Em Espanha, tanto o Papa Francisco como o Vaticano chegaram a ser assuntos do momento no Twitter depois de uma notícia falsa ter invadido as redes sociais na madrugada de domingo: a de que um misterioso apagão teria servido para encobrir a captura do líder da Igreja Católica Romana.

O assunto ganhou destaque em jornais como El Mundo ou La Vanguardia, que desmentiram história, com o último a fazer referência à página canadiana Conservative Beaver, onde permanece online um texto que continua a insistir na ideia de que o Papa permanece sob custódia das autoridades.

Segundo a história que circulou nas redes sociais, o Papa Francisco teria sido detido na sequência de uma suposta acusação da prática de 80 crimes como a posse de pornografia infantil, tráfico de pessoas, posse de drogas, abuso e fraude. Pelo meio, a cidade do Vaticano teria ficado às escuras para que a detenção ocorresse sem quaisquer sobressaltos. Houve até direito a relatos não confirmados de disparos ouvidos durante a noite. À detenção do Papa somou-se também a alegada detenção de outros oficiais de alta patente do Vaticano.

A página canadiana já citada — veiculadora de desinformação — escreveu ainda que o Papa Francisco se encontrava numa prisão num lugar desconhecido, estando a ser interrogado por agentes da Interpol e do FBI. Nem o facto de ao meio-dia de domingo o pontífice ter aparecido em direto — e em streaming para todo o mundo a protagonizar uma oração a partir da biblioteca do Palácio Apostólico — desmobilizou os mais crentes nesse relato.

A história terá tido origem na ideia de que teria havido um apagão no Vaticano. Uma informação que começou a circular na madrugada de domingo, depois de vários utilizadores terem acedido à câmara do portal Vaticano News que transmite imagens em direto e que mostrava a cidade naturalmente às escuras, já que as luzes na Praça de São Pedro são desligadas todas as noites e voltam a ser acendidas às seis da manhã. Para os defensores desta teoria, as imagens do Papa na manhã de domingo correspondem a uma gravação e as publicações nas redes sociais são previamente agendadas.

O rumor dominado pelas hashtags #PapaFrancisco ou #Vaticano proliferou que nem pólvora no Twitter, mas não se ficou por Espanha, com posts escritos na língua inglesa a darem conta do mesmo, alargando ainda a narrativa às eleições nos EUA. “O Papa foi detido no sábado de manhã devido a 80 acusações de abuso sexual e envolvimento do Vaticano no processo eleitoral dos Estados Unidos”, lê-se num dos posts.

No entanto, as únicas notícias confirmadas pelo Vaticano continuam a ser a morte do médico do pontífice, Fabrizzio Socorsi, e o facto de o Papa ter mudado o Código de Direito Canónico autorizando, assim, as mulheres leigas a ler a palavra de Deus, a ajudar no altar durante as missas e a distribuir a comunhão.

Conclusão

O Papa Francisco não foi detido na madrugada de domingo nem houve qualquer apagão no Vaticano, tal como confirmam vários meios internacionais. Nas redes sociais oficiais do Vaticano não há qualquer referência ao sucedido e, na manhã de domingo, o Papa Francisco protagonizou uma oração que foi transmitida via streaming em todo o mundo.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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