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Chefe de Estado ucraniano designou Portugal como um "sincero amigo e parceiro"
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Chefe de Estado ucraniano designou Portugal como um "sincero amigo e parceiro"

LUSA

Chefe de Estado ucraniano designou Portugal como um "sincero amigo e parceiro"

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Snipers em São Bento, o "obrigado" de Zelensky e o jantar em Belém. As seis horas da visita relâmpago do Presidente ucraniano

No Palácio de São Bento, segunda paragem de Zelensky em Portugal, havia snipers e um dispositivo de segurança reforçado. Durante 6 horas, multiplicaram-se agradecimentos, abraços e apertos de mão.

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O tempo estava quente no exterior do Palácio de São Bento. Ao fundo, ouvia-se o barulho dos pavões e das obras de um prédio nos arredores. Por volta das 14h45 desta terça-feira, ao lado da residência oficial do primeiro-ministro, ainda havia duas bandeiras — a portuguesa e a da União Europeia. Assim que o avião que transportava Volodymyr Zelensky pousou no aeródromo de Figo Maduro, foi imediatamente colocada uma terceira: a ucraniana.

Numa televisão no exterior do jardim do terraço, assistia-se ao Presidente ucraniano a sair da aeronave por volta das 15h e a ser energeticamente cumprimentado pelo homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, e por Luís Montenegro, que se dirigira ao aérodromo desde a residência oficial 30 minutos antes. No Palácio de São Bento, num entre e sai constante do interior do edifício, preparava-se a chegada do chefe de Estado ucraniano.

Recebendo um líder de um país em guerra que angariou alguns inimigos, a segurança não era deixada ao acaso, com o Palácio a ser constantemente vigiado, principalmente por dois snipers. Um deles, denunciado pelo comprimento da arma e raramente visto, estava no segundo andar do edifício.

Chegada de Volodymyr Zelensky a Portugal recebido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Um helicóptero da Força Aérea, a equipa de assessores e o aumento da segurança. A chegada de Zelensky a São Bento

Recebido com honras militares e tendo-se ouvido o hino português e ucraniano em Figo Maduro, a comitiva de Volodymyr Zelensky e a portuguesa seguiram caminho para o Palácio de Belém. Durante o compasso de espera, e com o aproximar da hora da chegada, aumentava o número de pessoas que se aglomeravam em frente à residência oficial do primeiro-ministro.

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A delegação portuguesa foi a primeira a chegar, composta pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, entre outros, que rapidamente entraram no Palácio de São Bento. Entretanto, um carro estacionava à porta da residência do primeiro-ministro e saíam alguns assessores, fotógrafos e jornalistas ucranianos.

[Já saiu o terceiro episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio e aqui o segundo episódio.]

Passados alguns segundos, o barulho das obras e dos pavões subitamente é interrompido pelo som de um helicóptero da Força Aérea — o AW119 Koala — que sobrevoava o Palácio de São Bento. Era um indício de que o carro descaracterizado que transportava o chefe de Estado ucraniano estava prestes a chegar. Confirmou-se — e eis que Volodymyr Zelensky saía do carro. Luís Montenegro esperava-o. Recebeu-o e depois os dois deram um vigoroso aperto de mão.

O helicóptero que seguiu a viagem de Zelensky a Portugal

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Da televisão no exterior do Palácio de São Bento, ao lado de uma mesa com bolachas, água e fruta para os jornalistas, via-se Volodymyr Zelensky a assinar o livro de honra e a transmitir uma mensagem de gratidão. Após alguns minutos, começou uma reunião à porta fechada, que contava com a delegação portuguesa e ucraniana.

Entre seguranças e assessores, alguns ucranianos que integravam a comitiva de Kiev também esperavam no exterior. Uns tiravam selfies em frente ao Palácio de Belém, outros conversavam. Havia ainda alguns que esperavam por um encontro com Volodymyr Zelensky; após a conferência de imprensa e a assinatura do acordo sobre cooperação de segurança entre Portugal e a Ucrânia, o Presidente encontrou-se com alguns membros da comunidade ucraniana em território nacional.

Luís Montenegro recebe Volodymyr Zelensky em São Bento

ANDRE DIAS NOBRE

A assinatura do acordo e o “obrigado” de Zelensky

Antes de a reunião privada ter oficialmente acabado na sala de jantar, os jornalistas e repórteres de imagem eram encaminhados para uma divisão cheia de cadeiras, onde Volodymyr Zelensky e Luís Montenegro iam discursar. Paulatinamente, alguns membros da delegações, como Paulo Rangel ou chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, Andriy Yermak, iam chegando.

Na sala, em frente às dezenas de cadeiras e câmaras, estava uma mesa de vidro com duas pastas: uma azul, outra vermelha. Lá dentro, estava uma cópia do acordo que Volodymyr Zelensky e Luís Montenegro assinaram, algo que fizeram logo que chegaram à divisão. Antes, só tiveram tempo para pôr o auricular do dispositivo que fazia a tradução simultânea.

No canto da sala, rodeada de segurança e assessores das duas delegações, uma mulher traduzia o que Luís Montenegro e Volodymyr Zelensky diziam. Presentes estavam não só representantes de meios de comunicações nacionais, como também alguns jornalistas estrangeiros, entre brasileiros e ucranianos.

A conferência de imprensa entre Zelensky e Montenegro, que assinaram um acordo em conjunto

LUSA

No início da conferência de imprensa, Luís Montenegro destacou que era uma “honra receber em Portugal” o Presidente da Ucrânia, recordando que “acontece durante uma das páginas mais negras da História da Ucrânia e da Europa, ditada por uma guerra e agressão por parte da Rússia”. “Quando a Rússia lançou a sua brutal invasão, muitos pensaram que a Ucrânia não iria sobreviver enquanto Estado livre. A sua presença aqui, senhor Presidente, e as demonstrações de resistência que o povo ucraniano tem mostrado frente a um adversário impiedoso são uma clara demonstração da vontade férrea do povo ucraniano em preservar a sua liberdade, soberania e integridade do seu território.”

Volodymyr Zelensky ouvia atentamente Luís Montenegro, acenando com a cabeça em jeito de aprovação. Entre os pontos elencados pelo primeiro-ministro, esteve a cimeira da paz da Suíça — confirmando-se a presença de Portugal, representado por Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Rangel —, o apoio português de 126 milhões de euros em 2024 e a promessa de que Portugal não abandonará a Ucrânia.

O chefe de Estado ucraniano retribuiu e designou Portugal como um “sincero amigo e parceiro”, elogiando o “calor” de Portugal, numa referência ao estado de tempo desta terça-feira soalheira de maio. Entre os agradecimentos, planos futuros e a importância do apoio luso, Volodymyr Zelensky deixou um pedido, que extravasa as fronteiras nacionais: que o mundo não se “canse” da guerra e não ceda às “narrativas russas” que indiciam que Kiev está perto da derrota.

A conferência de imprensa entre Zelensky e Montenegro

LUSA

Após responderem a perguntas de quatro jornalistas, Volodymyr Zelensky e Luís Montenegro voltaram a dar um vigoroso cumprimento de mão e o Presidente ucraniano deixou escapar um “obrigado” — em português — ao lado do primeiro-ministro.

O encontro com a comunidade ucraniana e a ida para Belém

Num encontro sem a presença dos jornalistas, mas transmitido na televisão exterior do Palácio de São Bento, o Presidente da Ucrânia reuniu-se com membros da comunidade do país, assim como alguns portugueses que estiveram em missões militares na Ucrânia.

Foi um encontro breve, durando cerca de 15 minutos. Ouvia-se novamente o som do helicóptero, era altura de o chefe de Estado ucraniano sair do Palácio de São Bento. Volodymyr Zelensky seguiu para Belém, onde Marcelo Rebelo de Sousa o esperava para uma reunião e depois um jantar de trabalho. Neste último, Luís Montenegro também foi convidado, tal como o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Montenegro e Zelensky saem do Palácio de São Bento

ANDRE DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Em Belém, tocou o hino da Ucrânia e, de seguida, o hino português. O helicóptero da Força Aérea, que acompanhou a viagem de Volodymyr Zelensky em Lisboa, sobrevoava o Palácio de Belém e acabou por interromper o hino nacional.

Os dois chefes de Estado deslocaram-se seguidamente para a sala das Bicas, onde Volodymyr Zelenksy assinou o livro de honra do Palácio de Belém e os dois tiraram a fotografia oficial. Tal como tinha acontecido em Figo Maduro, Marcelo Rebelo de Sousa mantinha-se muito próximo do seu homólogo ucraniano, agarrando-lhe várias vezes o braço.

Em frente ao Palácio, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa e Volodymyr Zelensky provavelmente discutiam os preparativos para a cimeira de paz na Suíça ou a adesão da Ucrânia à União Europeia e à NATO, algumas dezenas de ucranianos organizavam uma manifestação de apoio à Ucrânia, embora a uma distância considerável — uma vez que as baias da PSP impedem que se chegue próximo da entrada do Palácio de Belém.

epa11376185 Portuguese President Marcelo Rebelo de Sousa (R) welcomes Ukraine's President Volodymyr Zelensky at Belem Palace in Lisbon, Portugal, 28 May 2024. President Zelensky is on a working visit to Portugal to strengthen bilateral relations, especially cooperation in the field of security and defense.  EPA/MANUEL DE ALMEIDA

A manifestação de ucranianos, o encontro de Marcelo e Zelensky e a despedida de Zelensky

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Após o jantar, Volodymyr Zelensky despediu-se do primeiro-ministro e do Presidente da República, abandonando o Palácio de Belém. Dirigiu-se a Figo Maduro para apanhar o avião que o levaria, ainda na noite desta terça-feira, a território polaco. Daí, voltará à Ucrânia esta quarta-feira, após um périplo que contou com uma visita relâmpago a Portugal, Bélgica e Espanha.

 
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