Miguel Tamen

Colunista

Sou professor  (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa.   Dei aulas em várias universidades americanas, nomeadamente, desde 2000 como visitante, na Universidade de Chicago.  Fui senior fellow no Stanford Humanities Center e Rockefeller Fellow no National Humanities Center.  Escrevi vários livros, o último dos quais What Art Is Like, in Constant Reference to the Alice Books (Harvard University Press).

Artigos publicados

Crónica

Liberdade de Impressão

Na maioria dos casos, as outras pessoas não costumarem ficar impressionadas com as nossas opiniões; ocupadas com o que haverão de dizer, não mostram no geral interesse por aquilo que nós temos a dizer
Crónica

As qualidades das qualidades

Uma acção generosa a que se chega depois de uma análise ponderada tem qualquer coisa de deliberado que a faz parecer-se com a avareza; e pensar em ter coragem é uma variedade de cobardia.
Crónica

A filosofia pelo fado (IV)

Um grande fado nunca depende dos sentimentos de quem canta: depende de se achar que os outros não têm sentimentos.
Crónica

O arqueólogo

Nem sempre nos lembramos de quem somos; de tudo o que fizemos; e de todos os pormenores das nossas vidas. O que quer dizer que somos muito mais do que aquilo de que nos lembramos.
Crónica

Grandes momentos na história da aviação

Existe a ideia de que Portugal tem vindo a levantar vôo. O combustível para esse grande momento da história da aviação é a energia renovável mais antiga do mundo: a energia verbal.
Crónica

As vantagens dos incêndios

A economia daquilo a que chamam tragédias é favorável à comunicação social. Enquanto nos períodos normais, vive de luzes e plumas que tem de pagar, nos desastres tudo é a baixo custo.
Crónica

O ponto de vista do utilizador

A ideia de que os utilizadores têm um ponto de vista especial está ligada à ideia de que quanto mais próximo estivermos de uma coisa melhor a conhecemos. Não é bem assim.
Crónica

O momento da verdade

O facto de termos aprendido a reconhecer sinais e a mudar de ideias por causa deles não garante que não nos possamos enganar. Há casos em que as ideias abandonadas é que eram as verdadeiras.
Crónica

O mistério da educação (XI)

A única coisa que vale a pena saber sobre ciências da educação é que aquilo de que os alunos se lembram é só ocasionalmente aquilo de que os professores quiseram que se lembrassem.
Crónica

Um certo tempo

O que é dizer uma coisa? Se eu contei um segredo a mim próprio não posso ser acusado de bisbilhotice ou de traição: não disse nada.
Crónica

A eliminação do bebé

A relação entre religião e sentimento não augura nada de bom; não porque os sentimentos não sejam genuínos, mas porque o que se diz sobre religião é quase sempre um efeito desses sentimentos.
Crónica

Não estamos aqui para nos divertir

‘Não estamos aqui para nos divertir", disse o rei. Saberia ele que a noção de que tudo depende das nossas escolhas é uma fantasia de gente que espera de si própria o que não pode razoavelmente fazer?
Crónica

O amor à arte

O amor à arte não se vê na maior parte dos casos em salas de concertos, galerias de exposições e em livros publicados. Vê-se pelo contrário frequentemente nos horrores em que tanto de nós insistem.
Crónica

Ocasiões de choradeira

O maior serviço que a televisão presta é pelo contrário o de proporcionar a quem nela aparece a falar ocasiões de choradeira: dar azo ao apreço que quem fala sente por si próprio.
Crónica

O cidadão às compras

A Loja do Cidadão parece sugerir que a nossa relação com o estado pode ser descrita como uma relação de comércio. Mas isso é dar-lhe um aspecto de primeira necessidade que talvez seja exagerado.
Crónica

A complexidade deste mundo

A complexidade das sociedades é uma ideia que as pessoas costumam ter sobre as sociedades em que vivem. Inversamente, a simplicidade é uma característica atribuída a sociedades em que não vivem.
Crónica

A filosofia pelo fado (III)

Os fadistas, quando cantam, falam de si próprios? Mas os melhores fadistas são aqueles que sabem que cantar o fado não é falar, nem dar recados, e que a letra do fado pouco pode esclarecer.
Crónica

O culto do inexprimível

Quem acha que uma coisa é inexprimível sente-se também normalmente inclinado a exprimi-lo. Por isso, poucos de nós se contentam em dizer que não há nada a dizer sobre o cheiro do pão.
Crónica

O desporto

Ao ouvir falar desportistas nem mesmo alguém disposto a considerar os benefícios do desporto entreterá a noção de que as suas almas se possam encontrar numa posição de sanidade.
Crónica

Ter razão

A nossa razão não pode consistir em dizer que temos razão; ter razão não é uma razão adicional que temos: é apenas uma opinião que os outros poderão vir a ter sobre as razões que demos.
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