veneração póstuma. Tinta Roriz, Tinta Franca, Touriga Nacional e Tinta Barroca são as castas que compõem a receita deste vinho.

Lavradores de Feitoria Branco 2017

Douro 4 euros

Em vésperas de lançar o vinho homólogo, correspondente à colheita de 2017, a empresa Lavradores de Feitoria deparou-se com um artigo elogioso no jornal The Guardian, onde o respetivo branco de 2016 foi considerado um “branco português perfeito”. As palavras escolhidas a dedo por David Williams caíram bem ao projeto duriense e abriram caminho para a nova colheita, que agora chega ao mercado. O irmão mais novo do vinho original resulta de um blend com as castas típicas da região — Malvasia Fina, Gouveio e Síria — e são provenientes de vinhas com idades compreendidas entre os 25 e os 30 anos.

Quinta dos Termos Fonte Cal Reserva 2017

Beiras 7,95 euros

O vinho viu a luz das prateleiras de garrafeiras e de restaurantes em março deste ano, mas a casta a partir da qual é feito tem uma história interessante para contar. Fonte Cal, casta autóctone da Beira Interior, foi em tempos abandonada pelos viticultores por ser pouco produtiva. A Quinta dos Termos, numa tentativa de conservar o ADN daquela região, começou um trabalho de recuperação do tipo de uva, em parceria com o Ministério da Agricultura e o Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Em 2002, os enólogos da quinta lançavam para o mercado o primeiro monocasta Fonte Cal da casa, um projeto que continua até hoje.

Quinta dos Carvalhais Rosé 2017

Dão 6,49 euros

A região é particularmente conhecida pela casta Encruzado, uva branca que traz complexidade ao vinho e que também é explorada na Quinta dos Carvalhais (a Sogrape está presente na região desde 1957). Mas a grande novidade deste verão é o primeiro rosé criado naquela propriedade, feito a partir de Touriga Nacional e Alfrocheiro, resultando num vinho fresco e equilibrado. Está à venda em restaurantes e garrafeiras.

Pinho Leão Baga Bairrada Bruto Branco 2016

Bairrada 7 euros

É um dos mais recentes espumantes a fazer parte do cluster “Baga Bairrada”, uma categoria de vinho criada pela Comissão Vitivinícola da Bairrada, em 2015, para ajudar a projetar a região e a proteger a sua identidade. O espumante criado pela Casa Agrícola António Santos Lopes, em Anadia, apresenta uma “bolha fina e persistente”, além de se mostrar, na boca, fresco e cremoso. Quem o fez acredita que vive bem enquanto aperitivo, além de funcionar como companheiro do peixe, do marisco, das carnes brancas e das saladas, pratos típicos de uma refeição de verão.

Quinta da Alorna Rosé 2017

Tejo 4,99 euros

O monocasta Touriga Nacional, casta plantada na zona da Charneca, na região vitivinícola do Tejo, é da autoria de Marta Reis Simões, diretora de enologia da Quinta da Alorna, que já antes conversou com o Observador sobre as pontencialidades da casta Fernão Pires. O rosé revela um aroma frutado e, assegura quem o criou, é marcado pela groselha, framboesa e morango. A sugestão é acompanhar o vinho com pastas, saladas e sushi.

Ninfa Maria Gomes 2016

Tejo 7,95 euros

Por falar em Fernão Pires (ou Maria Gomes), na região vitivinícola do Tejo também encontramos o Ninfa Maria Gomes 2016, um monocasta lançado no mercado há sensivelmente um ano, mas que ainda se encontra disponível (pode ser encomendado, por exemplo, no respetivo site). O vinho do produtor João M. Barbosa apresenta um “aroma floral contido”, uma “boca volumosa” e uma mineralidade característica.

Quinta do Monte D’Oiro Lybra Rosé 2017

Lisboa 8 euros

O Lybra rosé (a par do branco da mesma linha) é o primeiro vinho biológico certificado da Quinta do Monte D’Oiro, na zona de Alenquer, que desde 2006 anda apostada em converter toda a sua viticultura para o modo de produção biológico. A nova colheita da marca Lybra não desilude e o rosé, elaborado a partir da casta Syrah, mostra-se fresco, seco e muito gastronómico.

Quinta de Chocapalha Sauvignon Blanc 2017

Lisboa 9 euros

É um dos três vinhos brancos clássicos da Quinta de Chocapalha, projeto de família também ele sediado na região de Lisboa. O monocasta Sauvignon Blanc tem origem nas vinhas mais velhas da propriedade e em parcelas específicas, escolhidas a dedo. A proximidade do mar reflete-se nos vinhos, neste em particular, que se revela fresco e com aptidão gastronómica, sem descurar as características típicas concedidas pela casta.

Vicentino Tinto 2015

Alentejo 7,50 euros

O vinho está sob o chapéu da ainda recente marca “Vicentino” e provém de uvas que ocupam terrenos na Zambujeira do Mar. O néctar que o norueguês Martin Siem se propôs a criar expressa características facilmente associadas à Costa Alentejana e, como já antes escrevemos, é “fresco como o mar”. Feito a partir das castas Touriga Nacional, Aragonês e Syrah, está à venda em algumas lojas da grande superfície.

Herdade São Miguel

Alentejo 5 euros

É fácil de beber e, segundo a ficha técnica, acompanha peixes grelhados, marisco, sushi e saladas. O rosé da alentejana Herdade de São Miguel tem uma nova colheita, recém-chegada ao mercado, e promete ser fresco e mineral, “com notas de frutos tropicais e frutos vermelhos”. O vinho está também à venda em algumas lojas da grande superfície.