É dia de Natal, pensei, e ninguém deve estar a ler jornais. Todos numa azáfama com a família, sem tempo para dar tempo a todos que no-lo solicitam, a arrumar a casa da véspera, a receber os que chegam e a despedir dos que partem, quem quererá sentar-se e ler um texto que nos chama para fora deste ambiente e que nos faz pensar no meio de tanta distracção.

Mas depois pensei, que hoje há também muitos, talvez mesmo demasiados que só têm tempo.

Porque estão longe das suas famílias, porque estão a trabalhar, porque não têm família, porque estão num hospital ou ainda, por qualquer outra razão, estão sozinhos.

E há tantos casos destes que precisam mesmo de alguém que lhes dedique este tempo.

Seria melhor se pudéssemos estar junto deles, a ler-lhes uma história, uma carta ou um poema, contando-lhes maravilhas deste Mundo em que vivemos ou mesmo só estando lá ao seu lado, mas, ainda assim, decidi que valia a pena dar-lhes um pouco deste meu tempo, que vai estar ocupado pela minha família, para lhes falar daquilo que estamos hoje a viver.

Foi para todos nós que nasceu este Menino que festejamos no Natal, mas foi mais especialmente para cada um daqueles que está só, triste, aflito, doente, preso, perdido, para todos esses que mais precisam de ajuda, que Jesus nasceu.

Nasceu para nos dar conta e para clarificar tudo aquilo que Deus nos tinha comunicado ao longo de gerações de Homens de que devíamos cumprir com a sua lei para podermos chegar a ser felizes.

E aquilo que Jesus nos veio dizer é que todas as leis de Deus se resumem numa só.

Que nos amemos uns aos outros como a nós mesmos e que assim cumprimos a vontade de Deus, que nos levará por um caminho de felicidade.

E aquilo que significa amar o próximo como a mim mesmo é ter tempo para dar tempo a todos estes que precisam.

Todo o sofrimento que passamos na nossa vida, e que parece ser não só injusto como inútil, só pode servir para alguma coisa se o usarmos para nos fortificar mais no amor aos outros, mas todos nós, os outros que não sofremos neste momento, temos o dever e a responsabilidade de ajudar, amando o que sofre, para que encontre o seu caminho de felicidade.

É este sentimento de união que Jesus nos veio ensinar e que vale a pena lembrar hoje que é Natal.

Lembro-me muitas vezes do exemplo de Nelson Mandela, um homem que sofreu durante anos uma prisão muito dura, um isolamento de toda a sua família e que viu destruída a sua vida e que, ao sair, a primeira coisa que fez foi perdoar aos que o levaram a esse sofrimento.

É com enorme reconhecimento que eu lhe agradeço a ajuda imensa que me deu, ele a mim, o que estava a sofrer ao que não sofreu, para compreender aquilo que Jesus nos veio ensinar.

Que o amor é o mais importante das nossas vidas, que fomos criados pelo amor de Deus, que devemos viver esse amor de Deus amando o outro e que o verdadeiro amor tudo perdoa.

Como no dia em que nasceu Jesus, como no dia em que foi libertado Mandela, como em todos os dias em que amamos alguém, hoje é Natal, lembremo-nos de todos os que hoje precisam do nosso amor.