Pode uma democracia eleger um fascista? Será possível um ditador potencial ganhar eleições? Infelizmente, a resposta é sim.

Sempre defendi que o valor a defender não é a democracia, mas a liberdade. No Ocidente a democracia é o instrumento que garante a liberdade de cada um. Se um sistema democrático não garante as liberdades aos cidadãos então as eleições podem trazer resultados estranhos. Foi assim na Rússia e será amanhã no Brasil, infelizmente.

A culpa ou responsabilidade de um fascista ser fascista é apenas desse fascista. A responsabilidade de ele ser eleito é de toda a classe política, excepto dele próprio. Há questões que as forças políticas tradicionais não têm em devida conta na América do Sul: a corrupção e a insegurança.

Penso que o pior regime não é uma ditadura, é a guerra civil. Na ditadura, de bico calado obviamente, pode ter-se emprego, levar os miúdos à escola e ir ao supermercado para lhes dar de jantar. Em guerra civil nem isso está garantido, mesmo que se mantenha o bico calado. Foi o grande erro de W. Bush no Iraque e na Líbia, para citar exemplos óbvios de ditaduras bem duras, em que o suposto bem-estar democrático se transformou em algo pior que a ditadura, ou seja, a guerra civil. Se a alternativa à ditadura é a guerra civil, então a escolha é clara. Na guerra civil raramente há lados bons.

No Brasil não há guerra civil, mas a insegurança é demasiado próxima. A insegurança afecta todos —ricos e pobres— e de forma a coartar a liberdade de qualquer cidadão, todos os dias e em qualquer lugar. A esta insegurança, aliás galopante com Dilma Rousseff (sempre arrogante e auto-suficiente), veio juntar-se um sem número de casos de corrupção ligados a quase todos os partidos e com o PT de Lula-Dilma à cabeça.

Se atendermos que a insegurança democrática no Brasil afecta as liberdades, qualquer cidadão, possivelmente, pode perguntar-se se eleger um fascista é pior. Alguns (cerca de metade) dos brasileiros ponderam entre as liberdades políticas cerceadas na ditadura e as liberdades coartadas com a insegurança das ruas e a corrupção galopante em democracia.

A resposta são as eleições no Brasil. Ter de escolher entre um apoiante saudosista da ditadura de 1964 e a insegurança e corrupção garantida pelo PT é triste. Ter de escolher entre alguém visto como fascista e um democrata possivelmente corrupto é dramático. Eu tento perceber o voto dos brasileiros, nunca justificar o fascismo de um fascista. Felizmente, nas próximas eleições os portugueses não terão esses dilemas: é bom ser tuga.