Aos olhos de Pedro Nuno Santos, “nós hoje temos um PSD que está radicalizado” — a apreciação foi partilhada, esta semana, em entrevista televisiva à CNN Portugal. O candidato a líder do PS desenvolveu o raciocínio e concretizou: no seu entender, um governo PSD-IL seria “muito mais radical do que aquele que nós tivemos no tempo da troika“, em grande medida porque a IL representa um “projecto radical“. Mesmo na oposição, considera Pedro Nuno Santos, este “PSD radicalizado” tornaria difícil negociar entendimentos com o PS em questões de regime. Traduzindo: a estratégia de Pedro Nuno Santos para ganhar o seu partido e depois o país passa por apontar que, à direita do PS, só existem radicais.

Já vimos mil vezes o truque ser aplicado: os líderes socialistas tendem a preparar eleições colocando-se no papel de único garante da normalidade democrática, ostracizando a direita e agitando fantasmas de um fascismo iminente. Ao longo de décadas, na boca dos dirigentes socialistas, Cavaco Silva, Sá Carneiro e Passos Coelho foram perigosos radicais enamorados pelo autoritarismo do Estado Novo. Agora chegou somente a vez de Luís Montenegro ser o alvo dessa calúnia e de Pedro Nuno Santos (o mais provável novo líder do PS) proferi-la. Nada mais do que a velha “táctica do salame”, como escreveu Miguel Pinheiro.

Acrescenta pouco salientar que a argumentação de Pedro Nuno Santos é ridícula, inconsistente e condenatória para metade (ou mais) do eleitorado que, olhando às sondagens, estaria então a alinhar-se com partidos radicalizados. Os socialistas também o sabem e, se insistem na calúnia, é porque acreditam na sua eficácia eleitoral. Ora, é precisamente aí que está o meu ponto: desconfio que essa eficácia se tenha esgotado. É hoje mais provável que essa estratégia eleitoral, que tantas vitórias valeu aos socialistas, contribua para a derrota do PS liderado por Pedro Nuno Santos nas eleições legislativas do próximo Março.

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