Siza Viera, ex-ministro da economia, no podcast 45 graus, diz que da sua experiência governativa, ficou com uma conclusão sobre os trabalhadores portugueses. Segundo o próprio, a maioria dos investidores dizia que sempre que pretendiam que fossem cumpridos protocolos, procedimentos já definidos, tendiam a escolher países de leste. Por sua vez, sempre que pretendiam que fosse dado um novo incremento a um processo, ou fosse removido algum obstáculo de processo, por norma escolhiam Portugal. O chamado “desenrascar” é real e visto por outros, não se trata apenas de um mito.
Ora, no mundo da gestão de equipas, há um certo paralelismo. As equipas tendem a ser extraordinárias em períodos críticos. Já nos dias ordinários, na espuma dos dias, podem descer à mediocridade.
Já muito se escreveu sobre gerir equipas. Há imensa bibliografia sobre como motivar e melhorar a eficácia de uma equipa. Porém, quando a gestão de equipas é feita por um reduzido número de pessoas, quando não há um departamento especializado, há um conjunto de desafios acrescidos. Melhor, torna-se um processo extenuante e interfere na execução eficaz dos procedimentos do quotidiano laboral.
Existem e serão desenvolvidos milhares de softwares sobre gestão de Recursos Humanos, serão otimizados todos os processos (horário, faltas, férias, contratos de trabalho…). Muitos poucos irão realmente conseguir resolver a complexidade que é gerir pessoas.
As equipas são compostas por pessoas com diferentes personalidades, competências, valores e estilos de trabalho. Essas diferenças enriquecem a dinâmica, mas também podem gerar conflitos. Gerir egos, expectativas e formas de trabalhar distintas é complexo e desafiador. O diz que disse está enraizado em muitas culturas laborais o que trava e boicota o quotidiano laboral.
A comunicação é a base para o sucesso de qualquer equipa. No entanto, barreiras como ruído na comunicação, informações incompletas ou falta de clareza podem surgir. Diferentes níveis de escolaridade, diferente faz com que muitos não compreendam metas, tarefas e expectativas de forma uniforme.
Muitos trabalhadores do nosso tecido laboral, trabalham no que “lhes paga as contas” e não no que gostam. Tendem a ser infelizes a trabalhar, trabalham em esforço, passam 8 horas a olhar para o relógio. Trabalhar sem visão, sem motivação, trava processos e desafia quem lidera.
Um tecido laboral de pequenas equipas, onde não há progressões reais de carreira, onde a diferenciação salarial é inexistente, quase todos tabelados pelo mínimo obrigatório, arrasta para a mediocridade os bons profissionais. Motivar equipas, neste quadro, garantir que fazem as tarefas de todo os dias com motivação, afinco e brio profissional é duro e difícil.
Falar em Políticas de Gestão de Recursos Humanos é apenas viável em grandes empresas, as pequenas e médias empresas improvisam e seguem as diretivas do direito laboral (que nem sequer conhecem em profundidade) e a custo. Trazer a IA para este departamento é necessário, mas não será o elixir deste campo árido e complexo que é gerir equipas.