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Os holandeses não tiveram um João Villaret, que popularizou a fábula da “Cigarra e da Formiga” na versão de Mário Pederneiras. E que assim fez com que alguns de nós simpatizássemos mais com a Cigarra do que com a Formiga. Até poderemos ter sido, nós, os espanhóis e os italianos, um bocadinho cigarras. Mas ao contrário da fábula, existe nesta história um “fiscalizador” que tenta que todos acumulem no bom tempo, para terem dinheiro no inverno económico. Se não foi assim, quem devia ser investigado era a Comissão Europeia. E é um erro pensar que uns estão pior que outros, cigarras e formigas estão a ser arrasadas pela pandemia, indiferente a quem poupou ou não.

Comecemos por contar o que se passou para quem não tenha acompanhado a história. O ministro holandês das Finanças Wopke Hoekstra terá sugerido, no âmbito da reunião dos ministros das Finanças do euro, que a Comissão Europeia investigasse porque é que alguns países estão sem margem de manobra para fazer face a esta crise, na sequência da proposta de emitir dívida europeia – as famosas “eurobonds” – por parte de um grupo de países em que se inclui Itália e Espanha. A Cimeira Europeia  correu igualmente mal, com a Espanha e a Itália a bloquearem o comunicado final, como se pode ler nesta descrição do El País. O primeiro-ministro António Costa reagiu de forma invulgarmente agressiva, classificando as declarações do ministro das Finanças holandês como “repugnantes” e dizendo que ninguém tem paciência para comentários de ministros holandeses, como aqueles que enfrentámos na crise financeira e das dívidas soberanas. E reforçou o que disse, dizendo que deviam estar a brincar com ele quando lhe perguntaram se estava arrependido de ter feito tais declarações.

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