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Não é por haver um vencedor antecipado destas eleições presidenciais que elas devem ser desvalorizadas. São, e podem ser, úteis a vários títulos, sobretudo se questões pertinentes forem colocadas aos candidatos. Desde logo a avaliação do mandato do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e dos seus compromissos futuros. Faço uma avaliação geral positiva baseada do mandato sobretudo pela capacidade de unir, simbólica e afetivamente, os portugueses, e pelo seu empenho em assegurar a estabilidade política no diálogo permanente com o primeiro ministro e os partidos políticos. Usou de forma inteligente os vetos políticos, frequentemente vetando diplomas aprovados com escassas maiorias parlamentares e não aqueles aprovados por largas maiorias. Porém, o presidente não esteve bem, por excesso ou por omissão, em duas coisas essenciais. Marcelo foi para além do que é desejável, do ponto de vista constitucional, na sua relação com António Costa, interferindo na função governativa nomeadamente na relação com os seus ministros. Paradigmática, foi a intervenção logo no início de 2017, aquando do episódio das mensagens SMS entre Mário Centeno e António Domingues, quando Marcelo “aceitou” que Costa não demitisse Mário Centeno “atendendo ao estrito interesse nacional em termos de estabilidade financeira”. Em contrapartida, o Presidente não tem exercido a sua magistratura de influência em quatro assuntos essenciais para o futuro do país no longo prazo: a necessidade de um desenvolvimento sustentável, o declíneo demográfico e a sustentabilidade da segurança social, a qualidade das instituições e a luta contra a corrupção e, finalmente, as reformas no, e do, Estado. Estes temas não são de esquerda nem de direita, são transversais à sociedade portuguesa. É urgente dar-lhes resposta na próxima década.  Irá Marcelo dar um contributo para a procura de soluções no próximo mandato? Continuará tão empenhado na estabilidade política como neste mandato?

O exercício do poder presidencial nos próximos cinco anos será condicionado por duas coisas. A consciência individual do presidente e a maioria política que conseguir alcançar.  Nas reuniões de quinta feira entre presidente e primeiro ministro será muito diferente ter um PR eleito com 70% dos votos ou com 60% dos votos. É nisto que todos os eleitores, independentemente da área política, devem pensar, pois a eleição na primeira volta está garantida, com a margem de erro das sondagens. Quem se reconhece num regime semi-presidencial com uma forte intervenção do presidente deve votar Marcelo.

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