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A pior tempestade em Portugal desde que há registos entrou pela costa oeste com ventos superiores a 140 quilómetros por hora e deitou abaixo milhares de quilómetros de linhas elétricas, deixando centenas de milhares de pessoas sem energia durante dias. |
No rescaldo da depressão Kristin pode mudar o paradigma de redes aéreas que dominou as opções de investimento na rede elétrica em Portugal durante décadas. Menos cara que a subterrânea e mais rápida de construir (desde que obtido o licenciamento ambiental), este tipo de rede torna Portugal e o sistema elétrico mais vulnerável a eventos extremos como as tempestades e os fogos. E com o aumento da frequência destes fenómenos, empresas, Governo e especialistas soaram alinhados na necessidade de repensar os investimentos na infraestrutura elétrica e enterrar mais redes. |
A parte subterrânea da rede é em Portugal apenas de 20%, concentrada sobretudo em zonas urbanas, uma percentagem que é menos de metade da média europeia de 45%, diz Pedro Carvalho, professor catedrático do Instituto Superior Técnico. O especialista em redes de energia atribui algumas culpas pelo atraso na modernização da rede à pressão do regulador para controlar custos e evitar subidas na eletricidade. E defende que o enterramento deve começar pela linha de média tensão cujo sobrecusto face à rede aérea é menor do que em níveis mais altos de tensão. O impacto do custo desta mudança na fatura final “não será exorbitante”, defende. |
O secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, diz que é necessário estudar o enterramento para a resiliência das redes e refere que a prioridade no tempo será repor as linhas aéreas para restabelecer o serviço interrompido. Em declarações à rádio Observador, o governante diz que é cedo para indicar custos de reconstrução da infraestrutura, mas admite que esses custos serão suportados pelas tarifas de eletricidade. |
A passagem da tempestade Kristin deixou um milhão de pontos de abastecimento sem energia. Um dia depois já mais de metade dos clientes afetados tinham visto o serviço restabelecido, mas a regularização das restantes centenas de milhares foi muito mais lenta. Esta quarta-feira, faltava repor a energia a 83 mil pontos de abastecimento, quase todos no distrito de Leiria. A destruição da infraestrutura está a obrigar a E-Redes, empresa do grupo EDP, a recorrer “a expedientes” e atalhos para conseguir energizar as redes e chegar aos clientes. |
Os apoios de 2.500 milhões que no caso das empresas são linhas de crédito |
Ferro partido, paredes destruídas e uma indústria completamente arrasada pela força da tempestade. Na Marinha Grande, nenhum edifício do polo empresarial escapou ileso à Kristin. Também em Leiria os estragos foram pesados e há empresas que dizem ter voltado “ao ponto zero”. Em Vieira de Leiria, a população esteve cinco dias isolada e começa a reerguer-se com a ajuda de voluntários. E como o Observador testemunhou, foram muitos os emigrantes, de França, Suíça ou Luxemburgo, que se fizeram à estrada para perceber os efeitos do mau tempo e ajudar no que fosse preciso. |
Perante as primeiras críticas ao atraso na mobilização da ajuda e o desespero dos autarcas, o Governo aprovou no domingo um primeiro pacote de ajudas no valor de 2,5 mil milhões de euros. Grande parte destes apoios, cerca de dois terços, serão distribuídos sob a forma de linhas de crédito e há medidas inspiradas nos pacotes que foram aprovados no tempo da pandemia. |
Para as famílias, o primeiro-ministro anunciou a atribuição de uma ajuda mensal de até 1.075 euros por família que pode ser paga em prestações, no máximo de 12, e até ao valor limite de 12.900 euros, segundo o gabinete do primeiro-ministro. |
Para as empresas, a medida mais emblemática é o layoff simplificado para empresas que ficaram impossibilitadas de produzir pela destruição de instalações ou equipamentos e que podem precisar de meses para voltar a ter condições para pagar salários. O regime garante o pagamento na totalidade da remuneração, mas com um limite de três salários mínimos (2.760 euros). A Segurança Social ficará com a fatia de leão do encargo — 80% — e o empregador irá assumir 20%, mas fica isento de pagar TSU (taxa social única). Os contratos de trabalho podem ser reduzidos ou suspensos por três meses, um prazo que poderá ser prolongado. |
Há uma linha de mil milhões de euros do Banco Português do Fomento para ajudar a financiar a reconstrução de estruturas danificadas pelo mau tempo nos concelhos onde foi decretado o estado de calamidade. Nestes mil milhões, há uma parcela de 100 milhões de euros que pode ser convertida em apoios a fundo perdido. Com as empresas paradas e sem receber e as contas a chegar, está disponível outra linha 500 milhões de euros para apoio à tesouraria. |
Na agricultura está disponível um apoio de 40 milhões de euros para a reposição do potencial produtivo para quem sofrer um prejuízo superior a 30% na respetiva exploração. |
Durante uma semana (até à próxima terça-feira à noite) haverá isenção de portagens em quatro nós das autoestradas A8, A17, A14 e A19 que servem a região de Leiria. |
Sacos de plástico leves com morte anunciada, mas ainda sem alternativa |
Já há uma nova data para o fim do uso sacos plásticos transparentes, não reutilizáveis, no retalho alimentar. A ministra do Ambiente e Energia anunciou a intenção de os eliminar até 1 de janeiro de 2027. Maria da Graça Carvalho quer “opções reutilizáveis e sustentáveis”, mas ainda não indicou qual será a alternativa e quem a vai pagar. Apenas garantiu que não será criada uma nova taxa que chegou a estar prevista para 2024. |
O setor da distribuição foi apanhado de surpresa. O diretor-geral da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição), Gonçalo Lobo Xavier, avisa que é preciso tempo para operacionalizar os meios alternativos. Lembrando que os sacos custam dinheiro, afastou o cenário de serem as empresas a assumirem esse custo. Atualmente os supermercados já disponibilizam sacos reutilizáveis, mas cobram valores entre os 90 cêntimos e os dois euros. |
Portugal é um caso de sucesso na redução do consumo de sacos de plásticos leves, na sequência da introdução de uma taxa de 10 cêntimos em 2015. Mas os sacos transparentes com espessura inferior a 15 micrómetros, têm um elevado potencial para se tornarem resíduos e contribuírem para a poluição marinha e são esperadas medidas mais duras a nível europeu para combater a sua proliferação. |

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A EMPRESA |
A SpaceX de Elon Musk adquiriu a unidade de inteligência artificial xAI, num negócio que avalia a empresa de lançamento espacial em um bilião de dólares. A operação valoriza a empresa de IA que é responsável pelo Grok, a ferramenta de inteligência artificial da rede social X, também detida por Musk, em 250 mil milhões de dólares. |
São valores recorde que destronam a maior operação de fusão, protagonizada há mais de 25 anos quando a Vodafone comprou a alemã Mannesmann num oferta hostil avaliada em 200 mil milhões de euros. |
Mas o seu alcance vai muito para além da dimensão financeira. A operação alia as ambições do empresário em dois setores que estavam a ser desenvolvidos de forma autónoma, combinando a defesa, o espacial e comunicações por satélite com o desenvolvimento da IA, cujo custos dependem de chips, centros de dados e quantidades enormes de energia barata. Há quem veja nesta fusão o primeiro passo para levar os centros de dados e toda a infraestrutura que alimenta a inteligência artificial para o espaço. |
Para executar esta estratégia, Musk conta com a plataforma mais procurada de lançamento de satélites, com uma startup de inteligência artificial e uma vontade de ultrapassar os limites das fronteiras terrestres, como o próprio afirmou. |
“A longo prazo, a IA com base no espaço é a única forma de alcançar escala. Para atingir um milonésimo da energia do nosso Sol será necessário mobilizar um milhão de vezes mais energia do que a nossa civilização usa atualmente. A única solução lógica, portanto, é transportar esses esforço de recursos intensivos para uma localização com muito poder e espaço”. |
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