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[Este texto faz parte de uma série que o Observador está a publicar sobre os terramotos políticos provocados pelos partidos antissistema de direita radical em diferentes países da Europa Ocidental. Pode ler também sobre os casos da Alemanha, Espanha, Reino Unido, Grécia e França]
Tudo o que temos com os sociais democratas são preços mais altos e menos empregos. Eles simplesmente não têm a visão certa. Eu votei na direita da última vez e, a não ser que algo mude radicalmente, voltarei a fazê-lo.
Elias Abrahamsson tem 21 anos e estuda gestão na cidade de Uddevalla, onde não é o único a expressar a sua desilusão com a governação social-democrata. Nesta cidade da costa oeste da Suécia, a autarquia é liderada pelos Democratas Suecos, o partido mais à direita do espectro político nacional. Ainda assim, nas eleições legislativas de 2022 — que Elias comentava no final do ano passado ao Politico — o Partido Social Democrata foi o mais votado, seguido dos Democratas Suecos. Em Uddevalla, o principal motor económico é o porto e os principais eleitores os trabalhadores das docas, o que torna a cidade um terreno fértil para ambos os partidos, que disputam o mesmo eleitorado: a classe trabalhadora.
A cidade, alguns quilómetros a norte da segunda maior cidade da Suécia, Gotemburgo, é um reflexo do panorama nacional, em que os sociais democratas perdem terreno para os Democratas Suecos, que se assumem como a maior força política à direita. A sua preponderância levou a que fossem incluídos na solução de governo à direita que resultou das eleições legislativas de 2022. Porém, mesmo sem ter conseguido formar governo, o Partido Social Democrata foi o partido mais votado, com 30,33% dos votos e 107 lugares conquistados no Riksdag.
Quando comparado com a situação dos restantes partidos socialistas e sociais-democratas na Europa, este resultado poderá não parecer uma derrota acentuada. Mas este é mesmo um dos piores momentos dos 136 anos de História do Partido Social Democrata, que passou a maior parte dos últimos 100 anos no poder. Entre 1932 e 1976, os sociais democratas só não governaram durante um breve período de 100 dias.
A solidez da economia, da democracia e do Estado Social sueco levou os cientistas políticos a utilizar o termo “excecionalismo sueco“, que comportava o facto de a cultura política do país não acompanhar as tendências neoliberais ou as mais extremistas dos seus pares europeus. Mas a viragem do milénio pôs fim aos anos de ouro do Partido Social Democrata, a direita formou dois governos consecutivos e a direita radical entrou no Parlamento. Em 2012, Stefan Löfven assumiu o leme dos sociais-democratas e conduziu-os a oito anos de governos de coligação minoritários.
▲ Stefan Löfven foi primeiro-ministro durante sete anos, sempre em coligações frágeis
Jessica Gow/EPA
Löfven tornou-se a pedra de toque para a crise da social democracia que não conseguiu resolver. Os seus críticos apontam-no como responsável pela queda do Partido devido à sua incapacidade de se adaptar a um novo contexto. Outros destacam uma tendência inevitável a nível global que simplesmente chegou à Suécia com algum atraso. Os anos de “atraso” podem, no entanto, ser essenciais para os sociais democratas empreenderem mudanças que evitem uma queda ainda maior como a dos seus pares europeus. O primeiro passo já foi dado: começa esta quarta-feira o Congresso do Partido Social Democrata em que será votado um novo programa político, com prioridades reformuladas.
Quatro décadas no poder, a política de blocos e o excecionalismo: a preponderância da social-democracia
Olof Palme chegou a primeiro-ministro em 1969 e encabeçou três governos consecutivos. Sob a sua liderança, a economia sueca tornou-se uma das mais fortes da Europa, o movimento sindical consolidou-se e construiu-se um Estado social abrangente, que se tornou exemplo para muitos no resto do continente. Foi precisa uma coligação de três partidos de centro-direita para derrubar nas eleições de 1976 — o Partido do Centro, os Moderados e os Liberais — e Palme haveria de regressar ao poder na década de 80.
O facto de terem sido necessários três partidos para derrotar quatro décadas de governos sociais-democratas ajuda a explicar a definição da política sueca do século XX, em que havia apenas cinco partidos, como uma “política de blocos”, como definem os académicos: de um lado o “bloco socialista”, do outro o “bloco burguês”, que incluía os partidos da nova coligação. Os sociais-democratas eram de tal forma preponderantes que constituíam o seu próprio bloco, com capacidade de definir a agenda a partir da oposição. Mesmo quando o centro-direita assumiu o poder entre 1976 e 1982, os apoios sociais implementados pelos sociais-democratas não foram revertidos.
A consolidação da social-democracia na Suécia já tinha dado provas ainda antes de Palme, quando preveniu o país de acompanhar as tendências de extrema-direita europeias da década de 1930. Tudo isto somado levou à criação do conceito de “excecionalismo sueco”, uma espécie de “imunidade” às tendências radicais, populistas e antissistema. Em 2002, o sociólogo Jens Rydgren apontou algumas justificações para este excecionalismo: o voto de classe ainda tinha impacto, tirando lugar às preocupações socio-culturais na hora de votar; havia poucos partidos e, portanto, os que existiam tinham políticas claramente distintas; e o partido da direita radical era visto como “demasiado radical”.
A transição do século XX para o século XXI foi um golpe neste sistema. Enquanto na década de 1980 o resto do mundo começava a ser dominado por políticas económicas neoliberais, a Suécia vivia um quarto governo de Olof Palme (até à sua morte) e outros dois governos de minoria social-democrata. Mas a mudança chegaria ao país na década seguinte: todos os partidos revelaram maior abertura à economia de mercado, mas a transição foi mais visível nos Moderados que, assim, ganharam espaço à direita (roubado ao Partido do Centro). Na mesma altura, entraram no Riksdag novos partidos, como os Democratas Cristãos e os Verdes, pondo fim ao sistema tradicional de cinco partidos. E, em 1988, era fundado um novo partido que viria a pôr fim aos blocos e ao excecionalismo: os Democratas Suecos.
▲ Jimmie Åkesson contribuiu para a moderação dos Democratas Suecos e levou-os ao Parlamento
JOHAN NILSSON/EPA
Nos primeiros anos, os Democratas Suecos eram um partido marginal e ativamente excluído pelos seus pares, devido às ligações declaradas a grupos neo-nazis. Só depois da viragem do século é que a estratégia de legitimização do partido começou a ter sucesso, pela mão de um grupo de quatro jovens, conhecido como “o Gangue da Escânia” (a região mais a sul da Suécia). Entre eles contava-se Jimmie Åkesson que, em 2005, chegou à liderança do partido. Nas suas primeiras eleições como líder, Åkesson conseguiu aumentar os votos dos Democratas Suecos para uns modestos 3%.
Apesar de a direita radical não ter conseguido entrar no Riksdag, as eleições de 2006 são consideradas por vários especialistas como o primeiro sinal da queda dos sociais-democratas. Os três partidos da direita que tinham derrotado Olof Palme em 1976 uniram-se novamente e, com o apoio dos Democratas Cristãos, conseguiram formar uma coligação maioritária. O governo liderado pelos Moderados prolongou-se até 2014 — nunca os sociais-democratas tinham ficado tanto tempo afastados do governo.
Depois de mais de duas décadas de vida, os Democratas Suecos chegaram finalmente ao Riksdag em 2010. Uma sondagem desse ano, citada num artigo de 2020, revelava que a imigração foi um dos temas mais importantes para os 5,7% dos eleitores que votaram na direita radical. Pela primeira vez, um partido tinha conseguido introduzir um debate social na campanha eleitoral e furar a imunidade sueca aos extremismos.
Stefan Löfven. O “Houdini da política europeia” que sobreviveu a crises sucessivas
A morte da política de blocos e do excecionalismo sueco em 2010 não significou, contudo, a morte dos sociais-democratas. Da mesma forma que os Moderados utilizaram os Democratas Cristãos para formar governo em 2006, os sociais democratas também olharam para fora dos partidos tradicionais. Foi com uma coligação com os Verdes que Stefan Löfven conseguiu reconquistar o governo para o Partido Social Democrata. Mesmo assim, os dois partidos somados contavam com apenas com 138 dos 329 lugares do Riksdag. A coligação contava ainda com o apoio dos 21 deputados do Partido da Esquerda (Vänsterpartiet, em sueco), um dos cinco partidos originais do sistema.
A capacidade de Löfven para negociar um governo numa coligação minoritária não o protegeu, contudo, das mudanças contextuais que teria de enfrentar no ano seguinte. Se o tema da imigração já tinha aparecido em 2010, tornou-se inevitável depois de 2015, quando o país acolheu 163 mil requerentes de asilo — foi o segundo país da Europa que acolheu mais imigrantes per capita. Nesse mesmo ano, a Suécia registou doze tiroteios mortais — um número mais elevado que o habitual mas que, ainda assim, não retirou o país do top 10 de países mais seguros do mundo — que colocaram a segurança no topo da agenda.
Pela primeira vez em muitos anos, as prioridades dos sociais-democratas deixaram de ser a preservação do Estado social, mas a guerra ao crime. “Famílias horrorizadas são acordadas com o som de tiros a meio da noite. As armas têm de sair das ruas da Suécia — nada mais é bom o suficiente”, declarou Löfven num comício nesse ano. Jonas Hinnfors, cientista político na Universidade de Gotemburgo, notava ao Politico, em 2017, que as mudanças no discurso de Löfven não seriam suficientes se não fossem acompanhadas de reformas. Não foram. Nas eleições de 2018, os sociais-democratas voltaram a perder votos e ficaram reduzidos a 100 deputados — é preciso recuar a 1928, quando o Parlamento ainda era bicameral, para encontrar um número tão baixo de lugares vermelhos.
Uma vez mais, Löfven exibiu a sua capacidade de negociação e firmou os Acordos de Janeiro, que previam uma nova coligação com os Verdes, mas com a viabilização do governo a ser garantida por dois partidos do centro-direita: os Liberais e o Partido do Centro. Os acordos afastavam a influência do Partido da Esquerda no governo dos sociais-democratas, ao mesmo tempo que criavam um cordão sanitário contra os Democratas Suecos, que conseguiram conquistar 62 mandatos nessas eleições.
A reconfiguração da política sueca em 2018 marcou o fim de outra das características chave do excecionalismo sueco: o voto de classe. O fim já se vinha a anunciar, em parte pela influência cada vez mais reduzida dos sindicatos na sociedade — e Löfven foi, durante décadas, um líder sindical. Mas a entrada em cena dos Democratas Suecos acentuou esta tendência. A transferência direta de votos da esquerda para a direita é questionada pelos sociais-democratas: “Quando a conexão entre classe e voto enfraqueceu foi porque uma parte maior da classe média votou nos sociais-democratas, não porque eleitores da classe trabalhadora começaram a votar [em partidos do bloco] burguês”, escreveu Irene Wenneno, secretária de Estado no governo de Löfven.
Porém, os testemunhos de vários eleitores de classe trabalhadora mostram que os eleitores dos Democratas Suecos não perderam a tendência tradicionalmente sueca de apoio ao Estado social. Durante a campanha para as eleições de 2018, Ted e Roger, eleitores do partido, apontavam como preocupações o estado dos cuidados a idosos e crianças, a saúde e os transportes. A diferença face ao discurso do centro-esquerda é que culpavam os imigrantes pela queda na qualidade dos serviços públicos. A preocupação com as questões culturais e identitárias só viria a entrar no espaço político vários anos depois. De um modo geral, o voto regional substituiu o voto de classe: as cidades passaram a pintar-se com o vermelho da esquerda e o interior com o azul da direita.
Apesar das mudanças, o período mais difícil para os sociais democratas ainda estava para chegar. No dia 21 de junho de 2021, os Democratas Suecos apresentaram uma moção de censura ao segundo governo de Löfven. A moção foi aprovada e Löfven tornou-se o primeiro chefe de governo na História da Suécia a cair com uma moção de censura. Ainda assim, a oposição foi incapaz de apresentar uma alternativa de governo e Löfven manteve-se em funções, graças às abstenções da Esquerda e do Partido do Centro. Meses depois, Löfven acabaria mesmo por apresentar a demissão de líder do Partido. O facto de ter conseguido negociar a sua liderança durante quase uma década e sair nos seus próprios termos valeu-lhe a alcunha de “artista de fugas” ou “Houdini da política europeia”.
▲ Magdalena Andersson tornou-se a primeira mulher a liderar um executivo sueco
HENRIK MONTGOMERY/EPA
Em outubro de 2021, a pouco menos de um ano de a Suécia ir novamente às urnas, Magdalena Andersson assumiu a liderança dos sociais democratas e foi confirmada como primeira-ministra da Suécia, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo.
Os sete anos que Löfven passou à frente dos governo sueco foram marcados por alguns dos governos mais frágeis da História do país. Apesar de uma parte disso se dever às mudanças contextuais que o país ultrapassava, não faltam críticos que apontam a insistência dos sociais-democratas em olhar para o passado glorioso e não para o presente em mudança. “A convicção absoluta de que o que é bom para a Suécia é sempre social-democrata e de que o Partido tudo fará para manter o poder prejudicou tanto [o Partido] como Löfven”, argumentava à data o editor de política do jornal Ålandstidningen.
A reformulação social-democrata para fazer frente à direita unida (mas de coexistência difícil)
A chegada de Magdalena Andersson à liderança social-democrata acabou por se revelar positiva para o partido do centro-esquerda. Em 2022, esta força política conseguiu melhorar os seus resultados eleitorais e conquistar 107 deputados no Riksdag. Mas o partido que mais cresceu foi mesmo os Democratas Suecos, que chegaram aos 73 mandatos — roubando assim o segundo lugar aos Moderados, que perderam dois lugares e ficaram reduzidos a 68 deputados.
A consolidação de três forças políticas impedia coligações maioritárias, tanto à esquerda como à direita, que não incluíssem o partido de direita radical. Numa tentativa de desbloquear o cenário pós-eleitoral, a direita rompeu o cordão sanitário e firmou um acordo com os Democratas Suecos. O acordo de Tidö, que dá nome ao atual governo, previa um executivo liderado pelos Moderados de Ulf Kristersson com ministérios entregues aos Liberais e aos Democratas Cristãos. Os Liberais, que viram a sua bancada reduzida a apenas 16 lugares — quando no passado chegaram a ser a terceira maior força política —, recusaram integrar um governo com os Democratas Suecos. Mas aceitaram a inclusão de algumas das suas medidas no programa de governo e aceitaram conceder-lhes lugares de liderança em comissões parlamentares de relevo, como a Justiça e os Negócios Estrangeiros.
Ao fim de um mês de negociações, Kristersson foi confirmado como primeiro-ministro. Contudo, desde então a coexistência não se tem revelado fácil. Por mais que uma vez, o primeiro-ministro teve de corrigir declarações de Jimmie Åkesson, que continua a liderar os Democratas Suecos ao fim de duas décadas, classificando-as como “desrespeitosas” contra minorias. A radicalização do partido mais à direita, que acompanha agora a todo o gás a tendência europeia, aumentou a tensão com os Liberais, o que culminou na demissão de Johan Pehrson, líder dos Liberais e ministro da Educação, no final de abril. Na direção oposta, Åkesson já declarou que só aceitará apoiar uma nova solução à direita se ocupar cargos no governo, uma linha vermelha que os Liberais recusam ultrapassar.
Neste cenário, os sociais-democratas procuram aproveitar os anos fora do governo para reformular as suas prioridades, dando resposta às críticas que foram feitas a Löfven. Isto destaca-se na sua direção de voto no Riksdag, onde agora votam mais frequentemente ao lado do governo (ou escolhem a abstenção) do que ao lado dos outros, destaca Marius Perrin, doutorando em política comparada no Centro de Estudos Europeus da Sciences Po.
Mas o exemplo mais visível dessa mudança é o novo programa político. “É um programa que traça um novo rumo para a Suécia e regressa às raízes da social-democracia“, pode ler-se no anúncio oficial do rascunho, dividido em quatro objetivos políticos. O regresso às raízes é visível nos dois primeiros objetivos, que passam por “uma vida melhor num país mais rico” e por “uma nova política que lida com as falhas do mercado e fortalece o Estado social” — os sociais democratas procuram interromper o que consideram ser a deriva neoliberal do país e regressar à social-democracia que se tornou exemplo na década de 1960. Estes pontos são pouco controversos no cenário político sueco que, apesar das alterações, continua a olhar para o Estado social como uma base relevante e apenas diverge na forma de o aplicar eficazmente, considerando os desafios atuais.
Os outros dois novos objetivos políticos procuram dar resposta a temas atuais como a segurança e a imigração — que ajudaram a direita radical a crescer. Por um lado, os sociais-democratas propõem “uma nova política de crime eficaz“, que resolva os desafios da segurança interna. Por outro, “uma política de segurança para uma nova era” que aborde as questões de Defesa externa que, desde a invasão russa na Ucrânia, dominam o continente. A Suécia não foge a esta tendência, tanto que a nova realidade levou o país a aderir à NATO, ainda sob a liderança de Magdalena Andersson.
O último ponto político é aquele em que os sociais-democratas mais se afastam dos seus programas anteriores, ao propor “uma migração rigorosa”. Apesar de o objetivo continuar a incluir a luta contra a “segregação”, é um distanciamento claro da postura que o partido adotou no acolhimento de migrantes durante as últimas décadas. Este novo programa deverá ser aprovado esta semana no Congresso do Partido.
▲ Ulf Kristersson lidera o executivo composto por três partidos e com o acordo dos Democratas Suecos
AFP via Getty Images
A reformulação política não parece ter tido qualquer efeito negativo entre o eleitorado social-democrata. Pelo contrário, num barómetro político do mês passado, o partido chega aos 36,7% das intenções de voto, um aumento claro em relação às últimas eleições. À direita, e depois do resultado histórico de 2022, os Democratas Suecos disputam novamente o segundo lugar com os Moderados, ambos na casa dos 19%.
A pouco mais de um ano das próximas eleições, as sondagens são animadoras para os partidos do centro: se o cenário de 2022 se repetir, a aproximação dos sociais-democratas à direita nos temas da imigração poderá facilitar um entendimento ao centro que volte a excluir os Democratas Suecos da governação. A solução não é assim tão improvável, destacam os especialistas, notando que o diálogo interpartidário, as negociações de acordos e os governos minoritários são comuns na Suécia.
Apesar da crise histórica que atravessa, o Partido Social Democrata sueco está bem melhor que os seus pares europeus, alimentado por uma cultura política de negociação no Parlamento e uma preponderância de apoio ao Estado social em todo o espectro político. No entanto, o foco nos seus anos de ouro parece ter atrasado a resposta para lidar com um sistema político mais fragmentado. No caso sueco, ainda é demasiado cedo para perceber se os sociais-democratas conseguirão sobreviver à ascensão da direita radical ou se ainda têm mais margem para cair.