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A Verdade sobre a Busca pela Felicidade /premium

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Eu quero ser feliz. Quero muito fazer o que gosto, onde gosto, quando gosto, e com quem gosto. Mas quero muito mais ter e ser a alegria de viver que contagia toda a gente à minha volta.

Em Busca da Felicidade

Vivemos numa sociedade que nos encoraja, cada vez mais, a procurarmos ser felizes.

Acredito que a intenção por detrás da pressão social é bastante positiva, visto que o objetivo é estarmos num bom estado emocional, dado que as nossas emoções são o fator que mais determina a nossa qualidade de vida.

Contudo, a felicidade de que tanto se fala é incentivada a ser procurada, e encontrada, no mundo exterior. Falo de exterior como externo ao ser, externo à nossa experiência interna da vida. A publicidade diz-nos que vamos ser felizes quando comprarmos aquele carro, aquele vestido, ou aquele perfume. As redes sociais dizem-nos que vamos ser felizes quando fizermos aquela viagem, quando tivermos aquele corpo, ou aquela quantidade de likes numa fotografia. A sociedade no geral diz-nos que vamos ser felizes quando tivermos um bom cargo, numa boa empresa, com prosperidade financeira.

De facto, é verdade que tudo isso nos deixa mais felizes. Mas essa felicidade não dura muito tempo. Uma promoção no trabalho fez-nos sentir importantes durante umas semanas. O carro que comprámos deixou-nos em êxtase durante uns dias. E os likes nas redes sociais não duraram mais que umas horas.

Quando a felicidade efémera desaparece, invade-nos um pequeno ou grande vazio que vamos depois tentar preencher com tudo aquilo que nos faz felizes: ligamos a uns amigos para ir jantar fora, vemos uma série, ou postamos mais uma fotografia nas redes.

Assim, tornamo-nos escravos da busca da nossa felicidade. Procuramos incessantemente compensar um vazio interior com uma atividade exterior que nos faça sentir menos vazios. Sabemos que, ultimamente, não é a promoção, nem o carro, nem o post que nos vai deixar preenchidos, e que vamos estar constantemente em busca de mais, e mais, e mais… Entramos num ciclo vicioso que não acaba, que nos deixa adictos a estar ocupados e sucessivamente à procura do próximo estímulo.

Para além da dependência do exterior, a felicidade é também sempre projetada num momento futuro. Acreditamos que vamos finalmente ser felizes quando chegarmos “lá” (onde quer que isso seja). Pode ser num futuro distante, como quando encontrarmos o nosso companheiro de vida, quando formos de férias, ou quando finalmente começarmos a trabalhar em algo que gostamos; ou pode ser num futuro próximo, como quando chegarmos a casa depois do trânsito que detestamos, quando começarmos a jantar depois de cozinhar ou quando acabarmos de lavar a loiça e formos dormir.

Sem dúvida que a minha vida ficou melhor quando conheci a minha namorada, sem dúvida que adoro ir de férias, e sem dúvida que vivo para trabalhar no que gosto. Mas porque não estar no trânsito com alegria? Porque não cozinhar com alegria? Porque não lavar a loiça com alegria? Por que teremos que esperar por algo que nos vai trazer “felicidade”?

Um Testemunho do que é Possível

Nos dias de maior calor do último Verão, começaram-me a aparecer baratas em casa, o que me obrigou a chamar ajuda profissional para desbaratizar a casa.  Às 8h da manhã, estava eu ainda sonolento e de pijama, quando me entra em casa, de sorriso na cara, um senhor nos seus cinquenta anos, imigrante de São Tomé e Príncipe. Começou imediatamente a desbaratizar enquanto cantarolava, numa boa disposição contagiante. Meti conversa com ele e, quando lhe perguntei há quanto tempo trabalhava como desbaratizador, disse-me que o fazia há vinte anos. Fiquei estupefacto. Não queria acreditar. Este ser humano, que todos os dias desde há 20 anos acorda cedo para ir onde mais ninguém quer, fazer o que mais ninguém se atreve, vive com uma alegria e boa disposição maior do que praticamente qualquer outra pessoa que conheço. Se é possível encontrar alegria no meio das baratas, é possível fazê-lo em qualquer situação. Fiquei com uma admiração profunda por este senhor, é a personificação da famosa Joi de Vivre. Há poucas pessoas no mundo como as quais gostava de ser, e ele é uma delas.

A Alegria de Viver

Ao contrário da felicidade, que existe no futuro e no exterior, a alegria de viver existe no presente e no interior, aqui e agora. É uma forma de sentirmos as emoções que queremos sentir que não depende do que acontece no mundo exterior, e que nos está acessível a qualquer momento, através do mundo interior. Uma forma que não depende de chegarmos onde queremos chegar, ou de estarmos constantemente ocupados, mas apenas de agradecermos o facto de, simplesmente, existirmos neste momento.

A alegria de viver é uma atitude perante a vida. Uma forma de estar, e uma forma de ser. Advém de agradecermos pelo dom da vida, de agradecermos por estarmos vivos, e de agradecermos por tudo o que a vida nos dá, seja algo que queremos ou não.

Os gregos chamam-lhe chairo, a apoteose da realização pessoal, que vem de uma plena relação espiritual com o universo, e se traduz num leve estado de espírito e uma alegria imensa que nos permeia a alma.

Todos conhecemos aquela pessoa que tem tudo, e que encontra sempre uma forma de estar chateada. E todos conhecemos também aquela pessoa a quem a vida aparentemente não sorri mas que, mesmo assim, sorri de volta à vida com uma força e fé inabaláveis.

Eu quero ser feliz. Quero muito fazer o que gosto, onde gosto, quando gosto, e com quem gosto. Mas quero muito mais ter e ser a alegria de viver que contagia toda a gente à minha volta, independentemente do que se passa no mundo exterior.

Fred Canto e Castro tem 25 anos e é o fundador da Sonder, uma agência presente em Lisboa, Porto, e Barcelona, que ajuda as marcas a criar publicidade mais verdadeira ao conectá-las com pessoas autênticas para serem as estrelas nos seus anúncios. Está neste momento a construir o movimento global #IAmHuman com o apoio do futuro Rei da Noruega. É um apaixonado por desenvolvimento pessoal e comportamento humano. Integrou os Global Shapers em 2018.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

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Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

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