Ainda não percebi bem o que é Francisco Rodrigues dos Santos. Jornalistas e comentadores insistem em referir-se a ele como um jovem conservador, mas tenho dúvidas. Parece-me mais um hipster. O seu objectivo não parece ser tanto conservar, mas sim trazer de volta coisas datadas do antigamente, como os hipsters fazem com os gira-discos e os álbuns de vinil, ou com aquelas malas velhas sem rodinhas. Cheira-me que Francisco Rodrigues dos Santos quer tornar o CDS num partido vintage. Para já, foi a uma loja de antiguidades e trouxe de lá um Manuel Monteiro em 2ª mão, para restaurar. Agora é ir ao OLX à procura de peças. E às caixas de comentários à procura do discurso. Com uma pintura, Monteiro vai ficar como velho.

Também já se começam a ouvir zunzuns sobre os valores da família. No CDS, valores da família é o eufemismo para discutir o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. (Já no PS, por exemplo, é o eufemismo para arranjar empregos aos parentes de Carlos César). Sinceramente, do pouco que conheço de Rodrigues dos Santos, acho que ele não se vai pôr já a questionar as diferentes concepções de família que há na sociedade portuguesa. Se há pessoa que tem um modelo de família incomum em que, tenho a certeza, mais ninguém se revê, é ele. Afinal, trata-se de alguém que pôs a mãe da noiva a trabalhar consigo na Comissão Política do CDS. Sim, leram bem: Francisco Rodrigues dos Santos vai ser chefe da própria sogra. Admito que haja quem ache isto normal, mas julgo que foi para modernices dessas que se inventou o conceito de “anti-natura”. A sogra é para tomar conta dos netos, não é para ter reuniões de trabalho. FRS está à vontade para ser colega da mãe da mulher, mas então não lhe chame sogra, chame-lhe outra coisa. A sociedade não está preparada para esta bandalheira.

Talvez a maior preocupação de FRS seja, para já, a de agregar as diversas tendências e sensibilidades do CDS.  Se o CDS tem abundância de alguma coisa, é de tendências e de sensibilidades. Num dia sente-se mais conservador, noutro mais liberal, às vezes acorda a pensar na lavoura, outras vezes é nos pensionistas, há alturas em que é europeísta, outras em que é eurocéptico. Enfim, são mesmo muitas tendências e sensibilidades. O que é um paradoxo para um partido que tem uma visão tão tradicional da sexualidade. Mas a verdade é que, neste momento, o CDS tem quase tantas facções como eleitores. Daí que o Congresso tenha acabado com o novo líder a apelar à unidade. Um apelo que é desnecessário, pois há algum tempo que o CDS caminha, paulatinamente, em direcção à unidade. Já faltou mais para ter apenas 1% dos votos.