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A tão aguardada Cimeira União Europeia-Índia vai realizar-se este sábado, ainda que virtualmente. Mas do que vai sendo publicado nos jornais, ficámos a saber que não é bem uma cimeira, daquelas em que líderes de grandes potências debatem questões de segurança e política internacional. Afinal, parece que se trata de se ter chegado a uma fase importante de um acordo comercial que parece satisfazer as duas partes. Apesar de correr na imprensa que o melhor é não ter expectativas muito altas, porque muita coisa ainda parece estar por fazer, é um passo importante. Nova Deli nunca foi muito amiga de acordos desta natureza – o que significa que alguma coisa está a mudar. Mas ainda assim, depois do anúncio com tanta pompa e circunstância, esta cimeira sabe a pouco. Parece que nenhum dos lados tem ambição internacional para a tornar num marco histórico ou afirmar a sua presença no palco internacional.

Foco-me nas razões da Índia. Nova Deli foi, durante uma parte muito importante da sua história, um ator internacional defensivo, dotado de uma narrativa de quase pacifismo e tentando ocupar, no sistema internacional, um lugar de defensora dos mais oprimidos por um sistema político imoral que a Índia queria concertar. Ainda hoje se debate se essa política externa se deveu a uma estratégia pragmática que procurou encontrar especificidades políticas onde não havia força, ou se se tratava de um ímpeto “romântico” relacionado com uma história complexa de descolonização e de união de um território que nunca tinha sido um Estado e que estava ferido de desigualdades sociais instituídas. Seja qual for a explicação, Nova Deli tem, ainda hoje, dificuldades em libertar-se desta herança.

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