A AD concorreu às legislativas intercalares e às autárquicas de dezembro de 1979, às legislativas de outubro e às presidências de dezembro de 1980 e às autárquicas de dezembro de 1982.
Com a morte de Francisco Sá Carneiro, a quem se deve a ousada iniciativa de federar os três partidos da direita social apenas pouco mais de cinco anos depois do 11 de Março de 1975, o candidato às presidenciais de 1980 apoiado pela AD não conseguiu ultrapassar os 40 por cento e nas autárquicas de 1982 a coligação ficou-se pelos 20 por cento, o que levou à demissão do então PM.
Consequentemente, em junho de 1983, na sequência das legislativas antecipadas de janeiro, depois de três anos e meio de combate, que ficaria assinalado pela revisão constitucional de 1982, que acabou com a tutela militar sobre a vida política, e pela criação das reservas patrimoniais nacionais, ecológica e agrícola, a AD deu lugar ao Bloco Central social-democrata.
Teríamos que esperar por dezembro de 2020, quando José Manuel Bolieiro tomou a corajosa iniciativa de reactivá-la na sequência de eleições regionais nos Açores, para voltarmos a ver a AD dar corpo a um projeto liberalizador, que se traduziu na redução de um terço das taxas do IVA, do IRS e do IRC.
A reativação da AD nos Açores repercutiu-se na reeleição folgada à primeira volta, em janeiro de 2021, do candidato às presidenciais que se reclamava da direita social, e que por isso foi apoiado pelos três partidos que a fundaram.
A dinâmica assim criada não foi no entanto aproveitada pelo então líder do PPD para federar aqueles partidos para as autárquicas de setembro de 2021, negociando com os seus congéneres um programa comum elementar que, sem prejuízo das especificidades locais, preparasse o eleitorado para as próximas legislativas, então previstas para 2023.
Como seria de esperar, esse erro estratégico foi castigado com a merecida derrota nas inesperadas legislativas antecipadas de janeiro de 2022, mas nem assim a AD foi reativada tendo em vista preparar o caminho para as legislativas seguintes, que passaram a estar previstas para 2026.
Foi só no final de 2023, em face de segunda dissolução inesperada da Assembleia da República, que a AD nacional foi finalmente reativada, 40 anos depois de o PPD ter sucumbido, pela primeira de várias vezes, à força centrípeta do Bloco Central.
Tivesse havido mais tempo para assentar num programa de reformas que fosse ao encontro da vontade dos eleitorados dos respetivos partidos, e a AD teria alcançado a maioria absoluta mas, ainda assim, conseguiu regressar ao governo nacional em abril de 2024 e ganhar as europeias dois meses depois.
Seria pois de esperar que os lideres da AD não voltassem a cometer o erro de 2021 e fizessem questão de concorrer às autárquicas de 2025, para manter o seu eleitorado mobilizado quer para as próximas presidenciais, em fevereiro de 2026, quer para as próximas legislativas, agora previstas para outubro de 2028.
Com efeito, não é de excluir que nova desativação da AD, este ano e no próximo, acabe por lhe dar um golpe de misericórdia do qual nunca mais recuperará, o que poderia ter consequências dramáticas no futuro imediato dos próprios partidos que a integram, designadamente no do PPD.
Esperemos pois que a ponderação ao longo das próximas semanas da vontade dos eleitores da direita social, quer da que ficou patente na composição dos parlamentos eleitos em 2022 e em 2024 quer da já se advinha que ficará patente nas presidenciais de 2026, convença os líderes da AD a não a desativar nem para as autárquicas nem para as presidenciais.
Se querem alcançar em 2028 os 45 por cento que os seus antecessores alcançaram em 1979, os líderes daqueles três partidos ganhariam em aproveitar as autárquicas para, sob a bandeira da AD, levar aos 300 municípios e às 3 mil freguesias nem que fosse um único tema comum relevante, como por exemplo o da simplificação dos referendos locais.
Dessa forma confirmariam os eleitores que votaram nela em 2024 e ao mesmo tempo começariam a convencer as famílias que se foram afastando ao longo do tempo, por terem deixado de se reconhecer nas pessoas nos programas, e que provavelmente já decidiram votar em 2026 num candidato atípico, a regressar em força daqui a três anos para dar continuidade ao combate.