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O debate já leva quase três horas quando começa a tocar o telefone da deputada Isabel Moreira, sentada na primeira fila da bancada do PS. Do outro lado alguém lhe comunica que, ao contrário daquilo que se pensava apenas algumas horas antes, a legalização da eutanásia ia mesmo cair às mãos do PSD. Foi um volte-face de última hora — mas não foi propriamente um choque porque se sabia desde há vários dias que qualquer que fosse o resultado seria sempre por uma margem muito curta. A divisão foi grande e para o resultado final muito contribuiu, de facto, a dispersão de votos de alguns deputados sociais-democratas. Mas também houve algumas votações surpreendentes entre os socialistas. A eutanásia acabaria por ser chumbada por uma curta margem: apenas cinco votos.

À partida para esta votação, as contas estavam assim: a esquerda tinha 107 votos garantidos, contando com André Silva do PAN e excluindo o PCP e o socialista Ascenso Simões. Ou seja, precisava de mais nove votos de deputados do PSD para garantir a maioria parlamentar.

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